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Chegada do ano novo

A triste ilusão de cancelar 2020

Cancelar o ano que termina significa cancelar as suas lições, e ele deixou lições importantes para atravessarmos e vivermos um novo ano de maneira nova

Públicado em 

17 dez 2020 às 05:00
Vinicius Figueira

Colunista

Vinicius Figueira

2020 e 2021
2020 foi marcado pela pandemia do novo coronavírus Crédito: Shutterstock
As marcas desse ano ficarão quase que indeléveis dentro de cada um de nós que conseguir atravessar para 2021. Um ano que nos marca com o terror das enchentes, com as chagas da pandemia, o caos político, e inúmeras perdas com nomes e renomes. Desse modo, percebemos uma crescente campanha, sobretudo nas redes sociais, com a manchete "cancele 2020". Cancelar seria uma forma de anular todos os ocorridos, todas as experiências, todas as situações. Mas isso não é possível e nem faz sentido!
Para quê cancelar os momentos em que estivemos em isolamento? O isolamento foi um momento para perceber que ficar conosco mesmo é sempre se aproximar da nossa própria companhia (claro que alguns se repudiaram). O número de divórcios aumentou, e isso revela o tanto que ainda não fez a experiência de ficar consigo mesmo, e quando ficou, não deu conta. Já outros, despertaram no arrumar mais a casa, no limpar mais o chão, que alguma coisa precisava ser faxinada dentro, e esses entenderam o recado.
Para quê cancelar os momentos em que estivemos em distanciamento? Nunca sentimos tanta falta de abraçar, de tocar, de agarrar, de beijar, de estar junto. Isso não foi ruim, a ausência sempre explica o valor da presença. A pandemia ensinou que nem tudo é digital, que nem tudo é um toque na tela, mas um toque no outro. Nem tudo é o brilho de uma foto no computador, mas o brilho nos olhos. Nem tudo é uma chamada de vídeo, mas uma chamada no portão da casa do amigo, da família, para entrar e viver juntos por um tempo.
Para quê cancelar os momentos em que estivemos de máscara? Foi difícil para respirar, foi difícil para conversar, mas, a máscara mostrou que precisamos dar conta de viver falando menos e ouvindo mais. Em nenhum momento os ouvidos tiveram de ser tampados, pelo contrário. A pandemia evidenciou que o tempo era de escuta – escutar a mensagem de um vírus e escutar o que outro tem a nos dizer.
Para quê cancelar os momentos em que vimos um presidente falar apenas de “gripezinha”? Foi penoso ligar a TV e ouvir palavras duras para corações tão frágeis. Mas a pandemia mostrou o presidente que temos e que foi escolhido para gerir a nação. Não dá para cancelar as lições que ele propiciou, afinal a insensatez também ensina, e ensina sobretudo a fazer escolhas diferentes, ensina a sermos brasileiros diferentes e não indiferentes. A pandemia mostrou que temos um Messias nada interessado em libertar o povo da pandemia, mas tem interesses, e que logo mais poderemos o trocá-lo, porque não soube ser presidente.
Veja: cancelar 2020 significa cancelar as suas lições, e ele deixou lições importantes para atravessarmos e vivermos um novo ano de maneira nova. Pode ser que ao cancelarmos 2020, sejamos menos humanos, menos gente, menos sensíveis. Pode ser que ao tocar em cancelar, eu ignore um recado da vida. Então, para quê cancelar 2020?

Vinicius Figueira

É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

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