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Vitor Vogas

Ideologia invade de vez o segundo turno para governador do ES

Publicada na quarta-feira (14), a nova pesquisa Quaest para a Rede Gazeta indica uma profunda influência da “identificação política” dos entrevistados na tendência de definição de voto entre Ricardo e Pazolini

Publicado em 15 de Outubro de 2026 às 18:23

Públicado em 

15 out 2026 às 18:23
Vitor Vogas

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Vitor Vogas Vitor Vogas
Lorenzo Pazolini e Ricardo Ferraço em debate pelo primeiro turno na TV Gazeta
Lorenzo Pazolini e Ricardo Ferraço em debate pelo primeiro turno na TV Gazeta Reprodução/TV Gazeta

A mais nova pesquisa da Quaest para a Rede Gazeta deixa muito evidente que o fator ideológico baixou de vez na eleição estadual. Publicada na quarta-feira (14), a sondagem indica uma profunda influência da “identificação política” dos entrevistados na tendência de definição de voto para governador do Espírito Santo, no segundo turno. A correlação fica evidente no cruzamento das intenções estimuladas de voto com a maneira como os entrevistados se definem do ponto de vista político.


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A Quaest ouviu 1.098 eleitores entre os dias 10 e 13 de outubro. A margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. No resultado geral, Pazolini lidera a segunda volta da corrida com 47% das intenções estimuladas, contra 38% do atual governador.


No quesito “identificação política”, o instituto dividiu os respondentes em cinco categorias: lulistas, esquerda não lulista, independentes, direita não bolsonarista e bolsonaristas.


No campo bolsonarista e na direita bolsonarista, o resultado é uma goleada a favor Pazolini. No primeiro grupo, o ex-prefeito de Vitória ganha por 75% a 17%. No segundo, vence por 71% a 22%.


Entre os independentes, o que se destaca é o equilíbrio: 39% para Ricardo contra 36% para Pazolini. Empate técnico.


Já na esquerda não lulista, a goleada é a favor de Ricardo: 70% a 17%.


Entre lulistas, uma constatação fundamental: Ricardo até ganha com folga (59% a 24%), mas sua vantagem nesse segmento poderia (ou deveria) ser maior, considerando que Pazolini é o candidato de Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula e representante do antipetismo no segundo turno presidencial. Isso prova algo que já constatamos:


Por incrível que pareça, existe, sim, o voto Pazula (ou Lulapazola). Podemos citar como exemplo moradores da periferia de Vitória beneficiados por programas do governo Lula e também da prefeitura municipal. Para Ricardo manter a expectativa de virar para cima de Pazolini, ele precisa, antes de tudo, virar esses votos de lulistas que estão indo para seu oponente bolsonarista.


Para ter chances de virada, Ricardo precisa crescer também entre independentes (19% dos entrevistados), menos permeáveis ao bolsonarismo; e, na medida do possível, dentro da direita não bolsonarista (o maior grupo, perfazendo 27% dos entrevistados).


Não por acaso, ele tem feito acenos a esses setores, apresentando-se agora como um político de centro-direita e do campo democrático. 

Voto Lulapazola: o “vazamento” de votos de Helder para Pazolini

Outro sintoma desse “vazamento” de votos do PT para Pazolini: no primeiro turno, Helder Salomão obteve mais de 300 mil votos (o equivalente a 15,32% dos votos válidos). Até pelo “voto útil” antibolsonarista, seria de esperar que a maioria desses votos migrasse para Ricardo.


De fato, a maior parte migrou: 63% dos eleitores de Helder agora declaram a intenção de votar em Ricardo. Mas essa migração está longe de ser absoluta: 18% estão indo para Pazolini. E isso sem contar os que agora não querem nem votar... Para ter alguma chance de virada, Ricardo precisa conquistar maciçamente esse eleitorado salomônico do primeiro turno.

A sobreposição da definição de voto para presidente

Querem mais uma evidência de como o fator ideológico está influindo na tomada de decisão? Segundo a Quaest, entre os eleitores que declaram voto em Flávio, 72% dizem que votarão em Pazolini, contra 22% de Ricardo. Um massacre.


