Os senadores Magno Malta
(PL) e Marcos do Val (Avante) nunca foram exatamente próximos, mesmo dentro
da direita bolsonarista. Já viveram entreveros em passado não muito distante e ruídos recentes, quando Do Val declarou que poderia ser candidato a governador com o apoio do PL, o que Magno prontamente desmentiu. Esta campanha, porém, os tem aproximado, assim como
o convulsivo cenário político nacional.
Na tarde de segunda-feira
(7), deixando as diferenças de lado, os dois dividiram o trio elétrico na
manifestação organizada por movimentos bolsonaristas, com travessia da Terceira
Ponte e chegada na Praça do Papa. Ambos se mostraram unidos em torno dos motes “Fora,
Lula”, “Fora, Moraes” e “contra os abusos do STF”.
Protagonista do ato,
Magno dedicou palavras amigáveis a Do Val e exortou o público presente a só
votar em candidatos de direita para o Senado:
“O senador Marcos do Val
é candidato, [Leonardo] Monjardim é candidato. Ora, tome uma decisão! Ou vocês
estão brincando? Se a gente não fizer 40 senadores, o Brasil acabou! E não dá
pra fazer senador bunda-mole, não! É pra fazer pitbull que morde! Pitbull
que morde! Tem senador de direita pedindo votos pra candidato de esquerda! Pelo
amor de Deus!”
Alguns militantes, incluindo um
assessor parlamentar de Do Val, empolgaram-se um pouco. Viram na fala de Magno
uma declaração de apoio à reeleição do senador do Avante e assim a divulgaram pelo
Whatsapp. Foi mais um ruído comunicativo. Essa interpretação foi desmentida
pela assessoria do próprio Magno:
“Isso não caracteriza uma
declaração de apoio. Naquele momento, o senador apenas foi cordial e respeitoso
com Marcos do Val, que estava no trio, e mencionou, de forma geral, outros
nomes da direita que disputam o Senado. Em nenhum momento o senador declarou
apoio, pediu voto ou sequer mencionou número do candidato.”
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O que houve, de fato, foi
uma sonora manifestação de solidariedade de Magno a Do Val:
“Ali tá o senador Do Val,
que sofreu tornozeleira... E Davi Alcolumbre, que tá envolvido em toda essa m****,
socorreu pra devolver o salário dele, depois que eu fiz um discurso na cara de
Alcolumbre, por causa das covardias, violações da Constituição contra o senador
Marcos do Val”, disse o presidente estadual do PL, em referência a medidas
cautelares e decisões contrárias a Do Val impostas por Alexandre de Moraes (e
já suspensas), como o bloqueio de contas e do salário pago pelo Senado.
No entanto, sob anonimato,
até outro dirigente estadual do PL admitiu que muitos dos presentes entenderam
que, implicitamente, Magno teria mesmo manifestado apoio a Do Val:
“Magno fez elogios ao Do
Val e falou da perseguição sobre ele de forma amistosa e bem amigável. Não
houve declaração explícita de apoio, porém ficou compreendido entre o povo que
sim”.
Procurada pela coluna, a assessoria de imprensa de Marcos do Val declarou que vale o esclarecimento dado pelo próprio Magno Malta e que manifestações para além disso, dando conta de um suposto apoio, partiram da militância e não são corroboradas pelo senador do Avante.
“Não podemos inferir o intuito do senador Magno Malta ao proferir o discurso registrado pelo vídeo. A interpretação dada pelo público presente, que está circulando nos grupos de mensagens e redes sociais, fundamentou-se no que viram e ouviram. Só o próprio senador pode orientar a real interpretação de suas palavras.”
Durante a manifestação, Magno fez duas declarações explícitas de apoio nas eleições majoritárias, reiterando o que todos já sabem: para o Senado, sua filha, Maguinha Malta (PL), postada no trio elétrico entre ele e Do Val; para o Governo do Estado, Lorenzo Pazolini (Republicanos), que não participou do ato convocado por bolsonaristas, mas esteve mais cedo no desfile cívico do 7 de Setembro, no Centro de Vitória.
“O nosso candidato a governador é Pazolini”, reafirmou publicamente Magno, sendo aplaudido de perto por Do Val.
Os dois senadores entoaram juntos o slogan “Deus, pátria, família e liberdade”.
Noves fora, ficou entendido por todos que Magno prefere mil vezes a reeleição de Do Val à chegada (ou retorno) ao Senado de qualquer candidato que não seja de direita.
