A mais nova pesquisa da Quaest para a Rede Gazeta deixa
muito evidente que o fator ideológico baixou de vez na eleição estadual.
Publicada na quarta-feira (14), a sondagem indica uma profunda influência da
“identificação política” dos entrevistados na tendência de definição de voto
para governador do Espírito Santo, no segundo turno. A correlação fica evidente
no cruzamento das intenções estimuladas de voto com a maneira como os
entrevistados se definem do ponto de vista político.
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A Quaest ouviu 1.098 eleitores entre os dias 10 e 13 de
outubro. A margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais para mais ou
para menos. No resultado geral, Pazolini lidera a segunda volta da corrida com
47% das intenções estimuladas, contra 38% do atual governador.
No quesito “identificação política”, o instituto dividiu os
respondentes em cinco categorias: lulistas, esquerda não lulista, independentes,
direita não bolsonarista e bolsonaristas.
No campo bolsonarista e na direita bolsonarista, o resultado
é uma goleada a favor Pazolini. No primeiro grupo, o ex-prefeito de Vitória
ganha por 75% a 17%. No segundo, vence por 71% a 22%.
Entre os independentes, o que se destaca é o equilíbrio: 39%
para Ricardo contra 36% para Pazolini. Empate técnico.
Já na esquerda não lulista, a goleada é a favor de Ricardo:
70% a 17%.
Entre lulistas, uma constatação fundamental: Ricardo até
ganha com folga (59% a 24%), mas sua vantagem nesse segmento poderia (ou
deveria) ser maior, considerando que Pazolini é o candidato de Flávio Bolsonaro
(PL), adversário de Lula e representante do antipetismo no segundo turno
presidencial. Isso prova algo que já constatamos:
Por incrível que pareça, existe, sim, o voto Pazula (ou
Lulapazola). Podemos citar como exemplo moradores da periferia de Vitória
beneficiados por programas do governo Lula e também da prefeitura municipal.
Para Ricardo manter a expectativa de virar para cima de Pazolini, ele precisa,
antes de tudo, virar esses votos de lulistas que estão indo para seu oponente
bolsonarista.
Para ter chances de virada, Ricardo precisa crescer também entre independentes (19% dos entrevistados), menos permeáveis ao bolsonarismo; e, na medida do possível, dentro da direita não bolsonarista (o maior grupo, perfazendo 27% dos entrevistados).
Não por acaso, ele tem feito acenos a esses setores, apresentando-se agora como um político de centro-direita e do campo democrático.
Voto Lulapazola: o
“vazamento” de votos de Helder para Pazolini
Outro sintoma desse “vazamento” de votos do PT para
Pazolini: no primeiro turno, Helder Salomão obteve mais de 300 mil votos (o
equivalente a 15,32% dos votos válidos). Até pelo “voto útil” antibolsonarista,
seria de esperar que a maioria desses votos migrasse para Ricardo.
De fato, a maior parte migrou: 63% dos eleitores de Helder
agora declaram a intenção de votar em Ricardo. Mas essa migração está longe de
ser absoluta: 18% estão indo para Pazolini. E isso sem contar os que agora não
querem nem votar... Para ter alguma chance de virada, Ricardo precisa
conquistar maciçamente esse eleitorado salomônico do primeiro turno.
A sobreposição da
definição de voto para presidente
Querem mais uma evidência de como o fator ideológico está
influindo na tomada de decisão? Segundo a Quaest, entre os eleitores que
declaram voto em Flávio, 72% dizem que votarão em Pazolini, contra 22% de
Ricardo. Um massacre.
Entre os que votarão em Lula, 64% tencionam votar em
Ricardo, contra 21% que votarão em Pazolini. Também é um massacre, porém menor.
De novo: Ricardo precisa capturar eleitores de Lula que
estão indo com Pazolini, enquanto se esforça para reduzir, na medida do
possível, a distância do ex-prefeito sobre ele entre eleitores de Flávio. Entre
os menos radicalizados do filho de Bolsonaro, talvez seja possível virar alguns
votos, convencendo-os a comparar perfis e projetos e desvincular a escolha para
presidente da eleição para governador. É o que Ricardo tem tentado.
Avaliação de governo
também condicionada ao viés ideológico
Por último, também a avaliação do governo de Ricardo Ferraço
prova o quanto as respostas dos entrevistados estão condicionadas a
preferências políticas e ideológicas. No geral, Ricardo está bem avaliado: 57%
consideram que ele faz um bom governo, enquanto só 18% o desaprovam. Contudo,
quanto mais bolsonarista é o eleitor, pior é a sua avaliação.
E mais: desde a última pesquisa da série da Quaest,
realizada no fim de setembro, a aprovação de Ricardo cresceu entre
independentes (+ 6 pontos), mais ainda na esquerda não lulista (+ 8 pontos) e significativamente
entre lulistas (+ 18 pontos).
Em contrapartida, a aprovação do sucessor de Casagrande
ficou na mesma entre eleitores da direita não bolsonarista (- 1 ponto), mas
caiu muito entre bolsonaristas (- 9 pontos). Ao mesmo tempo, nesse último
grupo, a desaprovação de Ricardo cresceu incríveis 14 pontos em pouco mais de
15 dias, desde o fim do primeiro turno.
Entre lulistas, Ricardo atinge 80% de aprovação, ante só 10% de reprovação (saldo positivo de 70 pontos); entre bolsonaristas, tem 41% de aprovação, contra 34% de reprovação (saldo positivo de apenas 7 pontos).
Observem a curva:
Entre lulistas:
saldo positivo de 70 p.p.
Esquerda não lulista:
saldo positivo de 65 p.p.
Independentes:
saldo positivo de 44 p.p.
Direita não
bolsonarista: saldo positivo de 25 p.p.
Bolsonaristas:
saldo positivo de 7 p.p.
Ricardo atinge seus melhores resultados (em empate técnico)
com Pazolini entre mulheres: 44% a 39% a favor do ex-prefeito. Entre homens,
Pazolini ganha bem, por 52% a 36%.
O governador também alcança seus melhores índices (em empate
técnico com Pazolini) entre eleitores de mais baixa renda, que ganham até dois
salários mínimos (42% a 40% a favor de Ricardo), e entre os que têm ensino
superior (44% a 43% a favor de Ricardo).
Entre católicos, Pazolini vence por 47% a 38% (espelho do
resultado geral). Mas, entre evangélicos, o ex-prefeito ganha bem: 50% a 32%.
Efeito do bolsonarismo.
Pazolini foi escolhido
em cima da hora por muita gente
Um dado da Quaest explica o crescimento de Pazolini na última semana do primeiro turno.
Entre seus eleitores, 32% dizem ter decidido
votar nele nos derradeiros dias da primeira fase da disputa: 17% na última
semana, 3% entre sexta e sábado e 12% no dia da eleição.
Só 39% dos eleitores de Pazolini decidiram votar nele antes
de a campanha começar.
No caso de Ricardo, deu-se o contrário: 52% dos seus
eleitores decidiram votar nele antes do início da campanha. Só 7% o fizeram no
dia da votação.
Nenhum dos dois é tão
conhecido...
Por fim, um dado curioso revela que, a bem da verdade, nenhum
dos dois pode ser considerado muito conhecido.
Na soma de “conhece muito” e “conhece pouco”, Ricardo só
alcança 55%. Pazolini, 54%
Só 21% dos entrevistados dizem “conhecer muito” o candidato
que quase venceu a eleição para governador no 1º turno.
Mesmo entre bolsonaristas, só 27% dizem “conhecê-lo muito”.
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