A divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) de 2018 do Espírito Santo, realizada ontem pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), merece alguns destaques. Aqui vou dividi-los em quatro partes: a relação com o desempenho nacional, o crescimento abaixo do ano anterior, o que esperar para 2019 e a apresentação para a imprensa.
Parte 1
O PIB capixaba teve uma alta de 2,4% em 2018 e mostrou que o Espírito Santo vem apresentando uma capacidade de se recuperar superior a do Brasil, que no mesmo período registrou um avanço na economia de tímido 1,1%.
O resultado local seguiu a expectativa positiva que foi projetada no ano passado pelo próprio IJSN e também pelo Santander. Aliás, superou. As instituições estimaram que o crescimento do PIB do Estado alcançaria 1,8% e 2%, respectivamente. Mas graças ao desempenho da agricultura e do comércio varejista ampliado ele foi além.
Por aqui, aconteceu o contrário do que vimos no cenário nacional, quando, no início de 2018, foi projetada uma expansão na casa dos 3%, percentual frustrado principalmente pela lenta recuperação da economia, ausência do avanço da reforma da Previdência, greve dos caminhoneiros e ainda pelo período eleitoral. Essa combinação fez com que o país repetisse o chocho desempenho de 2017.
Assim, o resultado positivo capixaba reforça que o Estado está sendo capaz nesses últimos dois anos de reverter as fortes perdas sofridas no auge da crise, em 2016, quando o PIB foi pior do que o brasileiro e fechou negativo em 5,3%.
Parte 2
Mesmo com um resultado que é um pouco mais do que o dobro do nacional, chama a atenção o fato de o PIB do Espírito Santo em 2018 ter sido menor do que o de 2017, de 2,7%. Não é uma queda brusca e nem estamos falando de um número negativo. Mas esse percentual indica que a recuperação capixaba ainda não pegou tração e explicita que o ritmo na retomada dos empregos, no volume de serviços e na produção industrial ainda é aquém do desejado.
Tanto é que o valor nominal do PIB em 2018 foi de R$ 120,8 bilhões, cifra em patamar semelhante à registrada em 2015, como lembrou o coordenador de estudos econômicos do IJSN, Antonio Freislebem da Rocha.
Parte 3
Para 2019, ainda não existem projeções de como a economia do Espírito Santo deve se comportar. Por mais que o Estado venha buscando o seu protagonismo para deixar os efeitos da recessão para trás de vez, o desempenho econômico brasileiro permanece com alto grau de influência sobre as economias locais.
Considerando que a projeção nacional do PIB para este ano é de 2% e que o país precisa superar a reforma da Previdência e o fragilizado mercado de trabalho, não dá para ter ilusão que viveremos uma retomada sólida instantânea.
Além disso, o setor da agricultura – que foi o grande destaque do PIB capixaba em 2018, com uma alta de 40,7% – não promete repetir a perfomance em 2019. O presidente do Instituto Jones dos Santos Neves, Luiz Paulo Vellozo Lucas, diz que há um sinal amarelo para a atividade em função do estresse climático dos últimos meses, que já vem comprometendo a lavoura de algumas culturas, a exemplo da do café.
Parte 4
Não foram só os números que estrelaram durante a coletiva sobre o PIB do Espírito Santo no IJSN. Chamou atenção o envolvimento de um grande número de participantes no evento. Tradicionalmente, participam jornalistas, o presidente e os técnicos do órgão. Mas, desta vez, marcaram ponto os secretários da Agricultura, Paulo Foletto, e de Economia e Planejamento, Álvaro Duboc, além de representantes da Secretaria de Desenvolvimento, da Federação da Agricultura e Pecuária do ES (Faes) e do Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Café.
Ao todo, seis pessoas discursaram no evento, que, em alguns momentos, tinha um tom mais político do que técnico. Em algumas falas, não faltaram elogios ao presidente Luiz Paulo, e, em outras, teve quem aproveitasse para reivindicar demandas do setor. Afinal, como perder a chance de fazer um pedido ao secretário da Agricultura logo ali diante de todos?
Não há nada de errado na forma como a coletiva foi conduzida. Ao convidar todos esses atores, o IJSN queria dar espaço e destacar os bons resultados do setor da agricultura capixaba. É justo, mas também foi inusitado.
Entre a (boa) minoria
A situação dos Estados brasileiros não vai nada bem. Não é à toa que dos 26 entes, somente sete estão em dia com o Tesouro Nacional no repasse de informações sobre o cumprimento de requisitos fiscais. A notícia boa é que o ES é um deles. Ao se enquadrar na situação regular do Serviço Auxiliar de Informações para Transferências Voluntárias, o chamado CAUC, o Espírito Santo fica apto para receber recursos da União por meio de transferências voluntárias e convênios.
Onip lança comitê de petróleo no Espírito Santo
A Onip (Organização Nacional da Indústria do Petróleo) vai lançar amanhã, aqui no Estado, o Comitê Integrador de Acesso a Mercado, que deverá ser coordenado no Espírito Santo pelo Fórum Capixaba de Petróleo e Gás. Assim, a entidade passará a atuar sob três frentes. As outras duas são com os comitês de Competitividade, que ficará sob a gestão de São Paulo, e o de Regulação, capitaneado pelo Rio de Janeiro. A expectativa é que, com essa participação, o Estado se aproxime das oportunidades do setor de óleo e gás e conheça melhor as demandas de cada área.
Outro trabalho do Fórum para ampliar o conhecimento dos profissionais e das empresas capixabas no setor é a oferta de cursos. Nos próximos dias 22 e 29, por exemplo, o Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP) vai falar sobre a gestão de negócios nesse mercado.