A não participação de Pazolini
A não ida de Pazolini é mais
um sinal da estratégia do ex-prefeito de Vitória de abraçar Flávio Bolsonaro
(PL), mas não abraçar por completo o bolsonarismo mais radical. Ele tem feito
uma série de acenos para eleitores de centro, mais moderados, apresentando-se
como centro-direita, mas sem soltar a mão da extrema-direita.
Quem também participou da
manifestação contra Alexandre de Moraes foi Evair de Melo (Republicanos), que é
o segundo candidato da coligação do Republicanos com o PL, liderada por Pazolini.
A outra é Maguinha Malta.
Assim como Erick Musso,
presidente estadual do Republicanos e candidato a deputado federal, Evair atravessou
a Terceira Ponte até a Praça do Papa. Durante a travessia, interagiu e fez foto
com Magno. Também dividiu um segundo trio elétrico com Do Val, fazendo e
publicando fotos com o senador (que levou uma bandeira da Swat).
Com adesivo de Maguinha, Evair não discursou
No peito do agasalho amarelo, Evair estampou adesivos dele mesmo e de Maguinha. Na Praça
do Papa, ele e Erick chegaram a subir ao trio elétrico principal, comandado por
Magno. Mas não chegaram a discursar.
“Erick e eu subimos, e
Magno me franqueou a palavra, mas abrimos mão de falar pelo atraso. E fomos
citados o tempo todo”, disse Evair à coluna.
Sem adesivo de Evair, Maguinha discursou
Não passou despercebido
que, diferentemente de Evair, em sua camiseta azul da Seleção, Maguinha só usou
o adesivo dela mesma – não “retribuindo a deferência”, por assim dizer.
E Magno não fez
declaração de apoio a Evair.
No período das convenções,
tanto Maguinha como Evair disseram que pediriam votos um para o outro.
Clamor por Mendonça
O ato foi convocado por
Magno em suas redes sociais. Chamando os manifestantes de “Povo da Ponte”, Magno
exaltou o ministro André Mendonça em um post.
Para o senador, o relator dos casos Master e das fraudes no INSS está “enfrentando
com temor a Deus as arbitrariedades de Alexandre de Moraes”.
“Convoco todo o povo de
fé a erguer um forte clamor em oração pela vida e pela proteção do nosso
ministro. Ele é a nossa voz e o nosso escudo naquela Corte”, publicou o
presidente estadual do PL.
Pitbulls sem coleira
“O Brasil vai eleger um
Senado de coragem, povoado por pitbulls
sem coleira, prontos para aprovar o impeachment de Alexandre de Moraes e
restaurar a ordem no país”, escreveu Magno.
Do alto do trio elétrico
na concentração, falando em “ato suprapartidário”, o pai de Maguinha defendeu
literalmente “que o lugar de Moraes é na cadeia”. Isso em plena oração coletiva
por André Mendonça, a qual ele realmente “puxou”. Disse ainda que “Mendonça
está sozinho num ninho de abutres”.
Coadjuvantes
Entre outros políticos
capixabas ferreamente bolsonaristas, estiveram na manifestação a candidata a
vice-governadora de Pazolini, Eliane Leal (PL); candidatos do PL a deputado
estadual como o vereador de Vitória Dárcio Bracarense, o vereador de Vila Velha
Pastor Fabiano e a Enfermeira Laryssa; candidatos do Republicanos a estadual,
como Alcântaro Filho; e candidatos do PL a deputado federal, como o Cabo
Bonadiman, cujo slogan de campanha é “Aqui
é cacete!”.
Também participaram o
cabo Diego Cassotto (PL), primeiro suplente de Maguinha, o ex-deputado federal
Carlos Manato, candidato ao mesmo cargo pelo Republicanos, e o ex-prefeito de
Vila Velha Neucimar Fraga, candidato a federal pelo PL.
Como Magno enfrenta
dificuldades para caminhar, em decorrência de algumas cirurgias realizadas nos
últimos anos, ele atravessou a Terceira Ponte de carona, no porta-malas de um
automóvel, ao lado do aliado Neucimar.
Atualização
Após a publicação deste texto, foi acrescentada a nota oficial da assessoria de imprensa do senador Marcos do Val, posicionando-se no sentido de que vale o esclarecimento fornecido pelo próprio Magno Malta e que manifestações que extrapolem isso, acerca de um suposto apoio eleitoral, partiram da militância e não são avalizadas pelo senador do Avante.
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