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Discordâncias

20 vezes em que Casagrande criticou publicamente Bolsonaro - parte 1

Desde o início dos respectivos mandatos, governador do ES já manifestou divergências em relação a várias medidas e posicionamentos do presidente da República, intensificadas na pandemia. Nesta coluna, listamos algumas das principais

Publicado em 28 de Março de 2021 às 02:00

Públicado em 

28 mar 2021 às 02:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Renato Casagrande já criticou diversas vezes Jair Bolsonaro
Renato Casagrande já criticou diversas vezes Jair Bolsonaro Crédito: Amarildo
Desde o início dos respectivos mandatos, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), já manifestou inúmeras divergências em relação a medidas e posicionamentos do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). As críticas públicas do governador ao presidente foram intensificadas ao longo da pandemia do novo coronavírus. Fizemos uma compilação e, começando por esta coluna, listaremos aqui, em duas partes, 20 momentos marcantes em que Casagrande se chocou com Bolsonaro. Eis os dez primeiros (do mais recente para o mais antigo), estendo-se ao longo do último ano:

01/04/2020 - "Mostra equilíbrio e depois publica fake"

Em coletiva de imprensa convocada por ele no último dia 1º de março, Casagrande criticou a atuação do governo federal no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus. Segundo ele, a falta de uma coordenação nacional dos esforços, em especial neste momento de agravamento da pandemia em quase todos os Estados, causa confusão na população, aumenta o trabalho dos governadores, prejudica o combate à doença e tira o foco do que mais importa, que é salvar vidas: “Gostaríamos muito que tivéssemos uma coordenação nacional, que ajudaria a salvar vidas, não traria dúvidas nas cabeças das pessoas. Nós, governadores, estamos tendo um trabalho mais exaustivo, mais intenso, por falta de coordenação nacional”.
Em 28 de fevereiro, Bolsonaro e alguns auxiliares, como o ministro das Comunicações, Fábio Faria (PSD), usaram redes sociais para publicar cifras que teriam sido repassadas pela União aos Estados especificamente para o combate à pandemia. Conforme escreveu Faria, os governadores “tiveram tempo e dinheiro sobrando” e “ninguém suporta mais” medidas que “quebram a economia”. No Twitter, Bolsonaro listou os valores que teriam sido enviados a cada Estado. Em entrevista à CNN Brasil no dia 1º de março, Casagrande esclareceu que o montante citado por Bolsonaro, na sua maior parte, dizia respeito a verbas obrigatórias, previstas na Constituição para várias áreas, sem nenhuma relação direta com a pandemia: “O governo federal está torturando os números para inflar os repasses para os Estados”, fulminou Casagrande. Ele foi um dos 18 governadores que assinaram uma carta criticando o presidente por “priorizar a criação de confrontos” e tratar repasses obrigatórios como se fossem um favor pessoal ou concessão política de seu governo aos Estados.
Em 08 de dezembro de 2020, Casagrande e o secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes (PCdoB), participaram de reunião virtual com o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Pouco antes, em entrevista ao jornalista Valdo Cruz, do G1, o governador advertiu que Bolsonaro precisava coordenar nacionalmente o processo de vacinação, sob o risco de ficar politicamente fragilizado: “Eu espero que o presidente não fique preso ao seu erro, avalie, comande e coordene todo o processo de vacinação. O ideal é que a imunização comece já a partir de janeiro. Caso contrário, ele vai acabar antecipando politicamente o fim do seu mandato. Não estou falando de impeachment, mas de o presidente ficar fragilizado e sem força política até dezembro de 2022”.
No dia 20 de outubro de 2020, o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciou a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac, vacina chinesa contra o novo coronavírus desenvolvida pelo Instituto Butantan, de São Paulo. No dia seguinte, porém, Bolsonaro o desautorizou. Em resposta a um seguidor no Faceboo, o presidente afirmou que o anúncio do ministro na véspera podia ser considerado traição. Horas depois, Casagrande pediu “união” em sua rede social, afirmou que adquirir as primeiras vacinas prontas era “meta primordial” e criticou a inclusão de questões ideológicas no debate sobre medidas para conter a pandemia: “Salvar vidas e libertar os brasileiros do coronavírus são objetivos que devem unir todos nós. Adquirir as vacinas que primeiro estiverem à disposição deve ser a meta primordial. Nesse contexto não há espaço para discussão sobre assuntos eleitorais ou ideológicos”.
Em 23 de junho de 2020, Casagrande afirmou que Bolsonaro “tem trabalhado com competência para aumentar o risco” de sofrer um impeachment. Àquela altura, o chefe do Executivo estadual considerava que a possibilidade de afastamento do presidente era pequena, pois Bolsonaro retinha o apoio de uma parcela da sociedade brasileira. O governador, no entanto, ressaltou que atitudes do presidente vinham contribuindo para o próprio enfraquecimento político: “Ele tem investido em um projeto de se fragilizar que já deu muito resultado”. As declarações foram dadas por Casagrande em entrevista ao vivo transmitida pela revista Istoé naquela data.
