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Vitor Vogas

O posicionamento de Helder Salomão no segundo turno para governador

Candidato a governador pelo PT no 1º turno, deputado não acompanha manifestação de João Coser em apoio a Ricardo. “É o que está na nossa nota. Então, é não ao Pazolini”, resume. Ele também revela a meta de votação de Lula no ES

Publicado em 19 de Outubro de 2026 às 13:31

Públicado em 

19 out 2026 às 13:31
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Helder Salomão votou na manhã deste domingo (4) em Cariacica
Helder Salomão foi candidato a governador do ES Analu Fagundes

O presidente estadual do PT, João Coser, declarou apoio à reeleição do governador Ricardo Ferraço (MDB), na manhã de domingo (18). “Eu, que sempre defendi a democracia, o diálogo e o respeito às diferenças, venho até você pedir o seu voto para Ricardo Ferraço”.


Hoje deputado estadual e eleito deputado federal no dia 4 de outubro, Coser deu um passo a mais em relação ao posicionamento oficial do próprio partido no Espírito Santo. No último dia 9, em nota oficial, o Diretório Estadual do PT limitou-se a orientar seus filiados e apoiadores “a não votarem nos aliados do candidato Flávio Bolsonaro”.


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Por raciocínio lógico, a direção do partido “contraindica” o voto em Lorenzo Pazolini (Republicanos), já que o ex-prefeito de Vitória apoia Flávio para presidente e tem o apoio dele para governador.


Contudo, até a declaração de Coser, nenhum líder local do PT pedira voto explicitamente para Ricardo Ferraço. E a manifestação partiu de ninguém menos que o presidente estadual do partido. Por isso, perguntamos a Helder Salomão, candidato do PT a governador no primeiro turno, se ele acompanha a posição de Coser e se declara “apoio crítico” a Ricardo.


A resposta de Helder, desenvolvida na entrevista abaixo, é “vale o escrito”: no que diz respeito a ele, segue valendo o teor da nota, cujo sentido ele “desenha”: 

É o que está na nossa nota. Então, é não ao Pazolini.

Helder Salomão (PT), deputado federal e coordenador da campanha de Lula no ES

Mas, diferentemente de Coser, Helder não pedirá votos nem fará campanha por Ricardo. Segundo o ex-prefeito de Cariacica, a manifestação de Coser é individual.

O deputado federal do PT também revela a meta de votos válidos perseguida pela campanha de Lula no Espírito Santo, coordenada por ele. No primeiro turno, no Estado, Flávio Bolsonaro atingiu 54,7% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 37,7%.


Leia a seguir: 


Vimos o presidente estadual do PT, declarar apoio explicitamente ao candidato Ricardo Ferraço. Qual é o seu posicionamento no segundo turno para governador? Acompanha o de João Coser? Declara “apoio crítico” a Ricardo?


Helder: Nós já emitimos uma nota em nome do Partido dos Trabalhadores. O que está valendo para o partido e para a coordenação da campanha, coletivamente, é o que ficou expressado na nossa nota. Eu, como candidato a governador e coordenador da campanha do Lula no Estado, não vou expressar uma posição individual. Vou expressar uma posição que é contra o candidato e os aliados do candidato a presidente Flávio Bolsonaro. É o que está na nossa nota. Então, é não ao Pazolini. E a nossa militância tem toda a liberdade, como está naturalmente fazendo, de fazer uma opção por aquele candidato que foi nosso adversário no primeiro turno, mas que hoje não representa um alinhamento automático ao bolsonarismo. De qualquer forma, nós marcharemos com prioridade para a campanha do Lula. É a nossa prioridade número um. E, com responsabilidade, vamos trabalhar para derrotar os aliados do bolsonarismo no Espírito Santo.


O senhor avalia que a militância do partido hoje, na sua grande maioria, apoia Ricardo Ferraço?

 

Helder: Olha, a pesquisa Quaest que vocês divulgaram na Gazeta já demonstrou isso. Demonstrou que 68% [na verdade, 63%] dos meus eleitores já sinalizam voto contra o ex-prefeito de Vitória. Isso é natural, é uma coisa que o militante está entendendo. Agora, nós não fizemos nenhuma manifestação a favor do candidato, porque houve um debate entre nós, e o alinhamento do partido foi o de nos posicionarmos com responsabilidade contra o bolsonarismo no Estado. E é claro que isso leva muitos militantes a definir o seu apoio.


E quanto à manifestação do presidente João Coser? Como o senhor avalia, sendo ele o presidente estadual do partido? Foi uma manifestação individual? Foi dialogada com o conjunto da Executiva Estadual?


Helder: Não, é uma manifestação dele. Então, você tem que perguntar para ele, porque a nota do partido foi divulgada, e a nota é muito nítida. Primeiro, reeleição do Lula. Segundo, a derrota dos bolsonaristas no Espírito Santo.


O senhor foi pego de surpresa?


Helder: Não, não fomos pegos de surpresa, mas eu quero dizer que o meu posicionamento é o posicionamento expresso pelo partido. É isso.


E quanto à disputa pela Presidência? Em 2022, no segundo turno, Jair Bolsonaro venceu com 58% dos votos válidos no Espírito contra 42% de Lula. A última pesquisa Quaest para a Rede Gazeta Santo, publicada no dia 14, traz, em votos válidos, percentuais parecidos com esses, trocando-se Jair por Flávio. Qual é a meta com que vocês trabalham no Espírito Santo?


Helder: Aqui nós queremos chegar a, no mínimo, 45%, 46% dos votos válidos. No mínimo. Vamos crescer de 37,5% para chegar a 45%, 46% dos votos.


O que farão para isso?


Helder: Atos como esse, giros de trio, visitas a feiras e ao comércio, caravanas pelo interior. Na próxima quinta-feira, dia 22, vamos visitar dez municípios do interior. E vamos fazer um grande ato na Praça do Papa no próximo sábado, dia 24.

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Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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