O presidente estadual do PT, João Coser, declarou apoio à reeleição do governador Ricardo Ferraço (MDB), na manhã de domingo (18). “Eu,
que sempre defendi a democracia, o diálogo e o respeito às diferenças, venho
até você pedir o seu voto para Ricardo Ferraço”.
Hoje deputado estadual e eleito deputado federal no dia 4 de
outubro, Coser deu um passo a mais em relação ao posicionamento oficial do próprio
partido no Espírito Santo. No último dia 9, em nota oficial, o Diretório Estadual do PT limitou-se a orientar seus filiados e apoiadores “a não votarem nos aliados do candidato Flávio Bolsonaro”.
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Por raciocínio lógico, a direção do partido “contraindica” o
voto em Lorenzo Pazolini (Republicanos), já que o ex-prefeito de Vitória apoia Flávio para presidente e tem o apoio dele para governador.
Contudo, até a declaração de Coser, nenhum líder local do PT
pedira voto explicitamente para Ricardo Ferraço. E a manifestação partiu de
ninguém menos que o presidente estadual do partido. Por isso, perguntamos a
Helder Salomão, candidato do PT a governador no primeiro turno, se ele
acompanha a posição de Coser e se declara “apoio crítico” a Ricardo.
A resposta de Helder, desenvolvida na entrevista abaixo, é “vale
o escrito”: no que diz respeito a ele, segue valendo o teor da nota, cujo
sentido ele “desenha”:
É o que está na nossa nota. Então, é não ao Pazolini.
Helder Salomão (PT), deputado federal e coordenador da campanha de Lula no ES
Mas, diferentemente de Coser, Helder não pedirá votos nem
fará campanha por Ricardo. Segundo o ex-prefeito de Cariacica, a manifestação
de Coser é individual.
O deputado federal do PT também revela a meta de votos
válidos perseguida pela campanha de Lula no Espírito Santo, coordenada por ele.
No primeiro turno, no Estado, Flávio Bolsonaro atingiu 54,7% dos votos válidos,
enquanto Lula obteve 37,7%.
Leia a seguir:
Vimos o presidente
estadual do PT, declarar apoio explicitamente ao candidato Ricardo Ferraço. Qual
é o seu posicionamento no segundo turno para governador? Acompanha o de João
Coser? Declara “apoio crítico” a Ricardo?
Helder: Nós já emitimos uma nota em nome do Partido dos Trabalhadores.
O que está valendo para o partido e para a coordenação da campanha, coletivamente,
é o que ficou expressado na nossa nota. Eu, como candidato a governador e
coordenador da campanha do Lula no Estado, não vou expressar uma posição
individual. Vou expressar uma posição que é contra o candidato e os aliados do
candidato a presidente Flávio Bolsonaro. É o que está na nossa nota. Então, é
não ao Pazolini. E a nossa militância tem toda a liberdade, como está naturalmente
fazendo, de fazer uma opção por aquele candidato que foi nosso adversário no
primeiro turno, mas que hoje não representa um alinhamento automático ao
bolsonarismo. De qualquer forma, nós marcharemos com prioridade para a campanha
do Lula. É a nossa prioridade número um. E, com responsabilidade, vamos trabalhar
para derrotar os aliados do bolsonarismo no Espírito Santo.
O senhor avalia que a
militância do partido hoje, na sua grande maioria, apoia Ricardo Ferraço?
Helder: Olha, a pesquisa Quaest que vocês divulgaram na Gazeta já
demonstrou isso. Demonstrou que 68% [na verdade, 63%] dos meus eleitores já
sinalizam voto contra o ex-prefeito de Vitória. Isso é natural, é uma coisa que
o militante está entendendo. Agora, nós não fizemos nenhuma manifestação a
favor do candidato, porque houve um debate entre nós, e o alinhamento do
partido foi o de nos posicionarmos com responsabilidade contra o bolsonarismo
no Estado. E é claro que isso leva muitos militantes a definir o seu apoio.
E quanto à
manifestação do presidente João Coser? Como o senhor avalia, sendo ele o
presidente estadual do partido? Foi uma manifestação individual? Foi dialogada
com o conjunto da Executiva Estadual?
Helder: Não, é uma manifestação dele. Então, você tem que perguntar
para ele, porque a nota do partido foi divulgada, e a nota é muito nítida.
Primeiro, reeleição do Lula. Segundo, a derrota dos bolsonaristas no Espírito
Santo.
O senhor foi pego de
surpresa?
Helder: Não, não fomos pegos de surpresa, mas eu quero dizer que o meu
posicionamento é o posicionamento expresso pelo partido. É isso.
E quanto à disputa
pela Presidência? Em 2022, no segundo turno, Jair Bolsonaro venceu com 58% dos
votos válidos no Espírito contra 42% de Lula. A última pesquisa Quaest para a Rede
Gazeta Santo, publicada no dia 14, traz, em votos válidos, percentuais parecidos
com esses, trocando-se Jair por Flávio. Qual é a meta com que vocês trabalham
no Espírito Santo?
Helder: Aqui nós queremos chegar a, no mínimo, 45%, 46% dos votos
válidos. No mínimo. Vamos crescer de 37,5% para chegar a 45%, 46% dos votos.
O que farão para
isso?
Helder: Atos como esse, giros de trio, visitas a feiras e ao comércio,
caravanas pelo interior. Na próxima quinta-feira, dia 22, vamos visitar dez
municípios do interior. E vamos fazer um grande ato na Praça do Papa no próximo
sábado, dia 24.
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