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Crítico de cinema e colunista de cultura de A Gazeta

"Sintonizados no Amor": confortável comédia romântica na Netflix

Lançado pela Netflix na última semana, "Sintonizados no Amor" faz bom uso de fórmula consagrada para entregar uma comédia romântica confortável

Vitória
Publicado em 28/11/2020 às 01h41
Atualizado em 28/11/2020 às 01h41
Filme
Filme "Sintonizados no Amor", da Netflix. Crédito: Netflix/Divulgação

É difícil falar de obras que usam fórmulas consagradas. Não há novidades, não há frescor, mas há o conforto, o aconchego. Nesse cenário, “Sintonizados no Amor” não é original nem no título que ganhou por aqui - “Sintonia de Amor”, clássico noventista com Tom Hanks e Meg Ryan, vem à memória ao ler o nome do novo lançamento da Netflix.

Ao contrário do filme de Nora Ephron, no entanto, o filme dirigido por Max McGuire para Netflix traz o amor não entre dois desconhecidos que se apaixonam através das ondas do rádio, mas sim dois amigos de infância, Maggie (Natalie Hall) e Jack (Evan Williams), que apresentam um programa juntos na rádio de Chicago. No ar, eles dão dicas de relacionamentos e falam sobre os próprios "crushs", às vezes se expondo mais do que deveriam em um programa ao vivo…

O conflito do filme surge quando eles recebem uma proposta de uma grande rede nacional de rádio para um especial de fim de ano em que teriam que levar seus respectivos namorados. O problema é que os dois são dispensados no mesmo dia. Como, então, ter uma surpresa no programa especial? Jack sugere que eles finjam ser namorados, algo que definitivamente causaria o desejado impacto, visto que um relacionamento entre eles é anseio antigo da audiência do programa matinal que apresentam e até das famílias de ambos.

O namoro de mentira traz à tona lembranças da infância e de histórias mal-resolvidas da adolescência para o casal de mentirinha. Com poucas surpresas no roteiro, é fácil imaginar como o filme vai caminhar até seu fim - inclusive com pouco mais de 20 minutos já é possível adivinhar o clímax, mas essa sensação de não ser surpreendido é justamente o que o público espera de um filme do gênero.

“Sintonizados no Amor” é bem eficaz quando aposta na química entre Maggie e Jack. Amigos de longa data, os dois se entendem no olhar e se provocam o tempo todo. O formato de comédia romântica dos anos 1990 se encaixa bem no filme, que ganha um ar mais contemporâneo com texto ágil e diálogos rápidos. Há até um pouco de Woody Allen - o filme retrata Chicago quase como uma personagem, algo que o diretor nova-iorquino sempre fez com suas ambientações, seja Nova York, Barcelona, Paris ou Roma.

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Filme "Sintonizados no Amor", da Netflix. Crédito: Netflix/Divulgação

O que, então, incomoda em um cenário com boas referências, química entre os protagonistas e um certo aconchego? Pouca coisa, na verdade. Exceção feita a algumas coincidências do texto, sempre uma saída fácil para movimentar a trama, “Sintonizados do Amor” é correto do início ao fim, mas essas trapaças do roteiro tiram a força de um filme que poderia ir além do básico.

O filme de Max McGuire é uma boa comédia romântica, com protagonistas carismáticos e uma ambientação interessante. É curioso que eles tratem Chicago como um mercado pequeno, pois a cidade é uma das maiores dos EUA, mas essa escolha confere ao filme um aspecto local, como se os personagens pudessem ser nossos vizinhos ou alguém que conhecemos em uma cidade pequena.

O grande mérito de “Sintonizados no Amor” é ser simples e não fingir ser mais do que é. O filme lançado pela Netflix é o que se convencionou a chamar de “feel good movie”, ou seja, o filme que faz o espectador se sentir bem. É totalmente esquecível, mas não ambiciona oferecer mais do que um divertimento rápido e genérico.

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