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Análise

Eleição na Assembleia: veja quem perde e quem ganha de verdade

Em acordo com o governo, o já reeleito Erick Musso é o grande vencedor do processo, mas pode “ganhar perdendo”. Já governo Casagrande é o grande derrotado, mas pode “perder ganhando”. Entenda por quê

Publicado em 28 de Janeiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

28 jan 2021 às 02:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Paródia de
Paródia de "Cães de Aluguel" Crédito: Amarildo
A eleição para a presidência da Assembleia Legislativa já está vencida pelo atual presidente, Erick Musso (Republicanos), desde a última quarta-feira (20), quando ele recebeu pessoalmente a bênção do governador Renato Casagrande (PSB). Mas afinal, com esse desfecho precoce da eleição da Assembleia, todos de mãos dadas e Erick por mais dois anos no cargo com as graças do Palácio Anchieta, quem é que venceu de verdade esse processo? É o que respondemos na coluna desta quinta-feira (28). Vamos por partes:
Em primeira análise, Erick Musso sai sem dúvida como vitorioso. Conseguiu, afinal, o que sempre quis: permanecer onde está. Bateu pé, não desistiu, não deixou a corda roer para o seu lado. Sabidamente, no início das articulações, o atual presidente não era o candidato favorito do governo Casagrande, que nutria o desejo de emplacar na presidência um aliado puro-sangue, com a marca do Palácio Anchieta. Pode-se dizer que ele “peitou” suavemente o governo. Conseguiu convencer o governador a “aceitar” sua reeleição. E se deu bem.
Mas precisamos ficar atentos nos próximos meses, para conferir se esse triunfo de Erick não será uma vitória de Pirro, na qual ele, para alcançar seu objetivo, tenha feito tantos sacrifícios que acabará perdendo poder e saindo menor desse processo. Algumas concessões ele já fez. Na negociação com Casagrande, para ganhar o “aval” do governador, aceitou tomar a iniciativa de diminuir o próprio poder, isto é, anular os “superpoderes” que ele mesmo se conferiu por meio de projeto de resolução de sua autoria, aprovado pelo plenário em fevereiro de 2019, dispensando a assinatura dos secretários para qualquer ato da Mesa Diretora desde então.
Logo após a confirmação pro forma de sua reeleição, na próxima segunda-feira (1º), Erick vai apresentar aos pares novo projeto de resolução que restaura a redação original do Regimento Interno: todo ato administrativo do presidente, incluindo nomeações para cargos comissionados, voltará a necessitar da assinatura de pelo menos um dos dois secretários da Mesa.
Será preciso atentar, ainda, para a composição final da Mesa Diretora, ainda em fase de construção. Se os dois secretários titulares, que ombrearão com Erick nos próximos dois anos, forem membros da “tropa” do governo Casagrande na Assembleia, o atual (e futuro) presidente poderá até ficar relativamente emparedado, o que esteve muito longe de ocorrer neste biênio por se encerrar. Por essa perspectiva, Erick pode até ganhar o que mais importa, mas perder em alguns aspectos. Se ceder muito mais do que já aceitou ceder, a Assembleia corre o risco de virar um puxadinho do Palácio Anchieta.
Já no caso do Palácio Anchieta, sem hesitarmos, podemos carimbar: perdeu. O governador queria emplacar um aliado forte. Acabou “engolindo” a reeleição de Erick. Estão chamando isso de uma “chapa de consenso”, mas a “verdade verdadeira” é que o desfecho desse processo não era o ideal para o governador quando ele entrou nesse jogo.
O governo chegou a tentar convencer Erick a se retirar (com eventual candidatura de Marcelo Santos). Chegou a cogitar enfrentá-lo no plenário (com uma chapa encabeçada por Dary Pagung). Não fez nem uma coisa nem outra. E por que não o fez? Porque a verdade ainda mais verdadeira é que o governo simplesmente nunca teve um candidato forte de verdade, com a sua identidade, para chamar de seu nessa eleição. Nem Marcelo nem Dary.
Essa constatação, por sinal, nos leva a outra: o fato de o governo Casagrande não ter conseguido nem mesmo apresentar um “candidato natural” à presidência da Assembleia revela que hoje, na Casa, entre os 30 deputados estaduais, não existe nem um parlamentar sequer que possa ser considerado o “homem forte” do governo no plenário.
O que estou chamando de “homem forte”? Um deputado que concilie duas características inequívocas: fidelidade canina ao governador e uma autoridade política imanente que inspire aos colegas respeito (e até certo temor). A última característica, por exemplo, sobrava em Enivaldo dos Anjos (PSD), mas faltava-lhe a primeira, e de qualquer modo ele agora voltou a ser prefeito de Barra de São Francisco. Quanto à primeira, o único deputado apontado hoje como 100% leal a Renato Casagrande é Eustáquio de Freitas (PSB), que carece, no entanto, daquela força natural que emanava de Enivaldo.
Enfim, o desfecho dessa “disputa” é certamente uma derrota para o governo, mas, se quiser olhar o copo meio cheio, o Palácio Anchieta pode encontrar uma vitória na derrota. Governistas podem pensar: “Bem, não conseguimos uma alternativa a Erick. Mas, analisando o filme frame a frame, qual é o quadro que tínhamos até então? Erick Musso na presidência, com superpoderes nas mãos e não tão próximo politicamente ao governo. Já com esse novo arranjo, a partir de 1º de fevereiro, teremos Erick Musso na presidência, mas aceitando dividir algum poder com os secretários da Mesa e mais perfilado que nunca ao governo, fazendo juras de lealdade a Casagrande. Não é bem o que queríamos. Mas ainda é melhor que o que tínhamos antes”.
Com a reedição do acordo com Erick, a mesa foi rearranjada de maneira mais cômoda para o governo. Aliás, a Mesa. Daí a possível “vitória na derrota”. Também conhecida como prêmio de consolação.

“CÃES DE ALUGUEL”

A verdade verdadeiríssima, enfim, é que os interesses de ambos se encontraram porque os dois tinham uma arma apontada um para o outro, e ambos sabiam muito bem disso. Casagrande, se assim quisesse, com a força do governo, poderia ter mobilizado sua base de deputados para tentar atropelar Erick no plenário. Ao mesmo tempo, se Erick ganhasse a presidência após derrotar o governo numa tentativa aberta de derrubá-lo, teria pelos próximos dois anos o poder de pautar ou deixar de pautar os projetos de interesse de um governo que tentou sem sucesso retirá-lo da presidência. Não teria por que ser amistoso.
Além disso, em vez de levar o seu Republicanos (hoje segunda maior força política do Estado) em definitivo para o projeto político-eleitoral de Casagrande, Erick poderia “desviar” o partido para uma raia própria visando à disputa pelo governo em 2022.
O tiroteio teria deixado sequelas nos dois lados. E ambos acharam por bem abaixar as armas juntos. Ninguém ganhou tiro. Ninguém perdeu sangue.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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