Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Vilmara Fernandes

Família de engenheiro morto em tirolesa no ES luta por indenização

Já houve uma decisão para pagamento da reparação que não foi cumprida; vítima era provedor da família e deixou esposa e dois filhos

Publicado em 24 de Junho de 2026 às 14:15

Públicado em 

24 jun 2026 às 14:15
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

Caso tirolesa Morro do Moreno, Vila Velha - engenheiro
Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly

Há pelo menos três anos a família do engenheiro que perdeu a vida em uma tirolesa no Morro do Moreno, em Vila Velha, luta na Justiça estadual por indenização. João Paulo Sampaio dos Reis deixou esposa e dois filhos menores. No início deste mês, quatro pessoas envolvidas na operação do equipamento foram denunciadas pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES).


A tragédia ocorreu no dia 1º de maio de 2021. O engenheiro estava acompanhado da filha, à época com 14 anos, e de uma amiga dela. As duas foram as primeiras a fazer a descida no equipamento. Na sequência, foi a vez de João Paulo, que colidiu contra a plataforma intermediária e foi arremessado ao chão, o que ocasionou sua morte por traumatismo torácico. 


Momentos antes ele questionou os funcionários sobre a segurança do equipamento (veja vídeo abaixo).


Em janeiro de 2023, o Juízo da 2ª Vara Cível de Vila Velha, onde o processo por indenização tramita,  determinou o pagamento provisório de um salário mínimo por mês para cada familiar, além dos valores retroativos desde o momento da morte, montante que alcançava R$ 3,6 milhões na ocasião.


No entanto, até o momento a decisão não foi cumprida, segundo o advogado que representa a família, Wilson Roberto Martinelli Pozes.


“João Paulo era o provedor da família, que ficou totalmente desamparada, com dois filhos pequenos. A família aguarda uma solução da Justiça que possa garantir o sustento deles”, assinalou o advogado.


O magistrado citou os depoimentos dos sócios da empresa e dos funcionários que estavam no local no momento do acidente, destacando a informação de que houve um “erro” cometido durante a operação do equipamento. O juiz considerou, por outro lado, que a vítima não contribuiu, mesmo que involuntariamente, para o desfecho que resultou em morte e, em função disso, considerou os valores pretendidos pelos familiares como razoáveis e proporcionais.


O advogado Wilson Roberto Martinelli Pozes explica que já está em execução uma orientação do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) para que a ação de indenização seja direcionada aos bens dos sócios-administradores da empresa responsável pela tirolesa. A Eco Vertical Turismo de Aventuras Ltda encerrou as suas atividades após o acidente.  


Contudo, o número de responsáveis pela reparação pode aumentar, considerando que outras pessoas, como os proprietários do imóvel onde o equipamento estava instalado, também recebiam participação nos lucros da empresa


Quer receber as notícias publicadas pela coluna pelo WhatsApp? Então clique neste link


Denúncia


Na esfera criminal, o MPES denunciou, no início deste mês, quatro pessoas por homicídio culposo e fraude processual:


  • Gustavo Lira da Silva Rocha - operador do equipamento

  • Geovane Lutes Rodolfo - bombeiro militar e sócio-administrador da empresa Eco Vertical Turismo de Aventuras Ltda

  • Marloyllner Fernandes  - bombeiro militar na época do fato e sócio-administrador da empresa Eco Vertical Turismo de Aventuras Ltda

  • Alex Sandro Melo Magnago - sócio-administrador da empresa Eco Vertical Turismo de Aventuras Ltda


O inquérito da Polícia Civil, concluído em janeiro deste ano, apontou uma sucessão de falhas de segurança consideradas críticas. Um dos pontos centrais trata do momento do embarque do engenheiro: um funcionário sem treinamento técnico adequado conectou a polia da vítima ao cabo de aço e liberou a trava de segurança antes mesmo de acoplar o sistema de frenagem manual.


Sem o freio, o engenheiro foi lançado em queda livre, atingindo uma velocidade média de 42,5 km/h em um trajeto de 100 metros. Houve impacto contra a plataforma intermediária, o que causou o rompimento dos equipamentos de segurança e o arremesso da vítima ao solo, resultando em sua morte imediata por traumatismo torácico.


O Ministério Público detalha, ainda, ações de fraude processual cometidas logo após o evento fatal. De acordo com o documento, um dos sócios tentou mover o corpo da vítima e, ao não conseguir, retirou e escondeu os equipamentos de segurança que João Paulo utilizava (capacete e cadeirinha), o que foi apontado como tentativa de dificultar a perícia. Outro denunciado teria removido polias e outros equipamentos de proteção do local em seu veículo particular.


Também foi feito um pedido para que a Justiça estabeleça um valor mínimo de R$ 50 mil para reparação dos danos materiais e morais sofridos.


Sanção disciplinar


Na época dos fatos, dois sócios da empresa eram bombeiros militares. Eles estão entre os denunciados, mas um deles, Marloyllner Fernandes, deixou a corporação, por motivos pessoais, em 2024. O outro militar, Geovane Lutes Rodolfo, segue desempenhando suas funções. 


Por nota, o Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (CBMES) informa que o Processo Administrativo Disciplinar (PAD)  instaurado à época dos fatos apurou que os dois militares cometeram transgressão disciplinar e receberam sanção interna de repreensão.


Fato ocasionado “por não comunicarem sobre sua situação laboral extracorporação, o que representa transgressão disciplinar conforme o art. 65, inciso XX do Código de Ética e Disciplina dos Militares Estaduais”, informou a corporação, acrescentando que não houve afastamento em decorrência desta transgressão. 


O CBMES esclarece, ainda, que não cabe a adoção de qualquer medida administrativa em decorrência da denúncia oferecida pelo Ministério Público na esfera criminal, em observação ao princípio de presunção da inocência.


A coluna tentou contato com as defesas dos acusados, sem retorno. O espaço segue aberto à manifestação


MAIS COLUNAS DE VILMARA FERNANDES

Família de engenheiro morto em tirolesa no ES luta por indenização

Grupo é denunciado por morte de engenheiro em tirolesa no Morro do Moreno

Júri de ex-vereador é alvo de disputa 14 anos após crime no ES

Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Como o desaparecimento de uma coleção raríssima de Lego Star Wars deu origem a uma teoria da conspiração
PRF apreendeu R$ 500 mil em dinheiro transportados por passageiro de ônibus na BR 262
PRF encontra R$ 500 mil dentro de mochila de passageiro de ônibus no ES
De estradas a Unidades Habitacionais, Governo do Estado promove ações de desenvolvimento para os municípios
Investimentos levam desenvolvimento aos 78 municípios do ES

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados