Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Sociedade

Das motonetas elétricas ao ex-presidente, a falta de limites que impera no país

A despeito da questão positiva de não emitirem CO2, é comum vermos condutores desses veículos circulando ora nas calçadas, ora nas vias, de acordo com a própria conveniência

Publicado em 06 de Abril de 2023 às 00:05

Públicado em 

06 abr 2023 às 00:05
Tarcísio Bahia

Colunista

Tarcísio Bahia

Calvin: “Sabe, às vezes parece que as coisas passam muito rapidamente. Nós estamos tão ocupados olhando à frente que não temos tempo de aproveitar. Os dias passam e nós dificilmente percebemos. A vida parece nublada. Às vezes, precisa haver uma calamidade para fazer com que a gente viva o presente”. (“Calvin & Haroldo”, Bill Watterson)
Pais e mães sabem (ou pelo menos, deveriam saber...) que no processo de educação das crianças é preciso impor limites. Uma barreira física, como uma tela numa janela de um apartamento para evitar que a criança caia por ali, é um tipo de limite tanto quanto a imposição de regras ao se dirigir para falar com alguém, incluindo os próprios membros da família.
Em outras palavras, a limitação não deixa de ser um ato de proteção visando nos preparar e condicionar a um tempo futuro em que saberemos fazer nossas escolhas sem a necessidade da intervenção dos nossos progenitores. E assim vamos nos dando conta de que para vivermos em sociedade é sempre necessário o estabelecimento de limites, que moldem tanto nossos direitos, como nossos deveres.
Uma parede que limita um cômodo ou mesmo uma cerca de arame farpado numa propriedade rural são dois tipos de barreiras incontestáveis, cada uma cumprindo sua função conforme as especificidades de cada lugar.
Porém, como já mencionado acima, além das barreiras físicas, existem também aquelas que são comportamentais e que moldam nossos atos sociais.
Não obstante, toda legislação não deixa de ser um limitador das ações humanas. E, como somos cada vez mais controlados por regramentos que vão definindo o modelo da nossa sociedade, aparentemente nossas decisões individuais se pautam por um conjunto estreito de possibilidades.
Mas pra que obedecer certas regras quando elas não nos interessam ou estão em desacordo com nossos desejos?
Aqui no Brasil, por exemplo, se costuma dizer que há leis que pegam e leis que não pegam.
É certo que muitas vezes a linha entre o certo e o errado ou entre o permitido e o proibido é tênue. Também se pode dizer que “tudo que não é proibido é permitido”.
É o caso de muitas vias urbanas onde não há placa de proibido estacionar, o que pode deixar o motorista confuso se pode ou não parar o veículo naquele lugar. Por outro lado, é muito comum vermos carros escancaradamente parados em locais cuja sinalização não deixa nenhuma dúvida de que ali não se pode estacionar.
Já os motoqueiros de entrega por aplicativo, sempre com pressa, parecem mesmo ter suas próprias regras no trânsito das nossas cidades. Conversões proibidas e avanço do semáforo são coisas que não existem para muitos deles. Há até quem pilote a moto fazendo uso do celular, tendo ele encaixado entre o rosto e o capacete!
Bem, se dirigir falando ao celular aparentemente é mesmo algo corriqueiro para um grande número de motoristas de automóveis, por que não seria para os motoqueiros, inspirados no ex-mandatário que nem capacete usava?
Na verdade, aí está a raiz de muitos dos problemas do brasileiro, pois ele não tem nem em quem se mirar, a começar pelos nossos políticos.
Não devem ser todos, mas infelizmente tem aqueles que não veem limite entre o interesse público e o privado,  na hora do uso do cartão corporativo, numa viagem num avião da FAB ou quando se vê diante de um presente recebido, que, como ele deveria saber, não se destina a própria pessoa e sim ao Estado brasileiro.
Aí voltamos àquela questão: será que temos que sempre obedecer às regras que limitam nossa vontade?
Voltando ao tema do trânsito, agora está na moda aquelas motonetas elétricas, que vemos circulando livremente pelas ruas das cidades.
Scooter elétrica é movida a bateria
Scooter elétrica é movida à bateria Crédito: Divulgação Scooter Muuv
A despeito da questão positiva de não emitirem CO2, é comum vermos condutores desses veículos circulando ora nas calçadas (ou passeios), ora nas vias carroçáveis (ou faixas de rolamento, isto é, a parte da rua destinada aos veículos automotores, como carros, motos e ônibus), de acordo com a conveniência deles, sem nenhum tipo de constrangimento com os pedestres e ciclistas.
Ou seja, para eles a limitação entre calçada e faixa de rolamento, definida pelo meio-fio, é algo inexistente.
Por enquanto, resta torcer para que não haja nenhum acidente envolvendo tais motonetas com algum pedestre e/ou ciclista, já que alguns órgãos fiscalizadores têm deixado de lado esse tema ou mesmo feito vista grossa.
Mas, se por infelicidade algo assim ocorrer, já se sabe, não faltará político indo pra frente das câmeras dos telejornais... ah, o resto da história a gente já conhece.

Tarcísio Bahia

Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovacao e mobilidade urbana tem destaque neste espaco

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Influenciadores capixabas compartilham vida matrimonial de forma humorada e viralizam nas redes
Imagem de destaque
Receita Federal libera nova área de contêineres do Porto de Vitória
Imagem de destaque
Carne assada: 5 receitas suculentas e práticas para o almoço e o jantar

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados