Não quer dizer que serão os únicos, mas dois ex-vereadores de Vitória com certeza serão aproveitados na equipe do prefeito Lorenzo Pazolini (possivelmente, ambos no 1º escalão, até pela força dos respectivos partidos): Neuzinha de Oliveira (PSDB) e Sandro Parrini (DEM). Este é considerado pule de dez para o cargo de secretário municipal de Esportes e Lazer, enquanto Neuzinha mantém boas chances de se tornar secretária de Assistência Social.
Embora sejam indicações com perfil mais político e ditadas também pelo critério do apoio partidário a Pazolini, os dois são muito identificados com as respectivas áreas para as quais são cotados.
De 2019 a 2020, Parrini foi o presidente da Comissão de Esporte e Lazer da Câmara de Vitória. Poucos se lembram, mas ele chegou a ser subsecretário de Esportes e Lazer na gestão de João Coser (PT), que governou Vitória de 2005 e 2012 e, curiosamente, foi derrotado no 2º turno por Pazolini na última eleição municipal. Pouca gente sabe, mas o ex-vereador foi jogador de futebol profissional, tendo atuado em tradicionais clubes capixabas, como o Rio Branco.
Sem ter conseguido se reeleger no ano passado, Parrini exerceu seu único mandato completo de vereador na última legislatura, de 2017 a 2020, como um dos representantes da Grande Maruípe. Em agosto de 2018, apoiou a eleição do vereador Cleber Felix, o Clebinho, para a presidência da Câmara de Vitória, e tornou-se o 1º vice-presidente da Mesa Diretora, além de presidente da Comissão de Constituição e Justiça. Após ter ensaiado uma aproximação com a base do então prefeito Luciano Rezende (Cidadania), ingressou em março de 2020 no DEM ao lado de Clebinho, que passou a presidir o partido em Vitória.
Por sinal, durante a campanha e a transição, Clebinho (que tampouco conseguiu se reeleger) era o representante do DEM mais cotado para se tornar secretário. Com a opção de Pazolini por Parrini, a participação do ex-presidente da Câmara no 1º escalão da prefeitura está completamente descartada. Agora sem mandato, ele ainda poderá ser aproveitado em algum escalão inferior, se não vier a ocupar algum cargo comissionado na própria Câmara, agora sob a presidência do vereador Davi Esmael (PSD), de quem Clebinho foi assessor antes de se tornar vereador.
NEUZINHA DE OLIVEIRA
Quanto a Neuzinha, até decidir disputar a eleição a prefeita de Vitória pela primeira vez em 2020, foi vereadora por cinco mandatos consecutivos, desde 2001. Antes de chegar à Câmara, foi líder comunitária e presidente da Associação de Moradores de Consolação, bairro vizinho ao Morro de Gurigica, onde cresceu. Como vereadora, participou de vários conselhos municipais ligados à rede de proteção social (de políticas para idosos, segurança alimentar etc.). No último biênio, presidiu na Casa a Comissão de Direitos Humanos, a de Acessibilidade e a de Defesa e Promoção dos Direitos das Mulheres.
De acordo com seu minicurrículo no site da Câmara de Vitória, “a produção legislativa do mandato de Neuzinha [teve] principal foco na defesa da saúde da mulher, idosos, crianças e pessoas e deficiências”.
Uma segunda alternativa para Neuzinha seria assumir a Secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos, outra que continua vaga na equipe de Pazolini.
Ah, Neuzinha foi convidada para ir ao encontro de Pazolini na prefeitura, na manhã desta segunda-feira (4). Às 9h, haverá reunião com o secretariado. É só ligar os pontos.
A ALA POLÍTICA DA EQUIPE
Ao lado de Alex Mariano, Neuzinha e Parrini devem preencher a ala mais política do secretariado nomeado por Pazolini, que contemplará, assim, os partidos mais importantes que apoiaram a sua candidatura a prefeito em 2020. Em Vitória, quatro partidos estiveram coligados desde o 1º turno com o Republicanos, sigla de Pazolini, na coligação “Vitória Unida é Vitória de Todos!”: o MDB, o DEM, o Partido Trabalhista Cristão (PTC) e o Solidariedade. Mas as duas últimas siglas não serão prestigiadas no 1º escalão, até por serem muito pequenas.
No 2º turno, Pazolini recebeu o apoio de alguns partidos. O primeiro deles foi o PSDB, que confirmou a adesão em 16 de novembro, dia seguinte ao 1º turno. O partido é presidido em Vitória por Neuzinha, que foi candidata a prefeita (ficou em 6º lugar, com 4,61% dos votos válidos), mas, na verdade, por muito pouco não foi candidata a vice-prefeita de Pazolini. Pouco antes do registro das candidaturas, em setembro, ele chegou a convidar a então vereadora, mas o arranjo não evoluiu.
Com o nome chancelado pessoalmente pelo presidente estadual do MDB, Lelo Coimbra, de quem chegou a ser assessor no Ministério da Cidadania em 2019, Alex Mariano será o secretário municipal de Transportes, Trânsito e Infraestrutura Urbana. Ele esteve tão engajado na campanha de Pazolini desde o início que foi um dos doadores, como pessoa física. Aliás, foi o segundo maior doador: sozinho, botou R$ 6 mil na campanha.
No dia 9 de dezembro, Pazolini foi entrevistado no podcast Papo de Colunista, de A Gazeta. Na oportunidade, perguntei-lhe se ele poderia nomear Neuzinha e Clebinho (então mais cotado) para o secretariado. Ele respondeu que poderia fazê-lo.
PARRINI ENTRA EM CAMPO
Tal como Pazolini, Sandro Parrini é formado em Direito pela Faculdade de Direito de Vitória (FDV). A título de curiosidade, chegou a jogar na seleção estadual da OAB-ES, na categoria máster, e o site da entidade informa que, em 2009, ganhou o prêmio de melhor jogador máster no 10º Campeonato Brasileiro de Futebol de Advogado do Conselho Federal.