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Vitor Vogas

Aqui Ricardo e Pazolini são “iguais”: as falas idênticas dos adversários nas urnas

Não, não é IA! Nem é o caso de se falar de “plágio”. Simplesmente, por estratégia retórica, os discursos eleitorais dos dois rivais estão se assemelhando muito em alguns pontos, como evidenciaram as respectivas sabatinas para A Gazeta e CBN Vitória

Publicado em 05 de Setembro de 2026 às 05:00

Públicado em 

05 set 2026 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Ricardo Ferraço e Lorenzo Pazolini Fotos: Carlos Alberto Silva

A série de sabatinas de A Gazeta e CBN Vitória com candidatos a governador do Espírito Santo evidenciou algumas diferenças importantes entre o governador Ricardo Ferraço (MDB) e o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos). Mas, curiosamente, também explicitou algumas grandes semelhanças, pelo menos do ponto de vista retórico, do discurso de campanha construído por cada um.


A retórica eleitoral de ambos se assemelha, principalmente, quando são “chamados” a se posicionarem sobre questões de fundo mais ideológico e, acima de tudo, quando instados a definirem a si mesmos pelo critério ideológico. Pazolini chegou a dizer que sua gestão em Vitória foi de centro-direita. Ricardo recusou-se a assumir para si uma identidade. “Centro”, “centro-direita”, “direita”? – perguntou-lhe, em vão, a colunista Letícia Gonçalves. Ele não se deu uma classificação.


Nesse aspecto, a estratégia discursiva dos dois se aproxima bastante: tanto o governador como o ex-prefeito de Vitória estão buscando apresentar-se como candidatos moderados, equilibrados e muito mais preocupados com os interesses do Espírito Santo do que com pautas e definições ideológicas.

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Quando perguntamos a Ricardo quem ele apoia na eleição presidencial, o candidato do MDB respondeu: 

Eu sou e vou continuar sendo 100% Espírito Santo. [...] Nós achamos que submeter o Espírito Santo à polarização ideológica é como você colocar em segundo plano o interesse maior do dia a dia dos capixabas.

Ricardo Ferraço (MDB), governador e candidato ao mesmo cargo

Diante da minha insistência, o governador esquivou-se com esta: 

Vitor, você me pergunta se o meu lado é o lado A ou o lado B. Eu não tô do lado do A, nem do B. Eu tô do lado do Espírito Santo.

Ricardo Ferraço (MDB), governador e candidato ao mesmo cargo

No dia seguinte, quando perguntei a Pazolini  se ele é “bolsonarista”, o candidato do Republicanos não disse nem que sim nem que não. Respondeu assim: 

Sou sempre alguém a favor da boa gestão.

Lorenzo Pazolini (Rep), candidato a governador

Em sua entrevista, Ricardo falou contra a “brigalhada ideológica”. 

Veja que, nessa trajetória de sucesso que o Espírito Santo construiu, nós nunca vimos o Estado submetido a essa brigalhada ideológica.

Ricardo Ferraço (MDB), governador e candidato ao mesmo cargo

Em outro ponto da sabatina, ele afirmou que ideologia não bota comida na mesa”:

Ideologia não bota comida na mesa do povo. Ideologia não gera emprego, não gera trabalho. O que gera emprego, trabalho, desenvolvimento e prosperidade é o foco no trabalho e nos resultados, na organização do Espírito Santo.

Ricardo Ferraço (MDB), governador e candidato ao mesmo cargo

Pazolini fez a mesma crítica, também usando o substantivo “brigalhada”, que não “coloca comida na mesa”: 

E é isso que nosso Brasil precisa: vencer essa brigalhada, vencer esse conjunto de discussões que às vezes não estão mudando a vida das pessoas, pra que nós possamos de fato melhorar a vida de quem precisa, colocar comida na mesa.

Lorenzo Pazolini (Rep), candidato a governador

Ainda disse o ex-prefeito: 

Essa discussão às vezes se torna pueril, estéril, e acaba não transformando a vida das pessoas.

Lorenzo Pazolini (Rep), candidato a governador

O surpreendente crescimento de Augusto Cury (Avante), aferido pelas mais recentes pesquisas de intenção de voto para a Presidência, talvez possa ser lido como um sintoma, um sinal de que os brasileiros em geral estão cansados da polarização ideológica histérica e estéril entre esquerda e extrema-direita (ou, mais precisamente, entre o petismo e o bolsonarismo).

As campanhas de Ricardo e de Pazolini parecem atentas a isso. E, ao menos na retórica política, no discurso eleitoral, os dois hoje poderiam até estar de mãos dadas no mesmo palanque. 

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Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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