Até o início de março, ela era considerada pré-candidata do PT à Prefeitura de Vitória e chegou a dizer à coluna que seu nome estava à disposição. De repente, antes de poder se dar conta,
foi “atropelada” pelo movimento interno do ex-prefeito João Coser, que colocou o próprio nome na praça,
anunciou a pretensão de voltar à prefeitura e tornou-se, automaticamente, o favorito do partido para o posto. Estamos falando de
Jackeline Rocha, a presidente estadual do PT e candidata da legenda de esquerda ao governo estadual na eleição passada, em 2018.
Ela mesma jamais chegou a confirmar nenhuma dessas especulações. Agora, afirma em definitivo à coluna: não será candidata a nada nessas eleições municipais. “Não mais. O partido necessita de renovação, formação tecnológica... de acompanhamento na construção das chapas de vereanças e candidaturas nos municípios…”
A presidente estadual, portanto, pretende se dedicar exclusivamente ao trabalho de construção das chapas de prefeitos e vereadores do PT e à estruturação das campanhas pelos municípios capixabas. Deve esperar a próxima eleição, marcada para 2022, em que poderá concorrer a uma cadeira de deputada.
Se quer mesmo se concentrar em coordenar as candidaturas do PT pelo Estado, Jackeline não tem um trabalho nem um pouco fácil pela frente. No momento, sem exagero, a situação do partido é de “terra arrasada” na política municipal. Basta dizer que, desde janeiro, o partido não governa nem uma sequer das 78 cidades capixabas. Sim, o mesmo partido que, de 2009 a 2012, chegou a governar quatro dos sete maiores municípios capixabas: Vitória (Coser), Cariacica (Helder), Cachoeiro de Itapemirim (Carlos Casteglione) e Colatina (Leonardo Deptulski).
No último pleito municipal, em 2016, o PT só elegeu um prefeito no Espírito Santo: o de Barra de São Francisco,
Alencar Marim, que saiu da legenda em janeiro. Na eleição geral de 2018, o partido teve desempenho modesto: só fez um deputado federal (Helder) e uma deputada estadual (Iriny Lopes). Sob forte rejeição ao partido, o então candidato Jair Bolsonaro teria vencido a eleição presidencial em primeiro turno no colégio eleitoral do Espírito Santo.