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Análise

As 7 mentiras capitais de Jair Bolsonaro - parte 1

Há uma enorme distância entre o que o Bolsonaro candidato vendeu em 2018 que seu governo seria e o que é, efetivamente, a administração do Bolsonaro presidente. Entre esses engodos de campanha, destacamos os sete piores, em uma série iniciada aqui

Publicado em 21 de Março de 2021 às 02:00

Públicado em 

21 mar 2021 às 02:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Em 2018, Bolsonaro contou e criou muitas mentiras sobre o que seria o seu governo
Em 2018, Bolsonaro contou e criou muitas mentiras sobre o que seria o seu governo Crédito: Amarildo
Durante sua exitosa campanha em 2018, o presidente Jair Bolsonaro produziu algumas mentiras. Foram promessas e expectativas criadas por ele a respeito de sua Presidência, fundamentais para sua vitória eleitoral, mas que não sobreviveram ao tempo e ao terrível choque de realidade do que é o seu governo de verdade. Há uma enorme distância entre o que o Bolsonaro candidato vendeu que seu governo seria e o que é, efetivamente, a administração do Bolsonaro presidente. Entre esses engodos de campanha, destacamos os sete piores. São os sete maiores mitos sobre o “Mito”. As sete mentiras capitais de Jair Bolsonaro para chegar à Presidência. Ei-las:
1. Ele seria um liberal
2. Ele representaria a ordem
3. Ele faria um governo sem viés ideológico
4. Ele seria completamente diferente do PT
5. Ele combateria a corrupção
6. Ele traria mais segurança ao povo brasileiro
7. Ele não seria político, não faria a “velha política” e não negociaria com partidos e com o Congresso
Começando por esta coluna, nos deteremos sobre cada uma delas, em uma série dividida em três partes que se inicia agora.

1) ELE SERIA UM LIBERAL

Após três décadas expressando, como congressista, uma visão estatista na economia, herdada do regime militar, Bolsonaro apresentou-se ao eleitorado em 2018 repaginado. Em sua nova versão, seria um recém-convertido à cartilha do liberalismo econômico.
Para dar lastro a seu suposto compromisso com a agenda liberal, o então deputado escalou, já no início da campanha, o economista Paulo Guedes como seu futuro ministro da Fazenda – do mesmo modo que convidaria Sergio Moro para o Ministério da Justiça a fim de lastrear seu alegado compromisso com a agenda de combate à corrupção. Como no caso da agenda anticrime, a “conversão” do militar estatista ao liberalismo econômico era puro ilusionismo eleitoral. Mas, bem, lá estava Paulo Guedes, com suposta carta branca para agir e implementar suas reformas liberais modernizantes.
Saído das urnas em 2018 com capital político altíssimo junto ao grande empresariado e ao mercado financeiro, Bolsonaro tinha muitas fichas para gastar, mas não perdeu tempo em queimá-las. Após 28 anos atuando basicamente como um lobista de militares e policiais militares no Congresso, tratou de se despir da desconfortável fantasia de liberal, que nunca lhe vestira bem, tão logo subiu a rampa do Planalto.
Mais forte que ele, o comichãozinho autoritário logo começou a lhe coçar. A veia intervencionista começou a se manifestar aqui, ali, acolá, com frequência incômoda e indesejada, não só na economia como em todos os cantos do governo, da Abin à Petrobras, da Polícia Federal ao Banco do Brasil, do Ministério da Saúde ao da Economia. Sedado em 2018, o gigante do estatismo não tardou a despertar do sono leve em que foi colocado por força da campanha eleitoral. E acordou cheio de energia no governo. Bolsonaro chegou ao extremo de vetar um comercial do Banco do Brasil para expandir a sua cartela de clientes, porque a peça focava no público não heterossexual. Um "liberal".
Enquanto isso, é crescente a sensação de que Paulo Guedes já está a fazer hora extra no governo. Da sua cara e da sua equipe, restam pouco. Repetidamente desautorizado pelo presidente, arrisca-se a deixar-se transformar em figura decorativa, diminuído pelo gigantismo do ego de Bolsonaro, tal como ocorreu com Sergio Moro, o outrora "super-herói da Lava Jato" que, a cada humilhação pública, foi apequenado pelo chefe a quem topou servir, até sair de um governo no qual, a bem da verdade, jamais deveria ter entrado.
A muito custo, Guedes conseguiu aprovar no Congresso, em novembro de 2019, a reforma da Previdência, não por causa da atuação de Bolsonaro, mas apesar da alienação pessoal do presidente “no tocante a essa questão”. Ante o mesmo desinteresse do mandatário, as reformas administrativa e tributária estagnaram, enquanto as prometidas privatizações ainda não passam de miragem, chocando-se com a postura cada vez mais abertamente intervencionista do presidente pretensamente “liberal”.

2) ELE REPRESENTARIA A ORDEM

Bolsonaro provém da instituição militar, tão associada à ideia de “ordem” em nosso inconsciente coletivo. Ele explorou esse ativo muito bem em 2018, escorando-se no binômio “lei e ordem”. No caso do presidente, porém, essa “ordem” e esse "respeito à lei" são altamente relativos e não encontram eco em sua biografia. No Exército, entre os anos 1970 e 1980, o tenente teve uma passagem curta e marcada por insubordinação, até ser mandado para a reserva com a patente de capitão e menos de 40 anos.
Em fevereiro de 2017, o então parlamentar do baixo clero gravou mensagem de incentivo aos grevistas da Polícia Militar do Espírito Santo. Em maio de 2018, ainda como deputado, apoiou a greve dos caminhoneiros no país. Em fevereiro de 2020, já como presidente, jamais condenou a greve dos policiais militares no Ceará. Cadê o respeito à lei e à ordem?
Seu próprio governo, em áreas extremamente estratégicas, é uma desordem só. Veja-se o MEC, à deriva, sem direção desde o início do governo. E o Ministério da Saúde, seguindo para o quatro ministro em um ano (em plena pandemia!).
Mas a desordem alastrada por quase todo o governo deriva da falta de coordenação central e de liderança que deveria ser exercida pelo próprio presidente e também, me arrisco a dizer, da sua confusão mental, refletida na sua dificuldade em compreender quais são as reais prioridades do país e nelas concentrar os seus esforços:
Questões que já se impunham em 2018, como a agenda de reformas modernizadoras da nossa economia, o aumento da produtividade, a redução do Custo Brasil, o controle do deficit fiscal, a preservação dos nossos ecossistemas (sobretudo a Amazônia) e da nossa biodiversidade, não por ser “vegano”, “xiita”, “ongueiro” ou algo assim, mas porque, basicamente, é a coisa mais inteligente a se fazer inclusive do ponto de vista econômico, em um mundo que caminha a passos largos de uma declinante economia fóssil para uma ascendente economia verde. E, desde 2020, evidentemente (mas não para ele), a coordenação nacional de medidas de enfrentamento à pandemia de maneira articulada com os Estados.
Em vez de envidar esforços nessa agenda, Bolsonaro, desde os primórdios de seu governo, dispende energia em “vender” pulseirinha de nióbio, combater a importação de bananas do Equador, "denunciar" o golden shower, lançar uma cruzada contra radares em rodovias, brigar com a ativista Greta Thunberg, celebridades e presidentes mundo afora, participar de manifestações pelo fechamento do Congresso, criar conflitos com governadores por causa do combate à pandemia, comemorar interrupção de estudo de vacina, fazer campanha em prol da cloroquina e pela volta do arcaico voto impresso… E dizer estultices diariamente.
Está tudo fora de ordem nessa lista de prioridades.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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