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Fotos de arquivos pessoais
Agricultura familiar

Macadâmia, pimenta e café do ES vão parar nos EUA e em países da Europa

Conheça histórias de produtores da terceira geração que dão sequência aos negócios da família no campo, transformando desafios do passado com um olhar para o futuro

Vinícius Lodi

Repórter

Publicado em 03 de Outubro de 2024 às 09:14

Publicado em

03 out 2024 às 09:14
Sucessão familiar no campo: produtores incentivam os filhos a continuarem os negócios no Norte do ES
Sucessão familiar no campo: produtores incentivam os filhos a continuarem os negócios no Norte do ES Crédito: Fotos de arquivos pessoais
Começou com o avô, seguiu com o pai e os filhos serão os próximos na sucessão. O suor e dedicação ao trabalho, semeados no campo, passados com orgulho por gerações, geram frutos. A agricultura familiar é uma tradição no Espírito Santo, com cerca de 75% das propriedades rurais de território capixaba que desenvolvem essa atividade, segundo o governo do Estado. Na Região Norte, entre os destaques da produção estão diferentes tipos de pimentas e o café conilon.
Com a chegada de novas tecnologias e a difusão de conhecimentos, o processo se desenvolveu e foi aprimorado. Tanto que a qualidade dos produtos chama a atenção do mercado brasileiro e até internacional. O legado deixado é continuado com novas oportunidades para o futuro. E A Gazeta conta histórias de dois produtores que, em comum, têm o cuidado e o amor ao dar continuidade às conquistas de suas famílias no campo. Ana Paula Martin Machado tem sua história marcada como mulher forte do campo, e Luciano Passamani carrega na memória a inspiração para o sucesso. 

Tocando em frente

Em São Mateus, na Fazenda Lagoa Seca, a produtora rural e empresária Ana Paula Martin Machado cultiva pimentas, macadâmia, café e mamão. Ela conta que, a partir de 2025, o filho – que estará com 14 anos – poderá acompanhar de perto os trabalhos. “O meu filho já demonstra muito interesse e vai começar a acompanhar o trabalho na fazenda a partir do próximo ano. Ele fala que quer cursar Engenharia Agrônoma”, disse.
A história de vida de Ana Paula demonstrou a importância de preparar a sucessão (você vai ler mais abaixo). Por isso, ela decidiu atuar pela causa na Cooperativa dos Produtores Agropecuários da Bacia do Cricaré (Coopbac).
" Tive que aprender a fazer tudo. Por isso, incentivo os pais a ensinar aos filhos tudo que eles fazem. Participei do processo de implantação, que veio do sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) para as cooperativas (locais)"
Ana Paula Martin Machado - Produtora rural e empresária
Segundo o diretor administrativo da Coopbac, Erasmo Negris, esse trabalho é importante para o futuro e a cooperativa incentiva os produtores a se capacitarem nesse processo.
“Realmente é difícil engajar o seu sucessor. Herdeiro, com patrimônio, é fácil, mas deixar uma sucessão em que seus descendentes irão continuar aquela atividade com zelo, conforto e rentabilidade, não é. A cooperativa quer que o cooperado busque perenidade na atividade para que a sucessão familiar não seja dolorida, para conseguir formar gestores. Temos a oportunidade de capacitação pelo EAD, em reuniões, eventos que são promovidos", relatou.

O luto e a volta por cima

A fazenda atualmente comandada por Ana Paula foi adquirida pelo avô materno dela há cerca de 75 anos e o pai dela – que era pecuarista no Pará – decidiu adquiri-la em 2012. “A fazenda sempre foi referência na agricultura do Estado, sendo a primeira a produzir pimenta-do-reino em grande escala no Brasil. Foi aqui que se descobriu a pimenta rosa no Brasil, o plantio de pimenta jamaica em grande escala”, contou.
Na época, ela trabalhava na Petrobras e aos poucos foi se aproximando da rotina no meio rural, até que deixou o emprego, em fevereiro de 2016, e resolveu ficar em definitivo com os pais. Sete meses depois, o pai faleceu.
“Tivemos que aprender a lidar com o luto e as dificuldades. Enfrentamos um período de grande seca, a discriminação por ser uma mulher na administração em um meio machista. Tive dificuldades também com os funcionários, porque eles não queriam ser comandados por uma mulher. Resolvi estudar mais a fundo o que produzimos para não deixar ninguém mais tentar me ‘passar a perna’”, relatou.
"Eu coloquei uma meta de que 50% dos funcionários seriam mulheres e o restante, homens. No galpão, quem toma conta são as mulheres. Preciso de um cuidado e organização diferente. O preconceito masculino foi intenso, mas hoje tenho o respeito e o orgulho do homem"
Ana Paula Martin Machado - Produtora rural e empresária
Hoje, segundo Ana Paula, grande parte da produção é exportada para o mercado externo, tendo como compradores países europeus e os Estados Unidos. 

