Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Vantagem competitiva

Investir no sustentável dá dinheiro

O Brasil é um país sustentável, com um potencial de geração de energia fantástico. Onde o mundo vai produzir aço verde, biocombustível de aviação e motores de carros elétricos? No Brasil!

Públicado em 

18 set 2024 às 02:00
Rafael Furlanetti

Colunista

Rafael Furlanetti

Estado tem incentivado o uso de energias renováveis no campo, como a solar, que utiliza placas fotovoltaicas
Estado tem incentivado o uso de energias renováveis no campo, como a solar, que utiliza placas fotovoltaicas Crédito: Pixabay
Como todo bom interiorano, aos sábados o meu pai me pedia para lavar o carro dele para que, depois, a gente desse uma volta pelo centro de São Gabriel da Palha. E, ali nos anos 1990, lavar o carro significava deixar a mangueira jorrando água até sair toda a sujeira. Hoje, isso daria vídeo nos grupos de WhatsApp e o meu cancelamento nas redes sociais. Mas os tempos eram outros, e a sociedade não tinha a consciência atual. Aprendemos que os recursos naturais são finitos e precisamos usá-los com eficiência e sem desperdício.
Essa lição não serve apenas para quem deixa a torneira aberta. Ela passou a ser parte da estratégia de países e grandes corporações, preocupados com recursos que vão se esgotar e em substituí-los por opções ambientalmente amigáveis. No caso do petróleo, tornou-se fundamental que os governos e o setor empresarial invistam hoje em alternativas de energia renovável para garantir o nosso amanhã. E poucos países se posicionam tão bem nessa corrida quanto o Brasil.
Todo mundo considera a Índia como a "bola da vez" da economia global. Pois a Índia tem um problema: 82% da sua matriz energética é à base de carvão, diesel e madeira — altamente emissores de gases de efeito estufa. O grande motor do mundo, a China, tem liderado os investimentos em energia renovável, mas ainda assim tem 61% da sua eletricidade dependente do carvão. A China queima mais carvão todo ano que o resto do mundo somado.
O Brasil é bem diferente: 61% da eletricidade consumida aqui vem de hidrelétricas, 12% de usinas eólicas, 8% de biomassa, 5% de solar e 2% de nuclear. Ou seja, 88% da energia elétrica que você, eu e todos os 210 milhões de brasileiros consumimos é gerada por fontes renováveis.
Esse cenário nos dá uma enorme vantagem competitiva, num mundo de uso intensivo de Tecnologia da Informação e numa economia centrada em dados. Explico. Você já deve ter testado algum sistema de inteligência artificial, como o Chat GPT. É muito legal. Agora, deixe-me dar uma informação: um dia de uso do Chat GPT demanda energia equivalente ao consumo de 26 mil casas de um morador americano médio em um ano! Em outras palavras, o consumo de dados, de TI e de IA é um consumo de energia.
E de onde vai sair essa energia? Onde os grandes data centers globais vão se instalar? Na Índia, com energia a carvão, provocando alto impacto ambiental e precisando compensar suas emissões de carbono na atmosfera? Ou no Brasil, com energia limpa? Não podemos perder essa chance de atrair as grandes empresas de tecnologia e de liderar a transição energética.
Num contexto de tensões geopolíticas cada vez maiores, nós temos duas coisas que o mundo todo quer: alimentos e energia produzidos com respeito ao meio ambiente. Esta é uma vantagem comercial e de investimentos que devemos trabalhar melhor.
Para isso, a gente precisa se orgulhar mais do que há de bom por aqui e divulgar esses fatores positivos. O Brasil é um país sustentável, com um potencial de geração de energia fantástico. Onde o mundo vai produzir aço verde, biocombustível de aviação e motores de carros elétricos? No Brasil! Se o Congresso aprovar uma legislação que incentive o investimento privado e assegure a proteção ambiental, o Brasil pode virar o grande polo mundial de energia renovável.
O Espírito Santo também tem muito trabalho a fazer. Dados da Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo mostram que a produção de energia renovável no Estado foi de 11,1% em 2021. Há espaço para mais. A média brasileira é de quase 40%.
Precisamos parar de falar que investir em sustentabilidade não dá dinheiro. Dá muito dinheiro, e estamos diante de uma oportunidade gigantesca. No ano que vem, Belém, no Pará, vai sediar o maior evento global de meio ambiente, a COP 30, com líderes de mais de 100 países e presidentes das principais corporações multinacionais. É uma chance de mostrarmos o que já fizemos e que podemos fazer mais e melhor daqui para a frente.

Rafael Furlanetti

Capixaba de Sao Gabriel da Palha, e socio e diretor de Relacoes Institucionais da XP e presidente da Ancord (Associacao Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Titulos e Valores Mobiliarios, Cambio e Mercadorias). Escreve quinzenalmente neste espaco sobre empreendedorismo, inovacao e negocios ao publico do Espirito Santo

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Major Angelo Martins Denicoli, acusado de participar da trama golpista após as eleições de 2022
Major do ES pode perder patente no Exército após ser preso? Entenda
Imagem de destaque
Os riscos por trás de uma delação de Daniel Vorcaro, segundo especialistas
Marcelo Diniz Alves, de 49 anos, é líder do PCC e foi preso em Guarapari
Líder do PCC que atua em região alvo de ataques em Vila Velha é preso

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados