Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Vitor Vogas

Ricardo e seu Muro de Ferro e Aço: a estratégia do governador na eleição para presidente

Governador afirma querer erguer pontes, não muralhas. Ao mesmo tempo, na disputa nacional, ergueu um muro para si e de cima dele não sairá. Faz sentido para ele? Faz. Explicamos aqui por quê

Publicado em 31 de Agosto de 2026 às 18:40

Públicado em 

31 ago 2026 às 18:40
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Ricardo Ferrraço, governador do ES, durante sabatina de A Gazeta e CBN Vitória. (Da ESq.p/dir.) Os jornalistas Leonel Ximenes, Abdo Filho, Fernanda Queiroz, Ricardo Ferraço, Leticia Gonçalves, Vilmara Fernandes, e Vitor Vogas.
Ricardo Ferrraço, governador do ES, durante sabatina de A Gazeta e CBN Vitória. (Da ESq.p/dir.) Os jornalistas Leonel Ximenes, Abdo Filho, Fernanda Queiroz, Ricardo Ferraço, Leticia Gonçalves, Vilmara Fernandes, e Vitor Vogas. Carlos Alberto Silva

Do ponto de vista político, a sabatina de A Gazeta e CBN com Ricardo Ferraço (MDB) serviu para termos certeza absoluta de qual é a estratégia do governador para esta campanha, a qual ele parece disposto a manter até o fim: nem sob tortura, Ricardo assumirá lado na eleição presidencial. Fará de tudo para não nacionalizar a disputa estadual. Buscará trafegar pelo centro, como candidato equilibrado e moderado, que dialoga com todos, governará com qualquer presidente e só está preocupado com as questões afetas ao cotidiano dos capixabas.


Na sabatina, perguntei a Ricardo: “Afinal, candidato, qual é sua posição? Como o senhor se define do ponto de vista ideológico? E, de uma vez por todas: qual é seu lado na disputa presidencial?”


Ricardo respondeu assim, criticando seus “principais adversários” (bem entendido: Pazolini e Helder) por quererem, segundo ele, fazer o que ele mesmo não quer:


“Eu sou e vou continuar sendo 100% Espírito Santo. Os meus principais adversários querem submeter o estado do Espírito Santo à polarização ideológica. Nós achamos que submeter o Espírito Santo à polarização ideológica é como você colocar em segundo plano o interesse maior do dia a dia dos capixabas. Por isso, eu sou 100% do Espírito Santo e eu tenho afirmado que nós vamos governar o estado do Espírito Santo — já estamos fazendo e queremos continuar governando — fora do extremismo, seja ele de direita, seja ele de esquerda”.


O governador prosseguiu:


“Estou preparado para governar o estado do Espírito Santo com quem os capixabas e os brasileiros decidirem que deva ser o presidente da República. Porque não é papel de governador, a meu juízo, fazer oposição a quem quer que seja”.


Segundo Ricardo, os cidadãos capixabas não estão preocupados em saber quem ele apoia para presidente da República e sim com questões que os afetam diretamente no dia a dia.


“Quando eu ando pelas ruas e converso com as pessoas, elas me perguntam muito mais do que onde eu vou votar. Elas me perguntam como é que eu vou fazer para a educação capixaba continuar evoluindo, como é que nós vamos fazer para continuar reduzindo o crime e a criminalidade, como é que nós vamos ampliar a nossa atenção primária, a nossa saúde preventiva, quando é que eu vou inaugurar o Hospital Geral de Cariacica com nova maternidade, quando é que nós vamos concluir o complexo de saúde de São Mateus...”


Ricardo disse não querer erguer muralhas, mas pontes.


“Nessa trajetória de sucesso que o Espírito Santo construiu, nós nunca vimos o Estado submetido a essa brigalhada ideológica. Porque, quando você se submete e vai para o extremo, você está construindo muralhas. E nós queremos construir, como governador, pontes que possam nos conectar.”


Como se nota, ao mesmo tempo em que diz não querer construir muralhas, Ricardo ergueu um muro para se manter em cima, e de cima desse muro não pretende sair.


Perguntamos, então, ao governador, se essa opção pela neutralidade não pode lhe custar votos numa eleição nacional tão polarizada. Isso considerando que ele tem, de um lado, um adversário que é o candidato de Lula e do PT (Helder), e, do outro, o oponente que está sendo apoiado por Flávio Bolsonaro e o PL (Pazolini).


“Vitor, você me pergunta se o meu lado é o lado A ou o lado B. Eu não estou nem do lado do A nem do B. Estou do lado do Espírito Santo. Eu quero ser governador do Espírito Santo para poder continuar priorizando o interesse da população capixaba. Eu não acredito nesses extremismos. Eu acho que esses extremismos não vão nos levar a lugar algum. Por isso é que há uma diferença fundamental do projeto que eu lidero para os projetos dos meus adversários, porque eles estão muito mais preocupados com as suas ideologias. E o meu lado é o lado do Espírito Santo. O meu lado é o interesse real do dia a dia do povo capixaba. Por isso eu sou 100% capixaba e estou do lado daqueles que querem construir pontes, e não muralhas para isolar o Espírito Santo.”

