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“E se fosse a sua filha?”

“Deus não suporta hipocrisia”, afirma vice-governadora do ES

Evangélica, Jaqueline Moraes repudia as pressões e acusações feitas por grupos religiosos contra a menina de 10 anos violentada em São Mateus, que, após engravidar, praticou o aborto previsto em lei

Publicado em 20 de Agosto de 2020 às 17:39

Públicado em 

20 ago 2020 às 17:39
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Jaqueline Moraes na cadeira mais importante do Palácio Anchieta
Jaqueline Moraes na cadeira mais importante do Palácio Anchieta Crédito: Ricardo Medeiros
“Deus não suporta hipocrisia.” A fala é da vice-governadora do Estado, Jaqueline Moraes (PSB), em referência às pressões e acusações feitas por grupos de fanáticos religiosos contra a menina de 10 anos violentada em São Mateus, inclusive agredindo verbalmente a vítima e pressionando-a a não praticar o aborto legal, resguardado pela Constituição Federal em casos como esse. Evangélica, Jaqueline classifica essas manifestações como “demonstração clara de intolerância e falta de amor ao próximo” – o que contraria ensinamentos cristãos.
"Fico profundamente triste em ver tais manifestações, uma demonstração clara de intolerância e falta de amor ao próximo. Na minha trajetória de fé, aprendi que Deus não suporta hipocrisia. A pergunta é: e se fosse a sua filha? Eu pergunto a mim mesma: e se fosse a minha filha?"
Jaqueline Moraes (PSB) - Vice-governadora
A própria vice-governadora responde à pergunta que propõe:
"Com certeza moveria céus e terras para que ela não tivesse um bebê de um homem que a feriu, maltratou e destruiu sua alegria. Afinal, ela é apenas uma criança"
Jaqueline Moraes (PSB) - Vice-governadora
Nos últimos dias, Jaqueline Moraes acompanhou e fez gestões relacionadas ao terrível episódio da menina de 10 anos que engravidou após ter sido vítima continuada de estupro em São Mateus, desde os 6 anos de vida (vamos frisar bem porque às vezes isso tem sido esquecido: vítima). A vice-governadora destaca, com algum alívio, algumas medidas asseguradas à menina pelo Estado, como a sua inclusão em um programa de proteção a testemunhas que será empregado nesse caso.
“Vamos ofertar para ela a possibilidade de ela entrar no programa de proteção às vítimas, que é o mesmo programa de proteção a testemunhas. O Estado garante dois anos de aluguel, garante uma identidade, garante uma nova cidade... E, através da Nara [Borgo], secretária estadual de Direitos Humanos, fizemos uma articulação com a Unicef, que também tem um programa. Então o Estado está nessa construção com a menina: ela precisa ser protegida com relação a toda a sua história e ela precisar ser tratada psicologicamente por causa do trauma que sofreu. Então o Estado já garantiu isso a ela. A Nara Borgo está cuidando diretamente desse caso. E o nosso secretário Nésio [Fernandes], que é o nosso secretário de Saúde, agiu com muita agilidade nesse caso. E a agilidade fez toda a diferença para poder salvar a vida dessa menina e ofertar a ela dignidade e condições de ela escrever uma nova história.”
A vice-governadora também enfatiza algo que, na opinião do colunista, nem deveria precisar ser reiterado, mas nos últimos dias está precisando ser soletrado: no Brasil o aborto é previsto em lei em caso de estupro (uma das poucas excepcionalidades acolhidas pela legislação brasileira nesse tema tão sensível).
“Dentro desse contexto, o Estado somente cumpriu aquilo que é determinação judicial, de ordem legal. O aborto em casos de estupro é legalizado no Brasil. A gente precisa entender que a gente precisa cumprir a Constituição. Essa menina foi abusada desde os seis anos, então o que ela merece de todos nós agora é esse carinho e essa proteção, para que ela tenha agora a oportunidade de reescrever a sua história, de forma não abusiva.”
Por fim, a vice-governadora deixa uma mensagem de encorajamento à criança que está passando por provações às quais nenhum ser humano deveria ser jamais submetido: “À nossa guerreira de dez anos, ficam meu sentimento e votos de muito sucesso. Nova vida. E um carinhoso Deus te abençoe!”

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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