A dez dias do segundo turno, o governador Ricardo Ferraço
(MDB) anunciou que pretende criar uma secretaria estadual caso seja reeleito: a
Secretaria de Estado da Juventude. O anúncio foi feito por Ricardo diante de
apoiadores na quinta-feira (15), em seu comitê de campanha.
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O governador está em plena campanha pela reeleição, após ter
chegado atrás do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) no primeiro
turno. No dia 4 de outubro, Pazolini registrou 49,65% dos votos válidos, contra
34,06% de Ricardo.
Na primeira pesquisa Quaest para a Rede Gazeta no segundo
turno, divulgada na última quarta-feira (14), Pazolini registrou 47% das intenções
estimuladas de voto; Ricardo, 38%.
A ideia de criação de uma Secretaria da Juventude não consta
no plano de governo de Ricardo apresentado ao TSE. Foi introduzida pela
campanha agora, no segundo turno. O plano do atual governador contém várias
propostas e programas voltados para o público juvenil, mas não a criação de uma
secretaria específica.
O programa de governo fala em “desenvolver políticas
específicas para juventudes”. Tem inclusive um eixo intitulado “Juventudes:
inclusão e projeto de vida”. Promete ampliar a rede de Centros de Referência da
Juventude (CRJs) para outros territórios vulneráveis – hoje há 14, espalhados
por 10 municípios – e transformá-los em “política permanente de Estado”. Também
propõe a implementação do Programa Meu Projeto de Vida. Mas não menciona a
implantação de uma Secretaria da Juventude, ideia agora lançada por Ricardo.
No segundo turno, o emedebista de fato tem assumido compromissos
que não constavam em sua plataforma no primeiro turno (ao menos não com a mesma
ênfase).
Podemos citar, por exemplo, os acenos fortes ao magistério,
prometendo ampliar o tempo de planejamento para os professores da rede estadual
de ensino e, principalmente, sua remuneração: prometeu que, se reeleito,
colocará o salário médio dos educadores da rede estadual entre os três maiores
do país. “É meu compromisso.”
O governador também acaba de anunciar a renovação do
contrato de 4 mil professores em designação temporária (os DTs).
A Secretaria de Estado da Educação (Sedu) tem, atualmente, quase 20 mil educadores na ativa, entre servidores efetivos e DTs. Estes são a grande maioria, correspondendo a quase 70% da categoria.
Ricardo também já anunciou uma proposta de cashback de combustível a taxistas, entregadores e motoristas de aplicativo. A ideia é que o Governo do Estado devolva a essas categorias o ICMS
recolhido no abastecimento dos veículos usados em serviço.
Entrei em contato com a assessoria de imprensa do candidato em busca de mais detalhes sobre a Secretaria da Juventude: custos, finalidade, atribuições, programas sob seu guarda-chuva. Até o momento desta publicação, não houve resposta.
Desnacionalização
Algumas mudanças importantes na estratégia e no discurso têm
sido observadas na campanha de Ricardo do primeiro para o segundo turno. A
primeira é uma tentativa ainda mais forte de “desnacionalizar” a eleição para
governador. Ricardo tem repetido que, no primeiro turno, muita gente votou para
governador querendo resolver os problemas do STF e não os do Estado. “Quem vai
resolver o STF é o Senado.”
O protagonismo da
primeira-dama
Outro ponto a destacar é a participação na campanha, com bem
maior destaque, da primeira-dama, Vivian Coser. Emblematicamente, no primeiro
programa de rádio e TV de Ricardo, na reestreia do horário eleitoral, a maior
parte do tempo foi ocupada pela esposa do governador. Ele entrou em cena
sozinho e falou um texto por cerca de dois minutos. Os outros três foram
dedicados a um depoimento de Dona Vivian sobre o marido, destacando suas
qualidades.
Na última terça-feira (13), após a entrevista realizada com
Ricardo por A Gazeta e CBN Vitória – no lugar do debate programado, mas não
concretizado devido à ausência de Pazolini –, perguntei ao governador sobre “certo
protagonismo” conferido à primeira-dama. Ele me corrigiu: “‘Certo protagonismo’,
não. Ela tem protagonismo”.
Do ponto de vista estratégico, é uma maneira de Ricardo
levar o debate para a pauta da família, dos valores familiares e do respeito
(ou desrespeito) às mulheres, ponto que ele também tem buscado explorar, no
segundo turno, como parte da estratégia de desconstrução do oponente.
Mudança: “mudou”, “vai
mudar mais”
Outra mudança, com o perdão da redundância, é a tentativa de
se apropriar do discurso da mudança, naturalmente usado por Pazolini e típico de
candidatos de oposição. No caso de Pazolini, logicamente, a mudança é unívoca.
Só se projeta para o futuro, pois só pode se projetar para o futuro: “vamos
mudar” (com a mudança de governo).
Já o novo discurso de Ricardo, por ser ele o atual
incumbente, trabalha o conceito de mudança duplamente, apontando ao mesmo tempo
para duas direções: passado e futuro, para trás e para a frente. Ricardo diz “já
mudou” (durante o atual governo, citando as áreas e os dados) e ajunta “vai
mudar ainda mais” (com a minha permanência no governo).
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