A frase que intitula o artigo não é de minha autoria, mas um parafraseio da sócia e diretora de cena da produtora Café Royal, Georgia Guerra. Já estamos no mês cinco, praticamente, metade do ano. Participamos do Réveillon, depois logo fomos assolados por fortes chuvas. Quando tudo parecia estar passando, ou tentando voltar ao normal, quando as cidades e o povo atingidos tentavam sair e reorganizar a vida, vem a pandemia e coloca todo mundo pra dentro.
Agora, não era mais a lama que impedia transitar, mas um vírus capaz de nos infectar. Quem quiser ver o mundo lá fora, vai pra sacada, ou abre a janela. Aliás, já estamos nessa rotina há um bom tempo, e não sabemos como vamos sair dela.
O tema, bastante sugestivo de hoje, provocado pela nossa amiga, é capaz de nos colocar diante de três janelas, que antes até visitávamos, mas agora elas possuem um outro sentido: as janelas de casa, as janelas da internet, as janelas da comunicação.
As janelas de casa passaram a não acumular tanta poeira, porque antes ficavam trancadas e inertes. Hoje, elas passaram a ser abertas, a ficarem abertas, para o sol entrar e o vento conversar com a gente. Nas janelas, os olhos miram as coisas de fora, enquanto viajamos pra dentro da gente. Nunca as janelas abertas nos levaram a pensar tanto na vida; a nos levar para lugares inimagináveis. Nunca as janelas abertas iluminaram tantas conclusões em nossa vida, como o quanto não somos gerentes dos nossos planejamentos.
A segunda janela, que passamos boa parte do dia debruçados, é a janela da internet. Por mais que tínhamos noção da sua força, não sabíamos que era tanta. Essa também é a janela da pancada de realidade, onde os fatos aterrissam e onde o fake decola. Onde tantos opinam mesmo não tendo conhecimento da sua própria opinião.
A terceira janela é a da comunicação. Essa mostrou que mesmo havendo um decreto de isolamento, temos necessidade de conversar. Então, essa janela se abre e nos aproxima de quem está longe, alivia a dor da distância e nos coloca junto mesmo sem poder ficar grudados. Por outro lado, o coronavírus também vai exigir, ou já está exigindo dela, uma mudança drástica. Assim como o coronavírus vem ensinando que só o humano pode salvar o humano, assim também a nossa comunicação, fundada, sobretudo, na publicidade, vai precisar encarar a humanização dos processos, da linguagem e a realidade na sua expressão.
Dezembro vai chegar, e não sabemos se a pandemia irá passar. Queira Deus que sim. Mas se perguntarem: o que você mais fez em 2020? Talvez a resposta será essa: “Ixi, fiquei foi na janela, esperando o tempo passar para voltar". Então, saiba que você ficou mais do que na janela, você ficou debruçado(a) para fora, mas olhando pra dentro da sua casa. E saiba: ficar na janela por um bom tempo vai te fazer sair diferente pela porta da vida, quando tudo receber a ordem que poderá voltar ao normal. Pense nisso!