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Religião

Andressa Urach abre uma discussão sobre o mundo evangélico

Pregação da modelo "contra os crentes" joga luz sobre os critérios e as contradições da religião, que vem sendo usada para o poder e para o dinheiro

Publicado em 19 de Novembro de 2020 às 04:00

Públicado em 

19 nov 2020 às 04:00
Vinicius Figueira

Colunista

Vinicius Figueira Vinicius Figueira
A modelo Andressa Urach
A modelo Andressa Urach Crédito: Roque Rodrigues/Studio Models Oficial
Pelos veículos, imprensa e redes sociais, estamos acompanhando um pouco do drama ou da guerra da Andressa Urach, modelo que havia se convertido ao mundo evangélico com a narrativa de mudança de vida, e uma nova perspectiva humana. Porém, o cenário hoje parece não ter sido muito bem esse.
A modelo voltou à vida de antes porque parece não ter encontrado Jesus, mas ter visto que a Igreja estava utilizando-a para fins lucrativos. No portal IG, eu lia recentemente que a manifestação da Andressa havia causado mal-estar nas lideranças da Igreja Universal. Algumas das emissoras onde a Igreja Universal compra horários para transmitir seus programas e pregações entenderam que o ideal é não receber mais a modelo para dar seus testemunhos, mesmo que "ela traga retorno na audiência".
Então, Andressa estava na Universal para trazer “retorno de audiência”? O dilema que acompanha o caso nem é esse, mas o pedido da Andressa para que a Igreja devolva todo o dinheiro que havia doado para o templo religioso. E agora? Recentemente, Andressa chegou a rasgar o verbo com essas palavras: “Tô pegando um nojo de crente”.
Tudo isso que está acontecendo revela a polarização enfadonha do universo evangélico, sobretudo no Brasil, com a força de um governo de mesma inspiração religiosa. Recentemente, ouvimos os gritos do Malafaia contra Bolsonaro porque não havia nomeado um evangélico para o Supremo; noutro dia vimos ainda a pressão de uma bancada sobre o governo para perdoar dívida milionárias de igrejas que não haviam custeados seus impostos, mesmo que preguem “a César o que é de César”.
O miolo da nossa reflexão de hoje não é Urach, não é ser crente (protestante), nem católico, mas os critérios e as contradições da religião, que vem sendo usada para o poder e para o dinheiro. São templos montados em nome da vontade de Deus, mas que na verdade abrigam pessoas com carências afetivas absurdas que transformam o grito exagerado em uma espécie de louvor ao Deus que mandou a gente rezar no silêncio. É a perda de sentido da própria religião.
Me lembro que nas aulas de filosofia, aprendíamos que religião era religare, ou seja, era ligar o homem ao Sagrado, mas parece que esse conceito vem sendo deturpado. Há religiões ligando o homem ao inimigo de Deus, que é o dinheiro, à fama (audiência) e ao poder.
Essas estruturas precisam ser questionadas. A Justiça não tem poder sobre a religião, mas precisa ter poder sobre as instituições que usam e abusam do povo. Quanto a nós, precisamos nos questionar: a quem minha religião tem me ligado? Seja católico, seja evangélico, enfim, a quem sua comunidade de fé tem te ligado?
Andressa Urach saiu da Igreja Universal porque se sentiu usada para fins lucrativos, e sua declaração está quase dizendo: lá não encontrei Jesus. O homem de Nazaré, quando viu o templo de Jerusalém sendo invadido por mercenários, tomou o chicote e espantou a todos com a frase: “não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio”. Então... é urgente que o “Messias volte logo”, e de preferência com chicotes nas mãos!
Andressa abre uma discussão sobre o mundo evangélico. Os exageros precisam de conversão, os líderes também. A pauta que Urach abre, não termina com esse artigo, mas precisa se desenrolar por um bom tempo.

Vinicius Figueira

Vinicius Figueira Vinicius Figueira

É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

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