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Luto

Rike Soares e a Antimofo mudaram a noite e as vidas de Vitória

Morto nesta quinta-feira (15), Rike Soares era o fundador da produtora Antimofo, que desde 2004 transformou a noite de Vitória com shows e festas que moldaram a identidade do capixaba nas últimas décadas

Publicado em 15 de Outubro de 2020 às 13:49

Públicado em 

15 out 2020 às 13:49
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

O produtor cultural Henrique Sores, o Rike Soares
O produtor cultural Henrique Sores, o Rike Soares Crédito: Reprodução/Facebook Rike Soares
Confesso começar a escrever este texto ainda em choque, talvez tentando organizar e colocar para fora um pouco dos sentimentos que a notícia da morte do amigo Rike Soares me trouxe nesta manhã de quinta-feira.
Parece um exagero, mas não é um equívoco dizer que Rike revolucionou a vida noturna alternativa na Capital. Em 2004, ano das primeiras festas da Antimofo, a cultura mudou. As festas no Clube Centenário, em plena Praia do Canto, reuniam a galera do hardcore à da música eletrônica - em pouco tempo várias galeras diferentes se tornaram uma só, a da Antimofo.
Sob o comando de Rike, o Centenário recebeu shows de bandas de rock e de artistas como a Madoninha Capixaba, tudo no mesmo clima de alegria e respeito. Se tem algo que pode ser dito sobre a Antimofo é que a produtora criou um lugar seguro para o público LGBTQIA+ jovem, que finalmente sentia pertencer a um meio. Mais tarde vieram Stone Pub, Fluente e Bolt que só tornaram sólido o que ele havia começado a construir lá atrás.
Foram nessas festas e shows que nasceu uma unidade, uma identidade Antimofo. Pessoas que antes se consideravam diferentes enxergavam muito mais semelhanças entre seus diferentes. Nasceram amizades, relacionamentos e ideias.
Rike era inquieto e tinha algumas ideias de jerico, como o famoso carro que circulou por Vitória tocando “Imagine”, de John Lennon, durante a greve da Polícia Militar em 2017 - uma ideia brega, sim, mas maravilhosamente brega, que aqueceu o coração de muita gente que estava trancada em casa com medo de sair às ruas.
A minha relação com a Antimofo nasceu nas festas de rock no Centenário. Entenda, festas não eram uma constante na vida do jovem roqueiro dos anos 2000 e, por isso, reagi com surpresa ao ser convidado por Rike para discotecar em uma de suas “Escolas do Rock”. “Mas posso tocar o que eu quiser, posso tocar um hardcore?” perguntei, incrédulo, “Você que manda. Funciona assim ó….”, respondeu, logo emendado em uma explicação sobre o equipamento.
Registro de um show do Auria no Clube Centenário, em 2010 Crédito: Vitor Malheiros
Voltei a tocar outras vezes no Centenário e no Stone Pub, sempre me divertindo, sempre sendo bem recebido. Toquei também com minha banda em ambas as casas e era muito legal receber o abraço do Rike ao fim dos shows, estando a casa cheia ou não, dizendo “foda demais! Você se transforma”.
Se sua morte é sentida por toda uma comunidade, que sua vida seja lembrada por todos também. Rike e a Antimofo transformaram a vida noturna em Vitória, mas fizeram mais do que isso: transformaram a vida de muita, mas muita gente. Que descanse em paz.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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