Infelizmente já viraram rotina, no cotidiano brasileiro, as declarações contraditórias e atitudes incoerentes e/ou inconsequentes por parte do presidente
Jair Bolsonaro. Na última quarta-feira (18), porém, em uma coletiva de imprensa crucial para prestar esclarecimentos fundamentais à população brasileira sobre
a pandemia do coronavírus, o mandatário foi além, superando um limite já bastante elástico estabalecido por ele próprio, com afirmações ora paradoxais, ora incorretas, ora, simplesmente, não verdadeiras. Compilamos aqui uma lista com
os sete erros capitais de Jair Bolsonaro e analisamos cada um. Confira:
Na coletiva da última quarta-feira, Bolsonaro afirmou que não convocou ninguém para as manifestações do último dia 15 organizadas por grupos de direita. Com todo o respeito, é desrespeitar sua Excelência, o Fato, bem como a inteligência alheia.
A frase demonstra que o presidente falha não apenas em compreender o seu papel institucional. Também não entendeu a dimensão da gravidade da situação e a própria dinâmica de transmissão do vírus: no episódio em questão, como potencial transmissor da doença, não foi ele quem se arriscou a nada, mas quem colocou em risco as pessoas inocentes com as quais interagiu. Diga-se de passagem, admiradores dele.
“É surreal fazer uma crítica a somente uma pessoa”, queixou-se Bolsonaro. Primeiro: passou da hora de ele compreender que, como presidente, deixou de ser uma pessoa qualquer, ou “somente uma pessoa”. Com a faixa presidencial, ele perdeu esse direito de se crer e se comportar como um “brasileiro comum”, mas insiste em não compreender esse fato. Surreal é isso.
Como ele mesmo dissera minutos antes, em outro trecho da mesma entrevista, ele é só o “chefe do Executivo”... Fica parecendo que, quando isso é conveniente para a mensagem que deseja transmitir, o presidente faz questão de frisar sua condição. Quando não lhe convém, “se esquece” desse detalhe. É um grande paradoxo.
Errado. É uma demonstração de irresponsabilidade: a orientação de seu ministro da Saúde àqueles que puderem é justamente a de evitar meios de transporte público lotados. E, sim, a fala é essencialmente o que Bolsonaro diz não ser: um exemplo genuíno de demagogia e populismo na sua forma pura.
Assim, num contorcionismo retórico, Bolsonaro tentou transformar em ato heroico de bravura e lealdade ao povo o que na verdade foi uma atitude desnecessária e inconsequente que só fez colocar em risco a saúde de representantes desse povo que o admiram.
De maneira quase inverossímil dada a gravidade do assunto tratado, Bolsonaro, em atitude personalista, não só transformou parte da entrevista em uma sessão de autoelogios como expressou um descabido desejo de também ser elogiado, além de frustração por não ouvi-los da imprensa ali representada: “Se o time está ganhando, vamos fazer justiça. Vamos elogiar seu técnico, Jair Bolsonaro.”
Na concepção de Bolsonaro, “o nosso time está ganhando de goleada”. Aqui também cumpre destacar a já habitual dessintonia de Bolsonaro com a realidade: que “goleada” exatamente é essa? Que jogo é esse a que só ele parece estar assistindo? Quais os gols que seu time está marcando?
“A realidade vai chegando aos poucos”, proferiu o presidente.
Oxalá chegue logo também para ele.