Estratégia faz sentido? Faz! 

Reconheço que tal estratégia, ao menos neste ponto da corrida, faz sentido para Ricardo Ferraço, uma vez que, se a eleição fosse hoje, ele iria para o segundo turno com Lorenzo Pazolini. Com o apoio do PL, de Magno Malta e de Flávio Bolsonaro, o ex-prefeito de Vitória passou a ser o representante do bolsonarismo na corrida ao Palácio Anchieta.


Ciente disso, Ricardo pode se limitar a fazer acenos para esse segmento (numericamente expressivo) do eleitorado capixaba, mas sem mergulhar de cabeça. Pode molhar os pés ou entrar até a cintura. Mas não precisa se jogar no bolsonarismo visando atrair eleitores bolsonaristas.


Até porque, se Ricardo se declarar apoiador de Flávio Bolsonaro ou fizer algum aceno mais forte aos eleitores desse campo, ele corre o risco de desagradar e perder os votos dos lulistas, que são também muito numerosos e já estão indo com ele por gravidade, no exercício do chamado “voto útil”, para derrotar Pazolini no 2º turno.


Por pragmatismo e eliminação, esses eleitores são virtuais votantes de Ricardo no 2º turno – e poderão ser já no 1º, se pesquisas de véspera indicarem chance matemática de vitória dele no dia 4 de outubro.


Ricardo não pode se dar ao luxo de perder esses votos. Não pode se arriscar a gerar entre lulopetistas uma antipatia ainda maior do que já desperta no meio desse monte de eleitores que com certeza votarão nele no 2º turno, engolindo em seco, simplesmente porque hão de querer derrotar o candidato de Flávio Bolsonaro.


A última Quaest para a Rede Gazeta confirma a linha de raciocínio exposta acima. Ricardo hoje é derrotado por Pazolini entre os eleitores declaradamente bolsonaristas: 51% para o ex-prefeito contra 27% para ele.


Mas, na estratificação dos 804 entrevistados por “identificação política”, Ricardo se mostra competitivo na segunda faixa (“direita não bolsonarista”) e domina as outras três (precisamente, do centro para a esquerda).


Entre os eleitores de direita não bolsonarista, Pazolini leva por 15 pontos: 42% a 27%.


Entre os independentes, Ricardo vence Pazolini por 18 pontos: 39% a 21%.


Entre eleitores de esquerda não lulista, Ricardo derrota Pazolini por 30 pontos: 41% a 11%. O governador supera até Helder (27%).


Entre os lulistas declarados, Ricardo ganha de Pazolini por 29 pontos: 41% a 12%. O governador também ganha de Helder (32%).


Isso no cenário estimulado de 1º turno.


Significa que, entre os eleitores de esquerda (lulistas e de esquerda não lulista), hoje, Ricardo sobra em relação a Pazolini. E, se a eleição fosse hoje, mesmo entre lulistas declarados, teria mais votos até que Helder Salomão, o candidato do PT e “do time do Lula” no Espírito Santo.


Possivelmente, já é o “voto útil” (ou a “intenção de voto útil”) começando a se manifestar.


Em possível 2º turno contra Pazolini, aqueles eleitores de esquerda que já declaram voto nele tenderão a manter isso. Já os que preferem ir com Helder tenderão a migrar naturalmente para o governador, “por osmose”.


A história de Ricardo Ferraço o situa da centro-direita para a direita (não extrema-direita). De todo modo, mais próximo de um Flávio Bolsonaro que de um Lula. Mas tomar partido, neste caso, parece mesmo não só dispensável como pouco inteligente.


Mesmo que tenha suas preferências e convicções pessoais, Ricardo não tem por que exteriorizá-las – ao menos não a esta altura do processo.


Vamos ver como isso evoluirá no 2º turno e se a estratégia será ou não mantida, dependendo dos resultados da eleição presidencial no Espírito Santo e do grau de influência que esta jogará num possível 2º turno concorrente com o estadual. 

Leia mais colunas de Vitor Vogas 

Ricardo e seu Muro de Ferro e Aço: a estratégia do governador na eleição para presidente

Presidente do PSB-ES diz que filiados podem votar em Contarato

Idosos estão dando a vitória para Ricardo Ferraço neste momento

Surpresa: Ricardo não é o candidato de Lula... mas hoje é o dos lulistas, diz Quaest

Quem é o eleitor padrão de Ricardo, de Pazolini e de Helder, com base na pesquisa Quaest

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Os ministros Márcio Rosa (MDIC) e Mauro Vieira (Itamaraty) durante reunião virtual com representantes do governo dos EUA
Brasil diz aos EUA que tarifaço é injusto e discriminatório, e negociações devem continuar
Ruas e avenidas são protagonistas de nova história
Homem é detido após entrar em escola com arma de festim em Muniz Freire
Imagem de destaque
IA e novos riscos mudam o perfil de empresários e executivos

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados