O Espírito Santo registrou cinco mortes por afogamento durante o feriado prolongado de 12 de outubro, quatro delas em cachoeiras, rios ou represas, segundo o painel do Observatório Estadual de Segurança Pública. Os casos reforçam o alerta para riscos nesses locais, procurados para lazer principalmente nos dias de calor.
De janeiro a setembro deste ano, foram registradas 104 mortes por afogamento no Estado. Rios e córregos concentraram 34 vítimas. No mesmo período, houve três mortes em cachoeiras.
Entre as vítimas do feriado estão dois amigos que morreram em uma cachoeira de Conceição do Castelo, na Região Sul do Estado. Paulo Henrique, de 25 anos, e Manoel Estevão, de 27, se afogaram depois que um deles começou a afundar e o outro tentou ajudá-lo, segundo testemunhas. Os corpos foram encontrados pelos bombeiros em uma área profunda, abaixo da queda-d'água.
Em entrevista à repórter Mariana Couto, da TV Gazeta, o sargento Meneguite, do Corpo de Bombeiros, orientou que a tentativa de ajuda seja feita sem contato direto com a pessoa em dificuldade.
“O resgate decorre de uma situação específica. A melhor forma é apresentar algum objeto à pessoa para tentar tirá-la da água, sem ter um contato direto com ela”, explicou.
No domingo (11), um homem morreu em Pedro Canário, no Norte do Estado, após saltar em um bolsão de água na base de uma cachoeira. Segundo relatos de testemunhas à Polícia Militar, ele ficou retido pela forte correnteza e submergiu.
No mesmo dia, em Vila Velha, um homem de 57 anos foi encontrado morto na Praia de Itaparica. Já na segunda-feira (12), um jovem de 20 anos morreu afogado em uma cachoeirade Guarapari.
Além da profundidade e da força da correnteza, mudanças repentinas nas condições da água representam riscos aos banhistas. Uma cachoeira aparentemente tranquila pode se tornar perigosa em pouco tempo, mesmo sem chuva no local.
Segundo o sargento Meneguite, chuvas anteriores ou em outros pontos do curso-d'água podem aumentar a vazão e alterar as condições de banho. "Por conta da chuva no dia anterior ou mesmo no próprio dia, pode ter uma vazão de água na cabeceira de uma cachoeira que deságua numa lagoa e faz com que encha aquele local, tornando-o diferente daquele do dia anterior”, explicou.
O bombeiro também alertou para elevações repentinas do volume e da força da água. Uma mudança na coloração, que pode ficar mais turva, é um sinal de atenção, mas não permite, isoladamente, identificar o fenômeno com segurança.
O Corpo de Bombeiros orienta que os banhistas redobrem os cuidados em rios e cachoeiras, onde nem sempre há guarda-vidas. Entre as recomendações estão:
- Respeitar a sinalização;
- Evitar áreas desconhecidas e saltos sem conhecer as condições do local;
- Observar a possibilidade de buracos, mudanças bruscas de profundidade e obstáculos submersos;
- Sair da água ao perceber alterações na correnteza ou no volume de água.
Em caso de emergência, a orientação é acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193. Tentativas de resgate por pessoas sem treinamento podem colocar outras vidas em risco.