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Crítico de cinema e colunista de cultura de A Gazeta

"The Witcher", da Netflix, é deleite para os fãs dos livros e jogos

Série de fantasia lançada nesta sexta (20) leva para as telas toda a riqueza do universo fantástico criado pelo escritor polonês  Andrzej Sapkowski

Publicado em 20/12/2019 às 04h01
Atualizado em 20/12/2019 às 04h02
Henry Cavill como Geralt de Rivia em
Henry Cavill como Geralt de Rivia em "The Witcher". Crédito: Katalin Vermes

Se tem algo que deve ser logo destacado ao falar de “The Witcher” é que a série não é e nem tenta ser um novo “Game of Thrones”. Com a primeira temporada lançada nesta sexta-feira (20) pela Netflix, a série baseada nos livros do polonês Andrzej Sapkowski é muito mais focada na fantasia e na aventura do que no jogo de poder dos livros de George R. R. Martin e da série da HBO.

Popularizada pelos três excelentes jogos, “The Witcher”, a série, acompanha os passos principalmente de três personagens: Geralt de Rívia (Henry Cavill), Yennefer de Vengerberg (Anya Chalotra) e Ciri (Freya Allan). Outros, claro, cruzam seus caminhos, como o bardo Jaskier (Joey Batey), conhecido como Dandelion nos jogos, a rainha Calanthe (Jodhi May) e a feiticeira Triss Merigold (Anna Shaffer) - tudo é muito fiel ao universo criado por Sapkowski e levado para os consoles pela empresa polonesa CD Projekt RED.

Anya Chalotra como Yennefer em
Anya Chalotra como Yennefer em "The Witcher". Crédito: Katalin Vermes

No Continente, onde toda a trama se desenrola, humanos, elfos e bruxos convivem juntos, mas a tensão entre espécies é grande. Os mutantes são frutos de experimentos, humanos submetidos à magia que os conferiu alguns poderes, agilidade e força. Sem espaço na sociedade, eles foram relegados ao papel de caçadores de monstros, ou seja, se tem um monstro atormentando as cidades (e são muitos monstros), o bruxo aceita um contrato e vai atrás da criatura para matá-la. É tudo questão de grana e essa dinâmica fica clara logo nos primeiros minutos da série.

O caráter episódico também é percebido logo de cara. Os cinco episódios disponibilizados pela Netflix à imprensa (de um total de oito) possuem ritmos e histórias distintas. Como dito acima, eles acompanham três personagens centrais e sabemos que em algum momento os caminhos deles se encontrarão. A cada história, uma nova peça do quebra-cabeças se encaixa e o espectador vislumbra mais um pouquinho do cenário gigante que se constrói.

Freya Allan como Ciri em
Freya Allan como Ciri em "The Witcher". Crédito: Katalin Vermes

A trama pode parecer estranha e demorar um pouco para conquistar os não iniciados no universo criado por Sapkowski, mas tem tudo para agradar os fãs de fantasia medieval e histórias de capa e espada. Para os que já foram contaminados pelos jogos ou livros, “The Witcher” é um deleite cheio de referências que nunca parecem gratuitas - cada personagem, seja ele humano, elfo, bruxo ou monstro, surge para somar, contar uma história ou explicar algo sempre de maneira orgânica.

Henry Cavill está excelente como Geralt de Rivia. Sim, o ator é canastrão, mas sua interpretação dialoga diretamente com o Geralt dos jogos - da impecável imposição de voz aos movimentos cadenciados de um sujeito cansado, com um peso nas costas. Nas cenas de ação o britânico brilha sem o uso de dublês e computação gráfica. As lutas de espada são mostradas em takes longos, dando mais vigor às batalhas, e as coreografias não têm glamour algum. “The Witcher” faz valer o custo de US$ 80 milhões da temporada e confirma a qualidade técnica das séries, que caminham lado a lado com o melhor do cinema.

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