A divulgação do vídeo da reunião do presidente Jair Bolsonaro com seus ministros do dia 22 de abril ainda ecoa fortemente, gerando diversas consequências e não haveria como ficar inerte a tantas questões postas nas falas de todas aquelas pessoas presentes, nas omissões de alguns e no que acontece “aqui fora”. Aqui vou me ater mais especificamente ao papel representado pela ministra Damares Alves e a suas atitudes naquele dia.
Damares chefia o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. Já falei em outras oportunidades dos problemas causados ao colocar “mulher” e “família” na mesma pasta. Com relação à reunião ministerial que tinha, supostamente, o escopo de tratar sobre a mobilização do governo federal para o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus, o que mais se viu escancaradamente foi violação de direitos humanos.
Abraham Weintraub, o ministro da Educação – sim, da Educação, aquela que era a salvação das nossas crianças e das futuras gerações por um mundo melhor até pouquíssimo tempo – disse “odeio o termo 'povos indígenas', odeio esse termo. Odeio”. O chefe dele, Jair Bolsonaro, já havia afirmado antes de ser eleito que caso chegasse ao Poder Executivo, não teria “um centímetro demarcado para reserva indígena ou para quilombola”. E a promessa está de pé.
Ao ouvir as palavras inaceitáveis em uma democracia (se é que a nossa já não está perto do fim) ditas por Weintraub, a ministra Damares deveria ter se insurgido imediatamente, já que está à frente da pasta que leva o nome de Direitos Humanos e, mais ainda, por falar publicamente ser uma defensora dos direitos indígenas – com muita controvérsia neste ponto -, inclusive tendo adotado uma criança indígena (sem formalização da adoção, o que poderia repercutir até em uma conduta criminosa).
Quando Damares disse que estava atuando para que governadores e prefeitos brasileiros fossem presos por agirem no enfrentamento à pandemia da Covid-19, ela escancara o fim da esperança que se pode ter em um governo que prega que direitos humanos é “coisa de esquerdista”.
Na divulgada reunião ministerial, o que menos se viu falar foi sobre a defesa da vida. Aliás, as vidas de todos e todas nunca foram prioridade nem na campanha, nem agora na gestão do atual governo federal. O que se viu no vídeo não foge muito do que é apresentado diariamente pelo governo de forma pública, infelizmente.
O ministro do Meio Ambiente defendeu a morte dos nossos recursos naturais; o ministro da Educação, a morte do decoro, da democracia e da diversidade; o presidente, defende a morte efetivamente. No meio de sua fala, Damares disse que “a maior violação de direitos humanos da história do Brasil nos últimos 30 anos está acontecendo neste momento”. Não poderia concordar mais com a ministra.