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Vilmara Fernandes

Disputa judicial para adiar júri de acusado de matar de professora no ES

Após ter pedido negado pela 1ª Vara Criminal de Vitória, defesa recorreu ao Tribunal de Justiça; o argumento é a falta de acesso integral a informações dos celulares do réu e da vítima

Publicado em 28 de Outubro de 2026 às 03:30

Públicado em 

28 out 2026 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes Vilmara Fernandes
O engenheiro Patrick Noé dos Santos Filgueira, acusado pelo feminicídio de sua esposa, a professora Danielly Wandermurem Benício
Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly

A defesa do engenheiro Patrick Noé dos Santos Filgueira voltou a recorrer à Justiça pedindo o adiamento do júri popular, marcado para a próxima semana, com início em 3 de novembro. Ele é acusado de feminicídio contra a esposa, a professora Danielly Wandermurem Benício. O crime aconteceu em Vitória, em dezembro de 2017.


O argumento da defesa é de que os advogados não tiveram acesso à totalidade dos dados dos celulares da vítima e do réu, que foi garantido por meio de uma liminar. A medida havia sido concedida pela relatora de um habeas corpus, a desembargadora Rachel Durão Correia Lima, da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), a quem voltaram a recorrer na tarde desta terça-feira (27), informando que houve descumprimento da ordem.


Motivo semelhante havia sido apresentado ao Juízo da 1ª Vara Criminal de Vitória, que na tarde desta terça-feira (27) negou o pedido de adiamento da sessão plenária feito pelo advogado Rodrigo Horta, um dos responsáveis pela defesa do engenheiro. 


Na decisão é informado que foi solicitada à polícia/perícia urgência no atendimento ao pedido e que os dados extraídos dos dispositivos foram devidamente disponibilizados à defesa. “Nada obstante os esforços empreendidos para viabilizar a operacionalização da ordem superior, a defesa insiste na tese de que não recebeu a integralidade do conteúdo probatório almejado e reitera a tese de ineficiência/insuficiência do material acostado”, informa o texto judicial. 


Em outro ponto, é dito que em mais de oito anos de tramitação, o processo conta com mais de duas dezenas de peças periciais. “Trata-se de um conjunto probatório vasto e minucioso sobre o qual a Defesa pode e deve debruçar-se para exercer o contraditório substancial perante o Conselho de Sentença, não havendo justa causa para a paralisação dos trabalhos da Sessão Plenária designada”, foi dito no texto judicial.


Foi assinalado que a data será mantida enquanto não houver decisão contrária do Tribunal de Justiça, considerando que o processo está incluindo em duas metas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), neste caso, com prioridade para julgamento por se tratar de um caso mais antigo e de feminicídio.


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O que a defesa busca


À desembargadora foi relatado, em manifestação assinada pelo advogado Rodrigo Horta, que desde 2024 tentam obter a chamada cópia forense da extração integral dos celulares da vítima e do réu. Foi destacado que o disponibilizado continha apenas  relatórios que não contemplam a integralidade das informações. Uma vez obtidas, os dados seriam, posteriormente, avaliados por um perito da defesa.


A expectativa é de que as informações dos aparelhos possam identificar se a professora Danielly acessou o dispositico após a saída do marido do apartamento, o que poderia indicar que ela ainda estaria viva. 


De acordo com o advogado Marcos Daniel Vasconcelos Coutinho, que também atua na defesa do engenheiro, o material solicitado é relevante para comprovar a inocência de seu cliente.


“A defesa acredita na Justiça e vai buscar os meios de prova disponíveis para demonstrar a inocência do Patrick perante o júri popular”, destaca.


Segundo ele, as provas revelam que a professora foi vítima de um acidente e que, quando Patrick deixou o apartamento, ela ainda estava viva. “Ele não matou a esposa. Acredito na inocência dele e nas provas”, aponta.


O crime e as acusações


Danielly Benício, que lecionava Geografia em uma escola particular de Vitória, foi encontrada morta em 30 de dezembro de 2017, no apartamento em que o casal morava, em Jardim Camburi. A causa da morte foi apontada como hemorragia cerebral devido a traumatismo provocado por ação contundente. 


Patrick Noé foi acusado de homicídio qualificado por motivo fútil e feminicídio, no contexto de violência doméstica e familiar. A acusação sustenta que o engenheiro nutria um sentimento de posse e controle sobre a vítima, monitorando suas redes sociais por meio de um "clone" do aplicativo de mensagens.


Imagens de videomonitoramento do prédio mostraram que ele foi a última pessoa a entrar no apartamento antes da morte da professora, permanecendo no local por cerca de dois minutos antes de sair novamente.


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