Até o início de março, ela era considerada pré-candidata do PT à Prefeitura de Vitória e chegou a dizer à coluna que seu nome estava à disposição. De repente, antes de poder se dar conta, foi “atropelada” pelo movimento interno do ex-prefeito João Coser, que colocou o próprio nome na praça, anunciou a pretensão de voltar à prefeitura e tornou-se, automaticamente, o favorito do partido para o posto. Estamos falando de Jackeline Rocha, a presidente estadual do PT e candidata da legenda de esquerda ao governo estadual na eleição passada, em 2018.
Após a entrada forte de Coser no processo, pegando de surpresa até a ela (aliada interna do ex-prefeito), Jackeline passou algumas semanas mergulhada, sem dar entrevistas. Durante esse período de recolhimento, seu nome passou a ser especulado, inclusive por correligionários, como possível candidata do PT a prefeita de Colatina (sua cidade natal), da Serra (onde mora) ou até de Cariacica (diante do impasse quanto a quem representaria a sigla na eleição no município já administrado pelo hoje deputado federal Helder Salomão).
Ela mesma jamais chegou a confirmar nenhuma dessas especulações. Agora, afirma em definitivo à coluna: não será candidata a nada nessas eleições municipais. “Não mais. O partido necessita de renovação, formação tecnológica... de acompanhamento na construção das chapas de vereanças e candidaturas nos municípios…”
A presidente estadual, portanto, pretende se dedicar exclusivamente ao trabalho de construção das chapas de prefeitos e vereadores do PT e à estruturação das campanhas pelos municípios capixabas. Deve esperar a próxima eleição, marcada para 2022, em que poderá concorrer a uma cadeira de deputada.
Em Vitória, o PT homologou mesmo a pré-candidatura de João Coser. Em Cariacica, após disputa entre representantes de algumas alas, o partido optou por lançar a professora Célia Tavares (apoiada por Helder). Em Colatina, o pré-candidato da agremiação é o ex-deputado estadual e ex-vereador Genivaldo Lievore.
Se quer mesmo se concentrar em coordenar as candidaturas do PT pelo Estado, Jackeline não tem um trabalho nem um pouco fácil pela frente. No momento, sem exagero, a situação do partido é de “terra arrasada” na política municipal. Basta dizer que, desde janeiro, o partido não governa nem uma sequer das 78 cidades capixabas. Sim, o mesmo partido que, de 2009 a 2012, chegou a governar quatro dos sete maiores municípios capixabas: Vitória (Coser), Cariacica (Helder), Cachoeiro de Itapemirim (Carlos Casteglione) e Colatina (Leonardo Deptulski).
Em janeiro deste ano, Jackeline chegou a dizer à coluna que a meta da direção estadual do PT é eleger cerca de 20 prefeitos no Estado (um salto de 0 para 20), além de fazer de um a dois vereadores em município do Estado (de 78 a 156). É uma meta ambiciosa. Antes da janela para troca partidária de vereadores, entre maio e abril, o PT só somava 28 edis em todo o Espírito Santo.
No último pleito municipal, em 2016, o PT só elegeu um prefeito no Espírito Santo: o de Barra de São Francisco, Alencar Marim, que saiu da legenda em janeiro. Na eleição geral de 2018, o partido teve desempenho modesto: só fez um deputado federal (Helder) e uma deputada estadual (Iriny Lopes). Sob forte rejeição ao partido, o então candidato Jair Bolsonaro teria vencido a eleição presidencial em primeiro turno no colégio eleitoral do Espírito Santo.