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Crítico de cinema e colunista de cultura de A Gazeta

"Abaixo de Zero", da Netflix, é eficaz mistura de policial e terror

"Abaixo de Zero", filme espanhol lançado pela Netflix, ganha identidade própria ao criar um clima de terror slasher para desenvolver narrativa policial

Vitória
Publicado em 01/02/2021 às 17h53
Atualizado em 01/02/2021 às 17h53
Filme espanhol
Filme espanhol "Abaixo de Zero", da Netflix. Crédito: Quim Vives/Netflix

A popularização de serviços de streaming, principalmente da Netflix, a mais global das plataformas, amplificou o alcance de obras que muitas vezes ficaram esquecidas em seus nichos ou países de origem - vale lembrar que o fenômeno “La Casa de Papel” teve recepção morna quando exibido originalmente na Espanha. Foi só quando chegou ao streaming que a série ganhou popularidade e mais temporadas do que precisava ter.

O sucesso da trama de assalto fez com que a Netflix voltasse seus olhares para a produção audiovisual espanhola. A partir de séries como as ótimas “Valéria” e “As Telefonistas” e filmes como “O Poço”, “O Bar” ou “Um Contratempo”, a Espanha mostrou a qualidade e a variedade de sua produção, que passeia por estilos e gêneros variados. “Abaixo de Zero”, lançado na última semana, é o mais recente exemplar da safra.

Um original Netflix, o filme dirigido por Lluís Quílez tem início como um faroeste de comboio. Em seu primeiro dia em uma nova delegacia, o policial Martin (Javier Gutierrez) recebe a missão para transferir um grupo de prisioneiros ao lado do truculento Montesinos (Isak Férriz). Em uma noite gelada, o caminhão de transporte é brutalmente atacado por um homem misterioso. No meio do nada, sem comunicação alguma ou resgate eminente, policiais e presos têm que sobreviver ao ataque.

É nesse ponto que “Abaixo de Zero” deixa a influência dos faroestes de lado para abraçar o terror slasher. O ataque vai aos poucos ganhando contornos sádicos e cada vez mais violentos. Todos estão com a vida em risco e pouco podem fazer para mudar isso. Aos poucos, também, vamos entendendo o que está acontecendo ali e a trama começa a caminhar. 

Filme espanhol
Filme espanhol "Abaixo de Zero", da Netflix. Crédito: Quim Vives/Netflix

O roteiro tem problemas desenvolvendo os personagens. Martín até tem um pequeno momento no início do filme, mas é só; Montesinos, seu parceiro, nem isso tem. A situação criada pelo filme requer que o público crie alguma empatia pelos presos, mas eles têm zero profundidade; apenas Ramis (Luis Callejo) ganha algum tempo importante de tela para contar sua história.

O texto é eficiente, construindo bem a tensão no primeiro ato e apresentando algumas reviravoltas interessantes, mas dependendo demais de algumas coincidências muito convenientes para se movimentar. Ninguém que receberia os presos, por exemplo, dá falta de um caminhão de transporte? Claro que toda a mise-en-scène é construída para fins de dramaticidade, mas a audiência precisa acreditar na ideia do filme para sentir sua força.

Filme espanhol
Filme espanhol "Abaixo de Zero", da Netflix. Crédito: Quim Vives/Netflix

No terceiro ato, “Abaixo de Zero” muda novamente de gênero e se transforma em um filme policial mais convencional. Neste ponto, aquele pingo de desenvolvimento de Martín faz diferença para que entendamos suas escolhas quando a conclusão se aproxima. O texto humaniza os presos e também o sujeito que ataca o caminhão, e comprar ou não essas ideias faz toda diferença no final do filme. O fim é questionável, mas satisfatório.

“Abaixo de Zero”, ao fim, é um bom entretenimento, algo bem similar aos filmes recentes de Liam Neeson - nenhum deles é ruim, mas a gente nem se lembra qual é qual depois de um tempo. Bem feito, com boa ambientação e boas atuações, o filme espanhol dificilmente vai marcar alguém, mas tampouco deixa a impressão de que aqueles 105 minutos foram desperdiçados.

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