O presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), fez, na última terça-feira (10), um importante discurso da tribuna da Assembleia, quebrando um ruidoso silêncio mantido por ele havia mais de duas semanas, durante o ápice da crise com o governo Casagrande provocada pela antecipação da eleição da Mesa Diretora, posteriormente anulada. Comparando o que estava escrito para ele ler com o que ele efetivamente falou, o pronunciamento se destaca pelo que Erick retirou do texto e, principalmente, pelo que ele incluiu espontaneamente.
O QUE ERICK TIROU DO DISCURSO?
Em outros discursos recentes, Erick causou espanto (e suspeitas quanto a tanta erudição) por citar múltiplos autores, incluindo grandes filósofos. Será que ele leu mesmo tudo aquilo? Dessa vez Erick foi mais comedido: no meio do texto, até havia um Montesquieu (referência a “O espírito das leis”) e um Gandhi (“A alegria está na luta”). Erick destacou a independência entre os Três Poderes praticamente lançada no clássico do iluminista e até leu a frase atribuída a Gandhi, mas dessa vez evitou citar os nomes dos autores.
PREDATÓRIA?!?
Por falar em erudição, o discurso de Erick exagerou um pouco no vocabulário: “Por anos, essa autonomia do Poder Legislativo foi abstrata. Quimérica. Proditória”. Proditória?!? Nessa, o dicionário ajudou o colunista. Significa “traiçoeira”.
O QUE ERICK INCLUIU NO DISCURSO?
Erick também salpicou o discurso com algumas contribuições pessoais. Lia-se no discurso: “Muita gente falou”. Ele acrescentou: “Muito disse me disse”. Estava escrito para ele: “A comparação com a Era Gratz não se sustenta. É indevida. Injusta. Perversa”. Ele acrescentou o adjetivo “covarde”.
A BÍBLIA DIZ: SETENTA VEZES SETE
Mas a maior contribuição de Erick com certeza foi o “lado gospel”. O discurso escrito para ele não continha nem uma citação sequer a Deus. Erick citou-O sete vezes, todas por sua própria conta. Aí vão dois exemplos: “Quem não sabe orar xinga Deus”; “Tem uma palavra que quero deixar aos corações: enquanto Deus for nosso chão, não há ser humano que nos derrube”.
UM TRAUMA PARA O RESTO DA VIDA
Para dar um toque mais pessoal e emocional, Erick também incluiu uma história verídica que ele conta aonde vai e que sem dúvida representou um trauma para o então assessor parlamentar do avô, Heraldo Musso: “Vocês sabem da minha história. Vocês sabem que, sete anos atrás, eu era assessor de um deputado e fui colocado pra fora deste plenário porque estava sem terno e gravata, e vocês sabem o que Deus [olha Ele aí de novo] fez: deu a oportunidade dessa mesma pessoa que me botou pra fora votar em mim duas vezes pra presidente”.
Ninguém sabe ao certo, mas dizem as más línguas que “a pessoa” teria sido Marcelo Santos.
MÃOS LIMPAS PARA QUEM QUISER VER
Estava escrito para o presidente, ele leu, seu gesto acompanhou a fala, mas, numa próxima ocasião (se necessário for), essa parte bem que poderia ser cortada. “As minhas mãos são limpas”, exclamou Erick, com as mãos espalmadas para o público, obviamente sem nenhuma sujeira. De tão gasto, o gesto virou o clichê do clichê na política.
ENIVALDO, O REI DO IMPROVISO
Falando em Assembleia e em gestos teatrais, o deputado Enivaldo dos Anjos causou risos e perplexidade na Assembleia na sessão do último dia 2, aparecendo no plenário com um traje de personagem de humorístico do Chico Anysio. O chapéu de palha e as botas ele disse que eram uma homenagem aos agricultores do Estado. Ok.. O carrinho de brinquedo que levou, um recurso para controlar o estresse. Ok… Mas como explicar a camisa e a gravata vermelho berrante? Pois é.
Segundo fonte próxima ao deputado, ele não tinha explicação alguma para isso até o momento em que entrou no plenário. Aí viu Hércules Silveira com a fitinha do Dezembro Vermelho na lapela. E encontrou a resposta na hora: campanha contra a Aids. É um mestre da arte do improviso!
CASAGRANDE: ATRASADO, ABRAÇADO E ADESTRADO
Na última quarta-feira (11), Renato Casagrande chegou atrasadão ao TRE-ES para a posse do novo presidente, Samuel Meira Brasil. No momento em que o governador chegou, o desembargador estava terminando uma longa entrevista a repórteres. Casagrande o tirou do meio da roda e deu-lhe um abraço a alguns metros de distância. Depois voltou sozinho até os repórteres e explicou: “Fiz isso para salvar o novo presidente daquelas perguntas difíceis de vocês”. Aí uma jornalista retrucou: “Então teremos que fazer as perguntas mais difíceis ao senhor”.
“Mas eu sou treinado”, respondeu Casagrande.