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Num mundo à parte

Crise do coronavírus prova que Bolsonaro nunca foi líder de nada. Só do caos

Nessa crise sanitária, as características do presidente que têm sido realçadas são precisamente as últimas que alguém espera identificar em um líder de verdade: imaturidade e irresponsabilidade em níveis surreais

Publicado em 17 de Março de 2020 às 16:49

Públicado em 

17 mar 2020 às 16:49
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

O Fantástico Mundo da Fantasia de Jair Bolsonaro Crédito: Amarildo
Não cabe mais a menor dúvida: o Brasil é governado por um incapaz. Os fatos gritam por si, não permitem mais qualquer relativização ou tentativa de tapar o sol com a peneira. O destino da nação está nas mãos de um homem despreparado para comandar uma reunião de seu condomínio na Barra da Tijuca. Desprovido de ferramentas básicas para liderar satisfatoriamente um regimento do Exército, que dirá um país do porte do Brasil, com seus mais de 200 milhões de habitantes. Estou falando aqui de uma incapacidade que se manifesta em múltiplas dimensões: técnica, política, administrativa e, acima de tudo, mental. Incapacidade psicológica e intelectual.
A crise do coronavírus é a evidência final, conclusiva. Acaba com qualquer esperança de que Bolsonaro pudesse rever seu comportamento, sentar de fato na cadeira, começar a governar de verdade e assumir a postura que lhe compete como presidente da República: a de um verdadeiro líder. Para isso é que foi eleito. Mas não há mais máscara asséptica capaz de encobrir a verdade e a verdadeira face do nosso presidente: Bolsonaro, senhoras e senhores, é um caso perdido, incurável. Seu teste, e todas as contraprovas, dão positivo para “inepto”. Mais que uma crise sanitária, estamos diante de uma crise de sanidade, personificada e estimulada pelo próprio chefe do governo e do Estado brasileiro.
Não é caso de internação por conta do Covid-19. Mas talvez seja mesmo caso, como já sugerem alguns juristas, de interdição mental. Ou, como outros já arriscam, de afastamento compulsório e cassação por crime de responsabilidade contra os interesses da pátria que ele, por juramento feito à Constituição, deveria ser o primeiro a proteger.
Mas em vez de “defender a pátria”, como tanto gosta de proclamar com sua retórica nacional-populista, Bolsonaro está fazendo mal ao país. Com sua mentalidade doentia, está nos adoecendo. Estupidez e irresponsabilidade também matam. Da mesma forma, a insanidade política. Podem ser doenças tão graves quanto as diagnosticadas pela medicina, principalmente quando partem daqueles que deveriam dar o exemplo contrário: governantes que, por dever de ofício, precisam se conduzir pelo bom senso, pela temperança, pela autocontenção, pela prudência, pela inteligência e, acima de tudo, pela sabedoria. Virtudes que, assombrosamente, passam longe do nosso presidente.
Na História, momentos extremos enfrentados por nações costumam ser oportunidades ímpares para que determinadas figuras ascendam ou se consolidem como grandes líderes políticos. O exemplo clássico são momentos de guerra entre povos. Neste caso, nossa pacífica nação vive uma guerra peculiar, contra um vírus mortal e muito pouco conhecido, o chamado “inimigo invisível”. Em momentos críticos como esses, que demandam sacrifícios coletivos e mobilização nacional, características individuais de governantes tendem a se realçar, positiva ou negativamente. Nessas horas, líderes naturais aparecem, sobressaem, se destacam. Separam-se os meninos dos homens.
Pois bem, no caso concreto, a situação-limite defrontada pelo Brasil tem servido para acentuar características já conhecidas acerca de Jair Bolsonaro e para sublinhar uma irrefutável constatação: nosso presidente é tudo, menos um verdadeiro líder. E, definitivamente, não é a pessoa mais talhada para liderar e guiar o país em uma situação de calamidade pública.
