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Eleições 2020

Da cadeira de prefeito à “bacia do lava-pés”: votar é análise de nós mesmos

É preciso saber identificar quem se apresenta como um verdadeiro líder, que não se ilude com faixa e gabinete e motiva equipe, e quem se apresenta como comandante

Publicado em 12 de Novembro de 2020 às 04:00

Públicado em 

12 nov 2020 às 04:00
Vinicius Figueira

Colunista

Vinicius Figueira

Votos brancos e nulos são descartados nas eleições
Eleições para prefeitos e vereadores acontece no domingo, dia 15 Crédito: Tribunal Superior Eleitoral
Domingo será o dia. O dia de escolhermos quem vai comandar ou liderar nossos municípios nos próximos quatro anos. Prestemos atenção nos verbos: comandar ou liderar. Por aí você já deve ter percebido o que está no centro da nossa reflexão nesta quinta-feira (12). A campanha eleitoral, por hora, termina hoje, por isso, nosso objetivo é compreender quem se apresentou como comandante e quem se apresentou como líder, quem se apresentou com humildade e quem se apresentou com prepotência. Aliás, a prepotência tem sido a marca de muitos candidatos e ganhado a simpatia de muitos eleitores neste tempo de polarização.
Tempos atrás, dentro de um contexto também político, me atrevi a destacar o evento mais emblemático e escandaloso da história. Aquele dia em que Jesus, o mestre, pegou uma bacia e uma toalha e ensinou uma lição aos seus amigos. Não queiram ser servidos; antes, sirvam. Era muito comum nos tempos bíblicos que, após longas viagens, tivesse um escravo (uma pessoa) em casa, a postos, com uma bacia, um jarro e uma toalha, para que se pudesse lavar os pés do viajante. Era um costume. Mas, naquela ceia, o homem de Nazaré inverteu o papel e deu um recado que “arrebenta as consciências” até hoje.
Dentro desse contexto político e de escolha de representantes, surge a necessidade de identificar quem se apresenta como líder e se apresenta como comandante. O líder é aquele que não se ilude com o gabinete, com a cadeira, com a faixa, com o posto e nem com o diploma, mas se encarrega de liderar, ou seja, ser o primeiro a fazer junto com a equipe. Mais ainda: ser líder não é se abaixar diante de tudo, mas ter a cabeça erguida, ser o motivador. Aqui vale resgatarmos o conceito de humildade: humildade não é abaixar a cabeça, mas o orgulho. Ser líder não é dizer em um plano de governo “eu vou fazer”, mas "nós faremos". Onde tem muito eu, não tem liderança, tem comandante.
Logo, o comandante é aquele que se apresenta como o chefe. Ele sempre sabe de tudo, vai resolver tudo. O comandante é sempre fraco. Usa do grito, do barulho, usa da força, usa da detração (fofoca, fake news etc...) para intimidar, porque ele não tem força e nem argumento para enfrentar batalhas. Neste ano, sobretudo, as fakenews andam avassalando os debates políticos, andam sepultando ideias e povoando consciências com mediocridade, ataques e desonras. O comandante é um ser incurvável, ele se escusa de se inclinar diante do outro, tem equipe para lavar os próprios pés e não os pés dos outros.
A nossa escolha nos representa, literalmente. Vamos colocar no governo aquele que nos representa, não nas ideias, necessariamente, mas que representa a nossa estrutura e nosso jeito de ser gente. Por isso, votar é muito mais do que uma análise do candidato, é uma análise de nós mesmos. Se somos comandantes, jamais escolheremos um líder, e se formos líderes, jamais escolheremos um comandante. É tempo de se questionar e, depois, questionar o candidato. A quem o lava-pés incomoda, a escolha poderá não ser das melhores. A política sem utopia, escreve Frei Betto, se apequena. Por isso, não nos cansemos de sonhar que um dia a toalha do lava-pés vai fazer os olhos brilharem muito mais que a faixa de governo.

Vinicius Figueira

É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

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