A Gazeta portal de notícias do Espirito Santo

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Carol Campos

Selic a 13,75%: por que a cautela deve orientar investidores e consumidores

Copom impõe sobriedade contra a inflação e o cenário externo rígido; decisão favorece aplicações de renda fixa, mas encarece o crédito

Publicado em 06 de Novembro de 2026 às 08:15

Públicado em 

06 nov 2026 às 08:15
Carol Campos

Colunista

Carol Campos Carol Campos

Quem acompanha esta coluna em A Gazeta conhece a postura de permanente vigilância contra o voluntarismo econômico. Não faz muito tempo, criticou-se por aqui o que foi classificado como o "perigoso malabarismo do Copom". Na ocasião, o Banco Central insistia em esticar horizontes inflacionários para chancelar quedas de juros que flertavam diretamente com o risco fiscal, o que arranhava a credibilidade técnica da instituição. Destarte, o tempo provou que a prudência deveria ter ditado o tom desde o início, e os fatos deram razão aos alertas emitidos por esta coluna.

Na última quarta-feira (4), ao manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, o Copom finalmente puxou o freio de mão e adotou a sobriedade que o cenário exige. Diferentemente de parte do mercado que reagiu com surpresa, a interrupção no ciclo de quedas é vista aqui como uma vitória da responsabilidade sobre o simbolismo. Juros baixos são o desejo de toda a sociedade; entretanto, o "preço do dinheiro" não aceita desaforo ideológico, leniência fiscal ou pressões de curto prazo.

orçamento, negócio, cálculo, investimetos, economia, dinheiro, selic, juros, taxa selic, taxa de juros
Para quem depende de empréstimos e financiamentos, a manutenção da Selic em 13,75% ao ano exige cautela e controle rigoroso do orçamento Freepik

Olhar para o retrovisor ajuda a compreender por que o comitê agiu de forma amplamente acertada. Em março de 2024, quando a Selic caiu para 10,75%, esta coluna ponderou que o movimento exigia cautela extrema com a inflação interna e com a dinâmica global. O que se viu nos meses seguintes foi o oposto da calmaria: o IPCA estourou o teto da meta ao acumular 4,58% e o dólar em forte escalada, enquanto o governo federal operava no sentido inverso, estimulando o crédito e anulando o esforço técnico da autoridade monetária.

Para além das fronteiras domésticas, a postura do Banco Central brasileiro apenas se alinha à rigidez que hoje impera nos principais centros financeiros do mundo, sem a necessidade de uma submissão cega aos humores de Washington. O Banco da Inglaterra, em Londres, acaba de subir os juros britânicos para 4%, o Banco do Japão (BoJ) elevou sua taxa para conter preços e o Banco Central Europeu (BCE), ditando o ritmo de potências como a Alemanha, travou um freio rígido em patamares elevados, escoltado por autoridades monetárias em diversos países asiáticos. Ignorar esse cordão global de isolamento contra a inflação seria uma aventura desastrosa para a estabilidade do real.

Portanto, o país já pagou caro demais no passado pelo voluntarismo de tentar forçar a queda dos juros por decreto econômico. A decisão atual mostra que, entre o malabarismo estatístico e a sobriedade fiscal, o comitê escolheu o único caminho que garante a preservação do poder de compra. Para o poupador capixaba, o recado é continuar colhendo prêmios reais robustos na renda fixa por mais tempo, enquanto para o tomador de crédito a ordem permanece de máxima cautela e orçamento estritamente defensivo.

Leia mais na coluna de Carol Campos

Selic a 13,75%: por que a cautela deve orientar investidores e consumidores

A falácia do aluguel: por que comprar um imóvel ainda vale a pena

O mito do cafezinho: sua paz financeira não precisa de privações

Selic a 13,75%: o corte que não muda a vida de ninguém

'Na volta a gente compra!': como escapar das compras por impulso

Carol Campos

Carol Campos Carol Campos

E administradora, especialista em Gestao de Recursos Humanos e profissional certificada Anbima CPA-10 e CPA-20. Tem 23 anos de experiencia com orcamento, investimentos e planejamentos previdenciario e sucessorio. Trabalha com ESG e na prevencao de lavagem de dinheiro.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Fest Gastronomia no Shopping Vitória
Fest Gastronomia 2026 agita o ES com restaurantes premiados e shows inéditos; saiba tudo sobre o evento
Cerveja
O pecado tem preço. Mas quem paga a conta?
Operação prende duas pessoas e apreende arma e drogas em Marilândia
Operação prende duas pessoas e apreende arma e drogas em Marilândia

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados

Fale com a gente

Escolha o canal de sua preferência para assinar A Gazeta ou tirar dúvidas.