Bolsonaro na verdade é a antítese do conceito de líder. Aproxima-se de um antilíder nato. Não é, nem nunca foi, líder de nada. Não o foi no Exército. Não o foi na Câmara Federal. Por que haveria de sê-lo agora, no cargo que exige as mais altas qualificações para o exercício da liderança? Por que ele, que nunca mostrou real espírito de liderança, seria subitamente abençoado com virtudes essenciais que sempre lhe faltaram, só porque foi alçado à Presidência?
Na verdade, nessa crise sanitária, as características atávicas de Bolsonaro que têm sido realçadas são precisamente as últimas que alguém espera identificar em um líder nato: infantilidade e irresponsabilidade em níveis boçais.
Verdadeiros líderes guiam as próprias ações e escolhas, e assim ao povo sob sua responsabilidade, pela sensatez, pelo equilíbrio e pelo uso da razão. Mais do que nunca, no momento em que o Brasil adentra a pior crise sanitária que já assolou o país neste século, far-se-ia necessária a presença de um verdadeiro líder no comando das ações em nível nacional. Mais do que nunca, seria reconfortante podermos identificar tais virtudes no sujeito sentado à cabeceira da mesa na sala de tomada de decisões. Mas, no lugar de um verdadeiro líder, temos Jair Bolsonaro. Um presidente cujo comportamento insiste em se guiar exatamente pelas características opostas às que seriam desejáveis e, mais do que nunca, bem-vindas.
No lugar da liderança responsável, Bolsonaro prefere seguir fazendo questão de se guiar pela incoerência e pela inconsequência. No momento em que o país mais precisaria de um líder a quem olhar e confiar como referência segura, Bolsonaro segue dando reiteradas demonstrações de que habita uma fantástica galáxia à parte e que liderar o povo brasileiro para a superação dessa crise terrivelmente real é a última das suas preocupações. No lugar de um ponto de equilíbrio, temos um governante que parece apostar no caos, ou flertar com ele.
Em vez de se preocupar em conscientizar a população com informações corretas e adequadas, em vez de tranquilizar os brasileiros com as mensagens institucionais sensatas que momento tão dramático exige, Bolsonaro segue minimizando a gravidade da pandemia, negando fatos e evidências científicas (as quais sempre prefere desdenhar e desacreditar). Prefere seguir vivendo no seu fantástico mundo de fantasia, absolutamente desconectado da realidade.
Nesse mundo fabuloso de Bolsonaro, não existe doença alguma, só “histeria” e “fantasia da grande mídia”. Mas a pandemia é real, dramaticamente real, e está matando de verdade mundo afora e já aqui. Nesse mundo maravilhoso de Bolsonaro, não têm lugar os brasileiros reais, de carne e osso, vulneráveis ao contágio do vírus. Mas estes já estão sofrendo, no mundo real, com a doença real, e sofrerão ainda mais nas próximas semanas – e mais ainda se o presidente mantiver essa atitude insana, leviana, irracional, de uma irresponsabilidade que chega a ser criminosa diante da presente situação de calamidade pública.
O sofrimento dos brasileiros é real. A liderança de Bolsonaro, não.
O Brasil não merece isso.

ADENDO: "UM PAÍS SE FAZ COM LIVROS E LÍDERES"

Como diria Monteiro Lobato, um país se faz com homens e livros. Parafraseando o mestre, eu diria que se faz com livros e líderes. Os primeiros, Bolsonaro os renega: têm “muita coisa escrita”. Se, numa vida inteira que já passa dos 60 anos, ele leu o do Ustra, foi muito. Quanto aos verdadeiros líderes, infelizmente hoje nos falta um onde mais seria preciso que um houvesse.
Poder não é sinônimo de autoridade. Para a perdição deste país, o poder está nas mãos de Bolsonaro, quanto a isso não há o que discutir. Mas a autoridade não é algo natural, não emana tão somente do cargo. É por meio de suas palavras e ações que um governante conquista e legitima a sua autoridade perante o seu povo.
Bolsonaro deveria refletir sobre o que os livros de História – os quais ele, certamente, ignorará - dirão sobre a sua passagem pela Presidência.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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