Entre os que votarão em Lula, 64% tencionam votar em Ricardo, contra 21% que votarão em Pazolini. Também é um massacre, porém menor.


De novo: Ricardo precisa capturar eleitores de Lula que estão indo com Pazolini, enquanto se esforça para reduzir, na medida do possível, a distância do ex-prefeito sobre ele entre eleitores de Flávio. Entre os menos radicalizados do filho de Bolsonaro, talvez seja possível virar alguns votos, convencendo-os a comparar perfis e projetos e desvincular a escolha para presidente da eleição para governador. É o que Ricardo tem tentado.

Avaliação de governo também condicionada ao viés ideológico

Por último, também a avaliação do governo de Ricardo Ferraço prova o quanto as respostas dos entrevistados estão condicionadas a preferências políticas e ideológicas. No geral, Ricardo está bem avaliado: 57% consideram que ele faz um bom governo, enquanto só 18% o desaprovam. Contudo, quanto mais bolsonarista é o eleitor, pior é a sua avaliação.


E mais: desde a última pesquisa da série da Quaest, realizada no fim de setembro, a aprovação de Ricardo cresceu entre independentes (+ 6 pontos), mais ainda na esquerda não lulista (+ 8 pontos) e significativamente entre lulistas (+ 18 pontos).


Em contrapartida, a aprovação do sucessor de Casagrande ficou na mesma entre eleitores da direita não bolsonarista (- 1 ponto), mas caiu muito entre bolsonaristas (- 9 pontos). Ao mesmo tempo, nesse último grupo, a desaprovação de Ricardo cresceu incríveis 14 pontos em pouco mais de 15 dias, desde o fim do primeiro turno.


Entre lulistas, Ricardo atinge 80% de aprovação, ante só 10% de reprovação (saldo positivo de 70 pontos); entre bolsonaristas, tem 41% de aprovação, contra 34% de reprovação (saldo positivo de apenas 7 pontos). 

Observem a curva:


Entre lulistas: saldo positivo de 70 p.p.


Esquerda não lulista: saldo positivo de 65 p.p.


Independentes: saldo positivo de 44 p.p.


Direita não bolsonarista: saldo positivo de 25 p.p.


Bolsonaristas: saldo positivo de 7 p.p.   

Cruzamento dos dados por sexo, religião etc.

Ricardo atinge seus melhores resultados (em empate técnico) com Pazolini entre mulheres: 44% a 39% a favor do ex-prefeito. Entre homens, Pazolini ganha bem, por 52% a 36%.


O governador também alcança seus melhores índices (em empate técnico com Pazolini) entre eleitores de mais baixa renda, que ganham até dois salários mínimos (42% a 40% a favor de Ricardo), e entre os que têm ensino superior (44% a 43% a favor de Ricardo).


Entre católicos, Pazolini vence por 47% a 38% (espelho do resultado geral). Mas, entre evangélicos, o ex-prefeito ganha bem: 50% a 32%. Efeito do bolsonarismo. 

Pazolini foi escolhido em cima da hora por muita gente

Um dado da Quaest explica o crescimento de Pazolini na última semana do primeiro turno. 


Entre seus eleitores, 32% dizem ter decidido votar nele nos derradeiros dias da primeira fase da disputa: 17% na última semana, 3% entre sexta e sábado e 12% no dia da eleição.

Só 39% dos eleitores de Pazolini decidiram votar nele antes de a campanha começar.


No caso de Ricardo, deu-se o contrário: 52% dos seus eleitores decidiram votar nele antes do início da campanha. Só 7% o fizeram no dia da votação. 

Nenhum dos dois é tão conhecido... 

Por fim, um dado curioso revela que, a bem da verdade, nenhum dos dois pode ser considerado muito conhecido.


Na soma de “conhece muito” e “conhece pouco”, Ricardo só alcança 55%. Pazolini, 54%

Só 21% dos entrevistados dizem “conhecer muito” o candidato que quase venceu a eleição para governador no 1º turno.


Mesmo entre bolsonaristas, só 27% dizem “conhecê-lo muito”.

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Vitor Vogas

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Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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