O ponto de vista que vai na contramão dos "gurus de internet", que frequentemente demonizam o patrimônio imobiliário e ignoram a realidade prática das pessoas, carece de um urgente esclarecimento. A grande falácia de quem condena a casa própria é desconsiderar a profunda relação entre risco e retorno.
Frequentemente, mede-se o sucesso de uma decisão de investimento apenas pelo resultado final, negligenciando o risco incorrido para obtê-lo. É por isso que o trabalho de estratégia patrimonial importa mais do que qualquer número isolado: no longo prazo, quem sobrevive é quem respeita o processo e a blindagem dos seus ativos.
Para compreender a solidez do imóvel próprio, é preciso analisar duas forças gigantescas: a realidade econômica e a neuroeconomia.
Primeiro, basta olhar para o mercado capixaba, que vive uma valorização histórica e consistente. Quem seguiu o conselho de morar de aluguel para sempre e "investir a diferença" muitas vezes assistiu ao preço do metro quadrado subir de forma mais veloz do que a rentabilidade dos próprios fundos.
É nesse cenário que se faz necessário fazer justiça a profissionais frequentemente injustiçados: os corretores e as imobiliárias. Embora muitas famílias olhem para o corretor com desconfiança, o tempo prova ser o senhor da razão. Anos depois, quando um bairro explode e o valor do imóvel dobra, percebe-se que aquele profissional não estava vendendo apenas tijolos; ele estava entregando a base de um patrimônio sólido. Sob essa ótica, manter pelo menos de 30% a 50% do patrimônio alocado em imóveis bem localizados não é um luxo, mas uma estratégia de alocação saudável, defensiva e de proteção.
Segundo, a neuroeconomia explica que cada cérebro é único e multifacetado. Para muita gente, a parcela de um imóvel adquirida na planta funciona como um "puxão de orelha" cerebral involuntário. A obrigação dessa prestação mensal ajuda a evitar desperdícios e organiza o orçamento de quem, caso estivesse com o dinheiro solto na conta, acabaria gastando com superficialidades. O imóvel próprio gera um compromisso concreto com o amanhã. É aqui que reside a importância de uma assessoria que acolhe, escuta e assume a missão de preservar e aumentar o patrimônio com o mínimo de risco possível.
Por outro lado, há cenários específicos em que o aluguel se consolida como a melhor solução patrimonial. A locação mostra-se inteligente quando atende a necessidades de curto prazo: transições de carreira em novas localidades, períodos de experiência antes de uma grande decisão de compra, recém-casados nos primeiros três anos de união ou durante reformas no imóvel próprio.
Da mesma forma, o aluguel joga a favor quando o investidor age como um verdadeiro estrategista, que possui reservas de emergência e de oportunidade robustas, além de uma renda passiva sólida que financie seu custo de moradia sem dilapidar o capital. Para além da matemática exata e da relação de risco e retorno, o teto onde se deita a cabeça representa liberdade, alegria e realização pessoal. De que adianta acumular números abstratos em uma tela se existe a constante insegurança de um contrato de locação que pode expirar a qualquer momento?
Por conseguinte, a verdadeira falácia não está no ato de comprar, mas em acreditar que uma regra única de internet serve para todo mundo. Imóvel próprio é raiz; é uma segurança que o papel não consegue comprar. No balanço final da vida, a pergunta que fica para o leitor é: as suas escolhas financeiras estão sendo guiadas por planilhas que aceitam qualquer cenário ou pela realidade do seu bolso e da sua paz de espírito?
Leia mais na coluna de Carol Campos