90%

É o percentual de macadâmias da produtora exportado para os Estados Unidos
“Grandes empresas vêm até a fazenda e conhecem a qualidade. Temos caderno de campo, rastreabilidade, indicação geográfica da pimenta do reino e da pimenta rosa. Vendemos as especiarias para o mercado nacional e internacional. A pimenta do reino e a rosa são vendidas principalmente para a Alemanha”, afirmou.

O trabalho da Coopbac

A Cooperativa dos Produtores Agropecuários da Bacia do Cricaré possui 460 cooperados, com atuação em municípios do Norte do Espírito Santo, Sul da Bahia e Leste de Minas Gerais. “Entendemos a importância de ser do ramo cooperativista. Nós temos a organização de pessoas que se comprometem a trabalhar de forma conjunta buscando agregar valor ao produto, renda aos cooperados, comercializar a produção com preço justo. Ter segurança sobre onde você armazena e estoca o produto”, disse o diretor administrativo Erasmo Negris.

Com parcerias com a Ufes, Ifes, faculdades particulares e o Incaper, a Coopbac foi a primeira cooperativa que iniciou a exportação de especiarias, tendo a pimenta-do-reino como carro chefe, em 2015. A exportação representa cerca de 80% da receita da cooperativa com esse produto e é a maior exportadora dele no país. Aumentou ainda o portfólio com gengibre, pimenta Rosa, Jamaica, cravo da índia e também o café conilon.

Inspiração no avô: café do ES vai parar na Irlanda

Também à frente dos negócios e na terceira geração, Luciano Passamani não chegou a trabalhar com o avô, mas lembra do que aprendeu com ele quando o observava. As boas memórias serviram como incentivo e motivação. A família saiu do Sul do Espírito Santo, depois morou no interior de Marilândia (Noroeste capixaba), e, por fim, se estabeleceu no distrito de São Rafael, na região de montanhas de Linhares, no Norte do Estado. No início, a plantação era de café arábica, mas com o tempo foi feita a transição para o conilon.
“Quando comecei, meu avô já tinha falecido. Com o tempo, tive despertado o interesse (em viver do campo). A forma de manejo que vi para o café especial e a secagem me cativou. Vi os cuidados do meu avô, que não tinha o seu devido valor na época. Percebi que hoje isso poderia ser transmitido para a minha família (minha esposa e filhos), com o devido valor, e que as pessoas dão esse valor. Tem muito carinho envolvido”, falou.
O trabalho, então, começou com a companhia do pai e Luciano o viu levar amostras do café para concursos de qualidade no município. O produtor decidiu criar a própria marca, de nome "Pai e Filho". 
“Com meu pai, adaptamos novas formas de trabalho e manejo na lavoura. Ele sempre colocou amostras em concursos de qualidade e sempre ficamos bem colocados. Já fomos campeões. Nós iniciamos uma marca da nossa família. A gente ainda passa por algumas dificuldades, muitas pessoas na nossa região ainda têm um pouco de resistência para tomar café sem açúcar”, comentou.
"No entanto, vejo que estamos melhorando. Levamos o nosso café para compradores de Linhares, também vendemos em pontos de Vitória. Tem gente que presenteia quem é querido com o nosso produto. Ele já chegou lá fora (na Irlanda)."
Luciano Passamani - Produtor de café
As famílias movem a força de trabalho no campo para alimentar outras famílias e oferecer também produtos de qualidade.

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