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Crítico de cinema e colunista de cultura de A Gazeta

Ennio Morricone criava trilhas como protagonistas dos filmes

Lendário compositor italiano morreu nesta segunda-feira (6), na Itália, após sofrer um acidente doméstico.

Publicado em 06/07/2020 às 13h46
Ennio Morricone
Ennio Morricone. Crédito: Imdb/divulgação

Ennio Morricone era um gênio e você talvez nem se dê conta disso, apenas vem consumindo sua genialidade ao longo dos últimos cinquenta e tantos anos. Um dos mais prolíficos e admirados compositores do cinema mundial, o italiano morreu nesta segunda-feira (6), aos 91 anos, hospitalizado após sofrer uma quebra e quebrar o fêmur.

Morricone foi indicado a seis Oscar ao longo da carreira, um número pequeno de indicações para alguém tão importante. Ele levou um prêmio, em 2016, por “Os Oito Odiados”, de Quentin Tarantino, curiosamente um diretor que havia criticado pela maneira como fazia uso de suas trilhas antigas em filmes como “Kill Bill”, “Bastardos Inglórios” e “Django Livre”. “Ele coloca as músicas em seus filmes sem coerência. Não dá para fazer nada com alguém assim”, criticou o maestro, antes de completar: “eu não gostaria de trabalhar com ele novamente, em nada”. Ainda bem que ele não cumpriu sua promessa. Antes do prêmio pelo filme de Tarantino, Morricone havia sido premiado pela Academia com um Oscar especial pelo conjunto da obra, em 2007.

Ao invés de assistir ao filme e compor em cima de determinadas cenas, Morricone ajudou a criá-las, trabalhando e escrevendo a partir do roteiro, sua maneira preferida de trabalhar. Foi assim, inclusive, que trabalhou nos clássicos faroestes de Sergio Leone como “Três Homens em Conflito” (1968) e “Era Uma Vez no Oeste” (1968) - cujo assobio se tornou um clássico atemporal.

Apesar de ter seu nome constantemente associado a faroestes, o compositor italiano fez trabalhos primorosos para outros gêneros. Em “A Missão” (1986), de Roland Joffé, eternizou um solo de oboé que nasceu “por obrigação”. Morricone acreditava que deveria ter ganhado o Oscar por esse trabalho, mas perdeu para outro gênio, Herbie Hancock, por “Por Volta da Meia-noite”.

Trabalhou com Pedro Almodóvar (“Ata-me”), Brian de Palma (“Os Intocáveis”), Roman Planski (“Busca Frenética”), Giuseppe Tornatore (“Cinema Paradiso”), entre vários oturos nomes que tiveram nas composições de Morricone um personagem extra para abrilhantar seus filmes.

Genial até em sua despedida, deixou pronto seu obituário, pois “não queria dar trabalho”.

Leia o obituário de Ennio Morricone:

"Ennio Morricone está morto. Anuncio a todos os amigos que sempre estiveram próximos de mim e também aos que estão um pouco distantes e os saúdo com muito carinho.

Impossível nomear a todos. Mas uma lembrança especial vai para Peppuccio e Roberta, amigos fraternos muito presentes nos últimos anos de nossa vida. Há apenas uma razão que me leva a cumprimentar todos assim e a ter um funeral privado: não quero incomodá-los.

Saúdo calorosamente Inês, Laura, Sara, Enzo e Norbert por terem compartilhado grande parte da minha vida comigo e com minha família. Quero lembrar com carinho as minhas irmãs Adriana, Maria, Franca e seus entes queridos e que elas saibam o quanto eu as amava.

Uma saudação completa, intensa e profunda aos meus filhos Marco, Alessandra, Andrea, Giovanni, minha nora Monica e aos meus netos Francesca, Valentina, Francesco e Luca. Espero que eles entendam o quanto eu os amava.

Por último mas não menos importante (Maria). Renovo a você o extraordinário amor que nos uniu e que lamento abandonar. Para você, o adeus mais doloroso."

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