Apenas dois dos quatro acusados pela morte de dois policiais militares vão enfrentar o júri popular de Cariacica na tarde desta terça-feira (2). Todos respondem pelo assassinato de Bruno Mayer, de 30 anos, e Paulo Eduardo Oliveira Celini, de 29, em uma emboscada no bairro Santa Bárbara, em Cariacica.
Os primeiros a enfrentar os jurados serão Eduardo Bonfim Meireles e Érica Lopes Ferreira, em sessão que terá início às 13 horas. Os advogados de ambos não foram localizados, mas o espaço segue aberto para suas manifestações.
Já os réus Eric da Silva Ferreira e Luana de Jesus Luz recorreram da sentença de pronúncia. Para eles, o julgamento foi adiado até que haja uma avaliação dos recursos apresentados. A defesa deles é realizada pelos advogados Rafael Almeida e Antônio Luiz de Souza. Em nota, eles confirmaram o adiamento e detalharam a situação dos clientes:
“É importante ressaltar que a acusada Luana responde ao processo em liberdade, enquanto Eric permanece em prisão preventiva. A defesa reitera seu compromisso com a busca pela justiça e pela ampla defesa de seus clientes, confiante de que os fatos serão devidamente elucidados nas instâncias competentes”, informaram, em nota.
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O crime
Segundo a denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), os quatro denunciados saíram de um churrasco em Jardim Marilândia, em Vila Velha, e seguiram em um Fox branco para Cariacica, pela Rodovia Leste-Oeste. No caminho, às margens da via, encontraram um Fiat Argo com quatro ocupantes. O veículo estava com o pneu furado.
O documento informa que, neste momento, o grupo denunciado, armado, aproveitou a ocasião para assaltar os ocupantes do Fiat, deles roubando a chave do veículo e um iPhone. Há relatos inclusive de disparo de arma de fogo cujo tiro teria atingido de raspão uma das vítimas.
Eles acabaram sendo flagrados pelos policiais militares, quando teve início uma perseguição policial realizada pelos policiais Bruno Mayer Ferrani e Paulo Eduardo Oliveira Celini. Os dois foram emboscados na Rua Manoel Freire, em Santa Bárbara, Cariacica.
Segundo o descrito na sentença, Eduardo conseguiu sair do carro sem que os PMs percebessem e se dirigiu para outro lado da viatura, o que favoreceu a emboscada. Momento em que ele e os demais acusados, que estavam dentro do veículo, atiraram contra os policiais.
“Ante o exposto, é evidente que o duplo homicídio em tela foi praticado mediante emboscada, uma vez que os denunciados dissimularam que iam se submeter a abordagem realizada pelos policiais militares, quando, em verdade, já haviam premeditado/planejado alvejá-los com disparos de arma de fogo, de modo a impossibilitar que se defendessem”, é dito na sentença.
Apesar de serem resgatados pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhados ao Hospital Meridional, em Cariacica, a dupla de PMs não resistiu aos ferimentos.
Eric e Luana abandonaram o Fox branco e foram presos em Padre Gabriel, bairro de Cariacica. Já Érica e Eduardo foram presos em um motel, na mesma cidade. Com eles a polícia encontrou uma das armas usadas no crime e as armas furtadas dos policiais. Ao ser detido, Eduardo apresentou o nome falso de Marcelo Gomes Freitas.