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Coronavírus

O que pode levar Casagrande a decretar o lockdown na Grande Vitória?

Pergunta dois: o que pode evitar que o governo chegue a tomar essa medida extrema no mês de junho? Veja, na coluna, as respostas para tais questionamentos

Publicado em 27 de Maio de 2021 às 05:00

Públicado em 

27 mai 2021 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Governo Casagrande avalia decretação de lockdown na Grande Vitória em função da disponibilidade de leitos de UTI para tratamento de pacientes com Covid-19
Governo Casagrande avalia decretação de lockdown na Grande Vitória em função da disponibilidade de leitos de UTI para tratamento de pacientes com Covid-19 Crédito: Amarildo
governo Casagrande já trata um lockdown na Grande Vitória como cenário plausível e pode decretar a medida extrema no mês de junho. Tanto é que o governo pretende se reunir, até a próxima sexta-feira (29), com os porta-vozes das federações que representam indústria, comércio, transportes, agricultura e outros setores econômicos no Espírito Santo – como mostramos aqui nesta terça-feira (26).
O que faz com que a hipótese do lockdown se mostre mais plausível a cada dia é um conjunto de evidências que indicam um crescimento muito preocupante do ritmo de contágio pelo novo coronavírus no Espírito Santo, sobretudo na Grande Vitória. É uma reação em cadeia: o crescimento da curva de contágio leva a um aumento proporcional do número de pacientes em estado grave e que demandam internação, o que, por sua vez, provoca um crescimento gradual da demanda por leitos de UTI para tratamento da Covid-19.
Conforme mostrou reportagem de A Gazeta publicada no último domingo (24), com base em dados oficiais da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), a ocupação de leitos de UTI destinados a pacientes com a doença, na Grande Vitória, atingiu 88,58% no final da tarde daquele dia (60 horas antes da publicação desta coluna).
O governo estadual estima que já estamos vivendo o início do pico da primeira onda de contágio no Espírito Santo, compreendido entre as duas últimas semanas de maio e as duas primeiras semanas de junho. Isso significa que, pelo ritmo atual, a demanda de pacientes com Covid-19 por leitos de UTI, que já é grande, será ainda maior em meados de junho, gerando uma pressão muito forte sobre a rede hospitalar em duas ou três semanas.
Se nada mais for feito na outra ponta – isto é, se nos próximos 15 dias a oferta de leitos não for ampliada no mesmo ritmo –, podem anotar: é certo que, em junho, a taxa de ocupação superará a marca crítica de 90% na Grande Vitória.
A partir do momento em que isso ocorrer, o governo terá de 48 a 72 horas para tomar e anunciar as novas medidas de endurecimento do isolamento social, que podem corresponder, repita-se, a um lockdown. Nesse caso, uma indústria, por exemplo, não pode ser avisada de supetão que, em 72 horas, terá que interromper sua produção. Por isso o governo já inicia nesta semana o diálogo com o setor produtivo.

O QUE PODE EVITAR UM LOCKDOWN?

Por outro lado, apesar dos indicadores fortes de crescimento do contágio e da demanda por leitos no Estado, por que a decretação de lockdown ainda não é considerada uma medida certa e inevitável (ainda que seja uma possibilidade crescente)? Por causa do outro termo dessa equação.
Noventa por cento (90%) é uma fração. Significa 9/10, ou 0,9. A conta aqui é uma divisão simples que, como toda operação do tipo, possui três termos: o dividendo (algo...), o divisor (...dividido por algo) e o quociente (resultado da divisão)*.
No caso concreto, temos o número de leitos ocupados por pacientes de Covid-19 no Espírito Santo dividido pelo número de leitos de UTI disponíveis para os pacientes com a doença.
Se eu tenho nove pacientes para cada dez leitos, a conta é 9 dividido por 10, isto é, 9/10, que equivale a 90/100, portanto 90% de ocupação dos leitos.
Mas, se eu aumento o divisor, no caso a disponibilidade de leitos, esse percentual de ocupação diminui; por exemplo, se em vez de 9 pacientes para cada 10 leitos disponíveis (9/10), tenho 9 pacientes para cada 12 leitos (9/12), o resultado (ou quociente) passa a ser 0,75, ou seja, 75% dos leitos ocupados: uma folga no sistema.
Na prática, isso significa que o governo do Estado, hoje, está numa corrida (ou luta) contra o tempo, pois precisa aumentar urgentemente o divisor, no mesmo ritmo em que cresce o dividendo dessa conta; em outras palavras, o governo luta, no momento, por uma ampliação do número de leitos que se dê, no mínimo, na mesma proporção do crescimento do número de pacientes necessitados de internação: a oferta precisa cobrir a demanda.
Assim, enquanto a curva de contágio e de pacientes continuar subindo, o governo precisa expandir o número de leitos na mesma velocidade, para evitar o colapso do sistema e a necessidade de uma medida extrema como o lockdown. É como se houvesse duas linhas concorrentes num gráfico, apostando uma corrida entre si: a linha da demanda por leitos contra a linha da oferta de leitos.
Razoável, portanto, concluir que, se não houver uma elevação substancial da oferta de leitos até o início de junho, é provável, praticamente inevitável, que o governo adote o caminho da decretação do lockdown a fim de refrear o ritmo do contágio e, assim, proporcionar algum alívio ao nosso sistema de saúde.
Tudo depende, essencialmente, do aumento na oferta de leitos nos próximos 15 dias. E é nisso que o governo estadual tem centrado esforços neste momento.

COMO SE AUMENTA A OFERTA DE LEITOS?

A disponibilização de mais leitos de UTI está condicionada a fatores como espaço, infraestrutura de modo geral, mas, fundamentalmente, a um item bem específico: respiradores. Hoje, o Espírito Santo tem um total de 490 leitos disponíveis exclusivamente para pacientes com Covid-19. É suficiente hoje, 27 de maio, mas pouco para suprir o crescimento esperado da demanda já nas próximas semanas. Até o fim de junho, o governo espera gerar de 200 a 250 novos leitos, o que elevará o total para até 740.
Já no curtíssimo prazo, que é o que mais importa no momento, já chegaram e estão sendo calibrados, no hospital Dr. Jayme dos Santos Neves, 60 novos respiradores – primeira leva de um total de 160 adquiridos pelo governo do Estado de uma empresa italiana. Em média, o governo está mantendo 7 respiradores para cada 10 pacientes nas UTIs (nas alas dos pacientes em estado mais grave, é um respirador por pessoa).
Isso significa que esses 60 respiradores recém-chegados poderão acrescentar, aproximadamente, 85 leitos àqueles 490 já existentes, totalizando 575 leitos para pacientes de Covid-19 no Espírito Santo até o fim deste mês.
* Há, em alguns casos, um quarto termo da divisão: o resto. Mas, no conta em questão, não se trabalha com resto, até porque se trata de frações.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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