Em junho de 2020, Casagrande participou pessoalmente de uma articulação desencadeada por dirigentes, parlamentares e governadores de seu partido, o PSB, em defesa da proposta de impeachment do presidente e da formação de uma “frente amplíssima em defesa da democracia brasileira e contra o fundamentalismo de extrema-direita de Jair Bolsonaro”. No dia 11 de junho de 2020, o governador do Espírito Santo participou de uma reunião virtual, com outras autoridades do PSB, conduzida pelo presidente nacional da sigla, Carlos Siqueira. Do encontro, resultou uma resolução oficial da Executiva Nacional do PSB, assinada por Siqueira, aprovada por todos os participantes (Casagrande incluso) e publicada na página oficial do partido. De acordo com o próprio texto, a resolução contou com o apoio, “especialmente, dos governadores socialistas Paulo Câmara, de Pernambuco, e Renato Casagrande, do Espírito Santo, que, apesar das limitações institucionais do seu cargo, defendem uma postura ofensiva do PSB nesse quadro”. Casagrande é o secretário-geral do PSB no Brasil e chancelou a resolução. Publicamente, porém, nunca defendeu o impeachment de Bolsonaro. Em entrevista a A Gazeta em julho, falou em “estabilidade política” e não se posicionou a favor do impeachment. Possivelmente, por causa das tais “limitações institucionais”.
No dia 11 de junho de 2020, em uma de suas “lives semanais de quinta-feira”, Bolsonaro afirmou (sem prova alguma) que o número de mortes causadas pelo novo coronavírus estaria sendo superdimensionado com fins políticos e exortou seus seguidores a darem um jeito de entrar nos hospitais para filmar o seu interior, a fim de averiguar a ocupação dos leitos por pacientes com a Covid-19. Na tarde do dia seguinte (enquanto seis deputados estaduais invadiam, ou faziam “visita surpresa”, às instalações do hospital Dório Silva), Casagrande usou sua conta no Twitter para criticar duramente o que chamou de “total falta de sensibilidade” por parte do presidente: “O incentivo do PR [presidente da República] para que as pessoas invadam os hospitais é mais uma manifestação de total insensibilidade com os familiares dos mais de 40 mil mortos pela Covid-19. No momento de crise, os líderes precisam se manifestar com serenidade, solidariedade e compaixão”.
No dia 02 de maio de 2020, apoiadores de Bolsonaro agrediram, em Brasília, enfermeiros que se manifestavam por melhores condições de trabalho. No dia seguinte, em ato na rampa do Palácio do Planalto, enquanto Bolsonaro acenava para simpatizantes, alguns deles deram socos e pontapés em jornalistas que cobriam a manifestação. O presidente jamais repudiou essas agressões. No mesmo dia, em sua conta no Twitter, Casagrande declarou que os episódios “demonstram o tensionamento político que estamos vivendo”. E cobrou o presidente da República: “Cabe ao presidente dar sinais de convivência com pensamentos diferentes. Até agora as atitudes apontam para a intolerância”.
Após demitir o primeiro dos seus quatro ministros da Saúde desde o início da pandemia, Luiz Henrique Mandetta, Bolsonaro voltou a defender publicamente que o comércio fosse aberto e alfinetou prefeitos e governadores, apontando exageros nas políticas de isolamento e distanciamento social. No dia 17 de abril de 2020, o presidente disse estar disposto a correr o risco. No mesmo dia, Casagrande opinou que Bolsonaro “age com um desequilíbrio” e “não demonstra preocupação com a vida dos brasileiros”: “O presidente tem dado declarações que demonstram claramente falta de preocupação com a vida dos brasileiros. Isso não é de agora. Como o próprio ex-ministro Mandetta disse, cria dúvidas na cabeça das pessoas. Na hora em que todo mundo pede para as pessoas reduzirem a interação, o presidente pede para aumentar. Ele sempre age com um desequilíbrio. Diz que tem preocupação com a vida e com a economia, mas sempre se refere só à economia, e não fala da área da saúde, ao contrário de outros líderes mundiais”, fuzilou.
Em debate promovido pelo portal UOL no dia 1º de abril de 2020, Casagrande elogiou o pronunciamento feito por Bolsonaro na véspera, mas destacou que, horas depois, o presidente não se conteve e publicou nova desinformação em suas redes sociais: “Vai do céu ao inferno em minutos”. “A declaração de ontem já foi mais equilibrada, mas hoje ele já compartilhou vídeo que é fake. Não existe o que aquele senhor [do vídeo] está falando. A Central de Abastecimento de Minas Gerais está funcionando normalmente. O que deixa claro é que o presidente, politicamente, é levado a ter uma posição equilibrada, mas pessoalmente, quando pode, se manifesta no enfrentamento, no confronto, descartando e menosprezando a crise. Ele vai do céu ao inferno, do inferno ao céu em minutos, e isso atrapalha a coordenação”.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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