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Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovação e mobilidade urbana têm destaque neste espaco

Entre dores, problemas e sofrimentos, vamos seguindo adiante

Quanta gente viva poderia estar por aí, rindo, fazendo os outros rir, ou talvez não, mas apenas vivendo suas vidas, e que se foram pela mesquinhez de alguns

Publicado em 24/06/2021 às 02h00
Homem triste
Para quem morre, porém, não há revés! Já para seus familiares e amigos, normalmente ela – a morte – significa aflição, angústia, desespero e, às vezes, de modo ambíguo, também alívio, conforto, resignação. Crédito: jcomp/Freepik

Se tem algo que a gente aprende, mas só com o passar dos anos, com alguma experiência de vida, é que só não tem problema quem não nasceu ou quem já morreu. Ou seja, basta estar vivo que logo eles aparecem e, com alguma frequência e para nosso desespero, chegam vários ao mesmo tempo.

Para quem morre, porém, não há revés! Já para seus familiares e amigos, normalmente ela – a morte – significa aflição, angústia, desespero e, às vezes, de modo ambíguo, também alívio, conforto, resignação.

Em vida, busca-se a tal felicidade, algo indefinido, pois varia muito, dependendo do ponto de vista, do lugar de cada um no mundo. Costuma-se poetizar que alguém pode ser pobre, ter uma vida simples e ser feliz no seu cantinho, sem aspirar muita coisa, enquanto que os ricos sempre sentem falta de algo, nunca estão satisfeitos, ficam invejando alguém ainda mais rico, acabam fazendo terapia para tratar a depressão ou acabam se suicidando, ou as duas coisas...

Mas não dá pra não sentir dor quando se passa fome, algo cada vez mais crônico neste país que é campeão na produção e exportação de diversos itens que abastecem muitas geladeiras ao redor do mundo, inclusive aqui no Brasil.

Voltando ao sofrimento dos bem alimentados, sabe-se que existem os que ficam numa imperceptível amargura, escondendo-a dentro de si, se remoendo por dentro, alongando a angústia, até que explodem, muitas vezes descontando o rancor naqueles que estão à sua volta, muitos dos quais são pessoas inocentes, gente que nada fez para provocar tanto desprazer nestas pessoas que só carregam o ódio dentro de si, que parecem invejar a alegria dos que curtem estar vivo.

E quanta gente viva poderia estar por aí, rindo, fazendo os outros rir, ou talvez não, mas apenas vivendo suas vidas, e que se foram pela mesquinhez de alguns!

Por outro lado, não é fácil julgar a dor dos outros. Uma simples espinha no rosto pode ser algo traumático para algumas pessoas, principalmente no caso dos adolescentes, com consequências psicológicas que determinarão o comportamento e a sociabilidade de quem sofre com isso. A aparência física, num mundo cada vez mais midiático, das redes sociais em tempo real, pode fazer com que alguém seja confiante ou tímido, seguro ou introvertido, uma pessoa batalhadora, vitoriosa ou, ao contrário, desinteressada, desmotivada.

Numa época em que todo mundo se mostra feliz nas fotos compartilhadas, os transtornos comportamentais são cada vez mais frequentes. Mas muita coisa fica dissimulada pela quantidade de likes que aparecem nas telas dos tablets e smartphones que escondem toda a penúria social.

O fato é que cada um sabe a dor que tem. Uma dor no coração, ou melhor, uma dor de paixão, pode ser tão dolorida quanto uma dor de cabeça, causada por uma ressaca, por exemplo, após uma animada noitada, algo que, em tempos de confinamento social, muitos sentem falta.

E o que dizer de uma dor de dente, como a que tive dias atrás? Parece o fim do mundo (ainda bem que a dentista que tratou do problema foi extremamente competente e, graças a ela, não tive nenhum incômodo, nenhum sofrimento).

Algumas dores, segundo palavras dos que são afligidos por elas, são duradouras, eternas, nunca desaparecem, já vieram desde o parto, e tampouco conseguem ser tratadas, fazendo parte da vida da pessoa.

O sofrimento de Cristo na cruz não significa que temos que padecer em vida para assim guardar um lugar no céu. Serão nossos atos, que incluem generosidade, perdão, empatia, compaixão, que nos darão conforto e inclusive o sentimento de que é possível ser feliz. Ao contrário do que temos visto em muitas pessoas, algumas delas que até pouco tempo estavam perto de nós, ou mesmo num certo governante.

A felicidade não é alheia aos problemas que a vida nos traz. Dores virão, mas também é certo que saberemos lidar com elas. Em contrapartida, ao longo do tempo vamos aprendendo com os erros, acumulando lastro, para saber como evitar os problemas, o que é possível fazer para desaviar das dores.

No entanto, como dito antes, há aqueles que parecem ter como único objetivo tornar a vida dos outros um inferno, descontando suas frustrações pessoais como meio de rebater o sorriso que eles próprios não conseguem expressar. É uma gente que só quer atazanar os demais, fazendo disso sua razão de ser.

Agem de modo desleal, fazem da verborragia uma das suas armas, e no jogo sujo, infelizmente, quase sempre saem ganhando. Até agora, tivemos meio milhão de derrotados, pessoas que perderam o jogo da vida. Partiram, deixando dor nos que aqui ficaram.

Mas a vida continua, e com ela os problemas, os desafios e também as alegrias, as amizades, as conquistas, e é com tudo isso que teremos que seguir adiante.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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