Decisão da desembargadora Rachel Durão Correia Lima, da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), manteve a realização do júri popular do engenheiro Patrick Noé dos Santos Filgueira. Ele é acusado de feminicídio contra a esposa, a professora Danielly Wandermurem Benício, crime ocorrido em dezembro de 2017.
O pedido já havia sido negado pelo Juízo da 1ª Vara Criminal de Vitória, no último dia 27. A defesa recorreu à desembargadora alegando que a decisão descumpria uma liminar por ela concedida para que fosse dado acesso à extração integral dos celulares da vítima e do réu.
Em nova decisão, a desembargadora informou que o material solicitado não poderia ser fornecido, conforme informações da perícia técnica. E destacou que o processo já conta com vários laudos: “A ação penal de origem ostenta vasta instrução técnico-pericial acumulada ao longo de quase nove anos de marcha processual”.
Com a decisão foi mantida a realização do júri popular, em Vitória, a partir do próximo dia 3 de novembro.
Defesa
A defesa do engenheiro informou que lamenta que a Justiça não tenha dado importância a esta prova, que ajudaria a esclarecer os fatos ocorridos no dia do crime.
“Buscamos por todos os meios legais trazer ao processo provas de que a Danielly estava viva após a saída do Patrick do apartamento onde o casal vivia. Entre elas estava o aparelho telefônico da vítima, que poderia revelar toque na tela e outros eventos. Mas iremos à júri usando os meios legais para comprovar a inocência do Patrick”, destacou o advogado Marcos Daniel Vasconcelos Coutinho, que atua na defesa com o advogado Rodrigo Horta.
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O crime e as acusações
Danielly Benício, que lecionava Geografia em uma escola particular de Vitória, foi encontrada morta em 30 de dezembro de 2017, no apartamento em que o casal morava, em Jardim Camburi. A causa da morte foi apontada como hemorragia na cabeça devido a traumatismo causado por ação contundente.
Patrick Noé foi acusado de homicídio qualificado por motivo fútil e feminicídio, em um contexto de violência doméstica e familiar. A acusação sustenta que o engenheiro nutria um sentimento de posse e controle sobre a vítima, monitorando suas redes sociais por meio de um "clone" do aplicativo de mensagens.
Imagens de videomonitoramento do prédio mostraram que ele foi a última pessoa a entrar no apartamento antes da morte da professora, permanecendo no local por cerca de dois minutos antes de sair novamente.
* A colunista vai tirar alguns dias de férias a partir da próxima terça-feira (3), com retorno em dezembro. Até lá!