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Fios soltos

Fiação embaralhada: poluição visual que só vem aumentando

Cabos velhos de prestadoras de serviços de comunicação não são recolhidos, e ficam pendurados nos postes ou mesmo jogados na rua

Publicado em 12 de Outubro de 2023 às 01:30

Públicado em 

12 out 2023 às 01:30
Tarcísio Bahia

Colunista

Tarcísio Bahia

Na História, não faltam exemplos para demonstrar como o desenvolvimento da sociedade não é uma linha reta, ou seja, não é algo que se dê de modo contínuo. Apesar dos avanços incontestáveis ocorridos ao longo do tempo, também é certo que sempre houveram retrocessos.
Trata-se de uma contradição que talvez seja mesmo intrínseca à humanidade. Em seu processo de engrandecimento, no qual tanto os acertos como os erros fazem parte da experiência humana, sendo elementos necessários ao desejo de construção de uma sociedade mais justa e harmônica, nunca se sabe se determinadas decisões são as mais acertadas ou adequadas num determinado contexto.
Mas há situações em que não há dúvida alguma. Por exemplo, não há nada que justifique jogarmos lixo na rua, ou ainda, deixar o esgoto sanitário correr ao ar livre, e assim por diante.
Entre os diversos avanços proporcionados à sociedade, e que mudou substanciamente a maneira como vivemos e nos relacionamos, estão as novas tecnologias da comunicação e informatização. Algo que se deu graças à internet, cujo acesso público se deu na década de 1990, mas ainda de modo incipiente, até alcançar sua ubiquidade em tempos atuais.
Daí que hoje quase todas as nossas ações passaram a ser dependentes da internet. Sem ela, aparentemente, não somos capazes de fazer nada. E para utilizá-la, é preciso estar conectado.
A juventude atual sequer deve saber ou imaginar que a geração anterior precisava se conectar por meio de sinal telefônico, ao contrário do que fazemos hoje, quando linhas de fibra óptica levam a rede de internet até pontos fixos, de onde ela se distribui via wi-fi.
Muito antes, porém, outro avanço tecnológico provocou tanta transformação como a internet: a invenção da eletricidade!
E entre seus impactos, tivemos a substituição das lamparinas com fogo por lâmpadas elétricas na iluminação urbana. Com isso, a vida noturna das cidades mudou radicalmente, pois a nova iluminação pública das ruas e praças trouxe não só mais segurança, como também possibilitou uma maior circulação de pessoas e a realização de diversas outras atividades entre o pôr e o nascer do sol.
Fios soltos na Rua Desembargador Santos Neves, Praia do Canto, Vitória
A sujeira nem é mais apenas visual, pois agora temos vários outros problemas derivados, inclusive relacionados à segurança de quem circula pelas ruas Crédito: Ricardo Medeiros
Mas a energia que alimenta as lâmpadas chega por cabeamento, que pode ser subterrâneo ou aéreo. A fiação subterrânea, que corre por galerias acessíveis enterradas, deixa a paisagem urbana mais limpa, afinal não se vê aquele embaralhamento de cabos e fios correndo entre os postes de iluminação, tal como se dá hoje na maioria das cidades brasileiras.
Trata-se de uma poluição visual que só vem aumentando, graças à grande quantidade de prestadoras de serviços de comunicação (diga-se, cabos telefônicos e de internet) que usam o poste que, supostamente, deveria ser exclusivo para a iluminação pública.
A legislação brasileira permite que tais prestadores de serviços de comunicação utilizem o posteamento, pagando um valor à concessionária de iluminação pública. Contudo, as companhias de telefonia e internet subcontratam empresas que fazem a manutenção dos cabos e fios quando eles se rompem ou até mesmo quando são roubados.
O problema é que os cabos velhos não são recolhidos, ficando pendurados nos postes ou mesmo jogados na rua. Daí que a sujeira nem é mais apenas visual, pois agora temos vários outros problemas derivados, inclusive relacionados à segurança de quem circula pelas ruas, seja a pé, pedalando, em moto ou qualquer outro tipo de veículo automotor, já que qualquer um pode esbarrar nos fios que estão no chão ou os soltos no ar.
Na maioria das cidades europeias e norte-americanas o cabeamento é subterrâneo. No Brasil temos poucos locais assim, como em parte da zona sul e região central do Rio de Janeiro, em cidades históricas como Ouro Preto e Goiás Velho, ou vilas turísticas litorâneas como Caraíva em Porto Seguro.
No Congresso Nacional há pelo menos dois projetos de lei tratando desse problema. Um deles é para que os cabos inservíveis sejam retirados da área pública (como se precisássemos de um projeto assim para que as companhias fizessem algo tão óbvio, pois é como uma lei dizendo que é proibido matar!). O outro prevê que em cidades grandes e médias o cabeamento seja subterrâneo; mas como isso envolve alto investimento das concessionárias, há muita pressão política para postergar tal normativa.
Acima mencionei o fato de que lixo jogado na rua ou esgoto a céu aberto são coisas injustificadas.
Citemos agora o caso das nossas moradias. Nelas, toda a infraestrutura é escondida, embutida, de tal modo que não vemos, por exemplo, canos de água, esgoto e energia, pois eles estão dentro das paredes.
Nas cidades deveria ser a mesma coisa, como na verdade é em muitas cidades, afinal não vemos a tubulação de água e esgoto que servem às edificações. Portanto, do mesmo modo deveria ser com a rede elétrica, telefônica e de internet, isto é, o ideal é que fosse tudo enterrado, invisível aos nossos olhos, ao invés da enorme sujeira que hoje se vê na maioria das cidades brasileiras.

Tarcísio Bahia

Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovacao e mobilidade urbana tem destaque neste espaco

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