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Administrador de Empresas (UERJ), pós-graduado em Engenharia Econômica (UERJ), certificado CFP® e Ancord. 21 anos de carreira no mercado financeiro, com passagens pelo atendimento Private, Alta Renda, Gestora de Recursos, Tesouraria e Educadoria Corporativa. Desde 2018, sócio da Pedra Azul Investimentos, escritório de assessoria de investimentos sediado em Vitória-ES.

Como o ano eleitoral impacta na Bolsa e no mercado

Uma das premissas mais repetidas por profissionais, influenciadores e investidores é de que, em ano eleitoral, a Bolsa cai e a volatilidade é mais alta, mas as respostas estão nos números

Estamos em ano eleitoral, com disputas para Presidente, Governadores e Legislativos Federal e Estadual. Naturalmente, existe uma incerteza em relação ao que ocorrerá no nosso país nos próximos anos, em função das possibilidades de resultado nas eleições, e que pode se traduzir em mais tensão e cautela no mercado financeiro. Existe, inclusive, um consenso muito conhecido de que em ano eleitoral o mercado fica mais difícil, volátil e a Bolsa tende a cair. Vamos analisar os números dos últimos anos, em relação ao retorno e ao risco do índice Ibovespa, para entender se essa premissa é verdadeira.

Começamos pela volatilidade, que significa o grau de alterações nos preços do índice, observando-se o desvio padrão. Quanto mais os preços mudam, e com maior amplitude a cada dia, seja queda ou alta, maior é a volatilidade observada. É um indicador muito importante para se avaliar a relação risco/retorno. Teoricamente, durante um ano de eleições poderia ocorrer uma volatilidade mais alta, por conta da incerteza política inerente ao processo.

Analisando o histórico do Ibovespa desde 1997, segundo dados da Quantum Finance, observamos que a volatilidade vem caindo lentamente ao longo dos anos, sinal de um gradual amadurecimento do mercado de ações brasileiro.

A década de 90 tinha uma volatilidade mais alta do que a década de 2000, que por sua vez foi mais volátil do que a década de 2010. Desde 2003, os anos mais voláteis foram 2008 (51,94%), ano da crise subprime, 2020 (44,41%), primeiro ano da pandemia, 2009 (31,25%), ano de recuperação da crise subprime e 2016 (26,54%), ano do último impeachment presidencial. Nenhum destes era ano de eleições. A média de volatilidade nos anos eleitorais está em linha com o primeiro, segundo e terceiro anos de Governo.

Fica evidente que há fatores mais relevantes para determinar o aumento da volatilidade e do risco do mercado, que são as grandes crises, de diferentes origens. Nos casos citados, crises financeiras, de saúde e políticas. Se os eventos forem de grande alcance, e ocasionarem alterações nas expectativas do mercado sobre o futuro da economia real, a consequência será muita incerteza, que fará o mercado se mover, para baixo e eventualmente para cima, no caso de uma recuperação.

É por isso que o ano de eleições não tem se apresentado como muito volátil, pois a mudança de Governo, na verdade, não é uma mudança repentina, mas uma construção de médio e longo prazo, por meses ou até por anos. Goste o mercado ou não do resultado, ele é antecipado por pesquisas eleitorais, pelo sentimento geral da população e pelas discussões e acordos que envolvem a disputa, onde se conhecem as intenções dos candidatos ao longo da campanha. Os eventos que impactam decisivamente a volatilidade são mais agudos, mais bruscos, e muito mais imponderáveis.

Urna eletrônica
Urna eletrônica. Crédito: Roberto Jayme/Ascom/TSE

Quando se fala de retorno, ou seja, da rentabilidade do índice Ibovespa, o ano de eleições tem uma média simples negativa (-2,06%), considerando na média cada último ano de Governo desde 1997. Os segundos e os terceiros anos de Governo também não se destacam, apesar de, na média, serem anos levemente positivos. No entanto, o primeiro ano de Governo tem uma média simples de retorno anual alta (46,17%) desde 1997, o que não parece ser uma coincidência.

Após a indefinição naturalmente ocasionada pelo ano eleitoral, o primeiro ano de Governo tende a ser um ano de planejamento, em que compromissos são firmados, e indicações do que está por vir nos próximos anos são emitidas pelos novos governantes. Também tende ser um ano de busca de economia na parte fiscal. É um ano para plantar aquilo que se colhe no resto do mandato, o que pode trazer a adoção de um discurso político mais conciliador. Há também uma tendência de que o início de cada Governo seja mais pró-mercado, e dificilmente ocorre um enfrentamento com o mercado financeiro, sabendo que há ainda muitos anos de Governo por vir.

A conclusão que chegamos é que em relação à volatilidade e ao risco, o processo eleitoral não é tão decisivo para fazer o mercado financeiro balançar. As eleições podem ser um ponto de tensão e talvez diminuam o otimismo do mercado. No entanto, crises de grande alcance político e/ou geográfico e que eventualmente possam ocorrer em uma velocidade acelerada, mudam o sentimento do mercado de forma mais brusca. O maior impacto das eleições parece ser nos preços das ações, podendo levar à queda do índice no ano.

Se o ano que vem será de alta na Bolsa, sendo o primeiro ano de Governo, não sabemos, porque isso depende de muita coisa, e não só do cenário internacional desafiador, dos desafios pós-pandemia e das tensões geopolíticas, mas também do resultado das eleições e dos primeiros atos do Governo no próximo mandato.

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