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Coluna Vilmara Fernandes

Policial civil da Narcóticos do ES é suspeito de desviar crack do PCC

Droga veio de São Paulo para Vitória e foi apreendida em ônibus na BR 101; defesa do policial nega acusações e diz que ele agiu na legalidade

Públicado em 

07 abr 2026 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

Operação Turquia // PF e Gaeco
Crédito: Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly
Um policial civil do Departamento Especializado em Narcóticos (Denarc) é suspeito de desviar parte de uma carga de crack apreendida em uma ação na BR 101, no Sul do Espírito Santo. O destino da droga era um grupo criminoso ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), na Ilha do Príncipe, em Vitória.
As informações estão em duas denúncias do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), a mais recente apresentada à Justiça estadual no último dia 13 de fevereiro.
Nelas é relatado que a ação na rodovia federal, em Rio Novo do Sul, ocorreu em dezembro de 2023. Foi conduzida pelo policial civil Erildo Rosa Júnior. Ele foi preso na Operação Turquia com outros dois colegas, por suspeita de envolvimento com traficantes e em esquema de desvio e comercialização de drogas apreendidas em ações oficiais. A defesa dele nega as acusações, veja abaixo.
Os dados do caso foram levantados em depoimento do traficante Yago Saib Bahia da Silva, o Passarinho, em novembro do ano passado. Ele é investigado em duas operações do MP: a Pardal, que mira as operações do PCC em Vitória, e a Turquia, realizada em parceria com a Polícia Federal.
Yago declarou que uma de suas cargas, oito quilos de crack que estava sendo transportado de São Paulo para o Espírito Santo, foi apreendida, mas que oficialmente foram registrados no Denarc apenas dois quilos. E que os outros seis quilos teriam sido desviados.
Relatou que chegou a questionar outro policial sobre a apreensão. Ele se refere a Eduardo Tadeu Ribeiro Batista da Cunha, o Dudu, também preso na Operação Turquia. A resposta que recebeu foi de que a responsabilidade pela apreensão seria de Erildo.
As investigações que se seguiram identificaram que o inquérito policial sobre o encontro da droga na rodovia se arrastava no Denarc desde 2023, sem conclusão e sem que novas investigações solicitadas pelo MP tivessem sido feitas.
E foi descoberto ainda que os celulares apreendidos com a pessoa que fazia o transporte da droga estavam na iminência de serem destruídos. O pedido havia sido feito pela equipe do Denarc. O que acabou sendo negado pela Justiça estadual.
A extração dos conteúdos dos aparelhos identificou os detalhes da comercialização da droga, o volume que estava sendo transportado, incluindo uma miniatura de foto da droga na bolsa que foi apreendida.
Segundo o MP, elas indicam que seriam transportados cinco pacotes, mas apenas dois foram apresentados na delegacia.
Os dados foram apresentados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na denúncia da Operação Turquia e pela Promotoria de Rio Novo do Sul, onde ocorreu a apreensão, contra a pessoa responsável pelo transporte do crack.

A apreensão da droga

O crack foi localizado dentro de um ônibus comercial, que fazia o transporte público entre São Paulo e Vitória. E seria destinado a traficantes da Ilha do Príncipe, área de atuação de Yago, integrante do PCC.
Josélia Soares Lopes Rebouças ficou encarregada de fazer o transporte em uma bolsa. Nela, segundo o autor da apreensão, o policial Erildo, foram encontrados dois pacotes da droga amarrados com fita preta e que pesavam cerca de dois quilos.
O fato ocorreu no dia 18 de dezembro de 2023, e Josélia foi presa por volta das 11 horas. Na denúncia da Operação Turquia, o MP destaca que os policiais do Denarc saíram da Serra — local de sua sede — até Rio Novo do Sul, a 130 quilômetros de distância, para realizar a prisão de uma mulher em um ônibus, a partir da indicação de um policial aposentado que não foi identificado.
“E para, posteriormente, abandonarem as investigações, inclusive com pedido incomum de destruição do aparelho celular da pessoa presa, sequer denunciada diante da não conclusão do IP (inquérito policial)”, é dito em uma das denúncias.
Os dados do celular de Josélia apontaram a sua ligação com a “família PCC” e que o pagamento pelo transporte foi realizado pelo grupo liderado pelo traficante Yago.
Também confirmaram que há mais de três anos ela levava droga para vários estados a partir de São Paulo, entre eles Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Alagoas, Mato Grosso do Sul, Pará, Mato Grosso e Santa Catarina.
Além dos interesses do PCC, também atendia solicitações de criminosos não vinculados à facção. Cobrava pelo “serviço de transporte” e o preço das passagens de ida e volta para os locais.
Nas mensagens ela informava a quem iria receber a droga o passo a passo da transação. Desde o momento em que buscava o material com o fornecedor paulista, detalhes de como estava embalando, horários de entrada no ônibus, monitoramento da viagem.
Josélia foi liberada na audiência de custódia. No último dia 13 de fevereiro ela foi denunciada pelo MP por crimes ligados ao tráfico, entre eles por fazer o transporte de drogas, incluindo o interestadual.
Já Erildo foi denunciado, com outros dois colegas, no contexto da Operação Turquia. Eles foram presos e afastados de suas funções. A mesma denúncia atingiu outras cinco pessoas, incluindo o traficante Yago, também detido.

O que dizem as defesas

O advogado Frederico Pozzatti de Souza, defensor do policial Erildo, esclarece que seu cliente participou, no ano de 2023, de uma apreensão de drogas realizada na BR 101, em atuação conjunta com outro policial, fato regularmente registrado em boletim de ocorrência.
Esclarece, ainda, que, após a apreensão, todo o material e as informações pertinentes foram encaminhados à autoridade policial competente, com a devida comunicação ao Ministério Público e ao Poder Judiciário.
Segundo a defesa, Erildo atuou dentro da estrita legalidade em todas as etapas que lhe competiam. “Eventuais desdobramentos posteriores, ocorridos após o encaminhamento da ocorrência ao delegado responsável pela investigação, não se inserem em sua esfera de atribuição funcional nem podem ser a ele imputados”, assinala.
Os advogados de Eduardo Tadeu e de Josélia não foram localizados. O espaço segue aberto a suas manifestações.

Vilmara Fernandes

E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.

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