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André Motta

2023: o ano mais desafiador para o mercado financeiro e suas lições

incertezas na política e na economia, tanto no Brasil quanto no mundo, influenciaram o desempenho dos investimentos; confira os altos e baixos das finanças

Publicado em 18 de Dezembro de 2023 às 08:49

Públicado em 

18 dez 2023 às 08:49
Andre Motta

Colunista

Andre Motta

Brasil economia, investimentos, situação fiscal, mercado financeiro
O mercado financeiro no Brasil e no mundo enfrentaram altos e baixos em 2023 Crédito: Sean Gladwell
O ano de 2023 revelou-se um dos mais desafiadores dos últimos tempos no que tange aos mercados financeiros. Tanto é verdade que o desempenho dos fundos multimercados, cujos gestores têm liberdade de alocação em diversas classes de ativos e derivativos ao redor do mundo, teve seu pior ano desde a crise de 2008.
No Brasil, o ano começou sob os temores das falas populistas do presidente Lula, que sinalizavam um governo pouco preocupado com as contas públicas, e na direção desastrosa do que foi o período Dilma Rousseff. Entretanto, mais à frente, vimos o pragmatismo prevalecer, com uma boa surpresa no ministro Fernando Haddad, que soube conduzir com habilidade o desafio político de manter as contas relativamente em ordem e aprovar um novo arcabouço fiscal. Assim, quem soube separar os ruídos dos fatos obteve bons retornos no mercado acionário, que, até o momento, apresenta valorização de 18,65% no ano.
O bom desempenho da bolsa se dá principalmente pelo início do ciclo de queda das taxas de juros. Após um tempo prolongado de taxa Selic em 13,75%, o Copom viu as condições necessárias para cortar os juros, que encerram o ano em 11,75%, com mais dois cortes de 0,5% já sinalizados para as próximas reuniões. Cenários de juros em queda, em geral, são positivos para a bolsa, e tudo indica que 2024 continuará a tendência, com o Ibovespa superando a renda fixa novamente.
Por outro lado, quem apostou no dólar não teve um ano feliz. Juros altos não combinam com a moeda americana em alta e, desde que os juros chegaram próximos dos patamares atuais, o dólar segue perdendo força. O Brasil não virou a Venezuela ou a Argentina, tampouco passou perto disso, como muitos pregaram que seria o nosso caminho depois das eleições de 2022. Não faço aqui defesa nenhuma do governo atual, apenas entendo que temos hoje um sistema político em que o Congresso já demonstrou ter força e responsabilidade suficientes para evitar qualquer ruptura maior.
No plano internacional, a economia americana foi o grande ponto de atenção e, talvez, a grande responsável, com sua resiliência, pelo desempenho ruim dos fundos multimercados. Todos esperavam uma recessão e um desempenho ruim da bolsa nos Estados Unidos. Apostaram e isso não se verificou. O FED elevou as taxas de juros para 5%, o que vem trazendo a inflação para baixo, porém sem afetar de forma mais aguda o desempenho do PIB e o desemprego, uma boa surpresa no fim das contas. 
Para completar, a chegada da Inteligência Artificial (IA) animou os investidores a comprarem ainda mais ações das Big Techs. Microsoft, Meta e Google tiveram um ano muito bom, sustentando o índice SP500 nas máximas.
A grande decepção do ano certamente foi a China, ou os efeitos da sua reabertura pós-covid que se mostraram bem menos intensos do que o esperado. Isso acabou sendo positivo, pois manteve a inflação global sob controle. Uma explosão na demanda por commodities, como o petróleo, poderia ter efeito forte sobre a inflação ao redor do mundo, o que demandaria juros ainda mais altos pelos Bancos Centrais.
A tônica neste fim de ano segue sendo uma expectativa de queda dos juros nos Estados Unidos no ano que vem, o que vem impulsionando o mercado acionário e gerando expectativas de uma Selic menor no fim do ciclo de cortes já iniciado. Isso deve se manter no início de 2024, com o mercado se adequando a cada novo indicador de inflação, desemprego e PIB americanos. As questões fiscais do Brasil, que são ponto de atenção, devem seguir em segundo plano.
Para encerrar, alguns aprendizados que 2023 nos proporcionou: 
  • Multimercados tiveram um ano excelente em 2022, o que não garantiu uma boa performance em 2023. Ou seja, não busque o fundo com maior retorno nos últimos 12 meses para alocar o seu capital; 
  • A economia americana é realmente diferenciada. Pense algumas vezes antes de apostar contra ela; 
  • Política e finanças não conversam tanto quanto a maioria pensa. Saber separar os ruídos dos fatos que realmente fazem preço fez toda a diferença em 2023; 
  • Esteja sempre atento aos ciclos de juros, tanto no Brasil quanto no exterior. A taxa de juros é a variável mais relevante para o desempenho do mercado acionário; 
  • O cenário internacional pode ser muito mais relevante do que o doméstico para precificação dos ativos no mercado financeiro brasileiro.
Um Feliz Natal a todos e um 2024 cheio de paz, saúde, alegrias, prosperidade e ótimas oportunidades no mercado de capitais para rentabilizar a nossa suada poupança.

Andre Motta

Formado em engenharia civil pela Ufes, pos-graduado em Financas pelo IBMEC-MG e com mestrado em Administracao pela Fucape, geriu o clube de investimentos Investvix entre 2011 e 2015. E assessor de Investimentos na Valor Investimentos desde 2016

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