Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Crítica

"A Escavação": filme da Netflix é um elegante ensaio sobre o fim

Com classe, elegância e grande elenco, filme britânico "A Escavação", da Netflix, reconstrói uma das maiores descobertas arqueológicas da Europa

Publicado em 30 de Janeiro de 2021 às 15:05

Públicado em 

30 jan 2021 às 15:05
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

Filme
Filme "A Escavação", da Netflix Crédito: Larry Horricks/Netflix
Em 1939, às vésperas da entrada da Inglaterra na Segunda Guerra Mundial, o autodidata escavador amador Basil Brown encontrou um grande tesouro na propriedade de Sutton Ho, ao Sul da Inglaterra. Comprada pelo casal Frank e Edith Pretty, a propriedade era calma, mas com uma topografia diferente que gerava vários boatos sobre o que teria acontecido por lá séculos antes.
Após a morte de Frank, Edith resolveu escavar a terra para desvendar seus mistérios. Na primeira escavação, já com o auxílio de Basil, eles encontraram três túmulos em um monte pequeno de terra . Mais tarde, Basil resolveu escavar um monte maior e mais próximo da casa de Edith, lá descobriu restos de um barco, um “navio fantasma” contendo diversos artefatos, caixões e história.
Primeiramente tida como uma embarcação viking datada da chegada e ocupação dos nórdicos na Inglaterra, a descoberta datava de antes, do Império Bizantino, e mostrava que os anglo-saxões, ao contrário do que se acreditava, eram um povo socialmente organizado, bem diferente da ideia que os ingleses tinham da “Idade das Trevas”.
Desde o início, há em “A Escavação”, filme lançado nesta sexta (29) pela Netflix, a eminência do fim. Dirigido pelo jovem australiano Simon Stone, o filme recria os momentos da descoberta do “navio fantasma” com elegância e até uma urgência inesperada para esse tipo de narrativa.
O filme já começa com a chegada de Basil (Ralph Fiennes) à propriedade de Edith (Carey Mulligan). Pouco depois já acompanhamos os dois em campo e o início das escavações. Não demora também para que o barco seja descoberto, e é a partir daí que “A Escavação” se desenvolve. A descoberta faz com que a Coroa Britânica envie arqueólogos para a região. Todas as pessoas que lá chegam são, de alguma forma, afetadas pela descoberta.
Filme
Filme "A Escavação", da Netflix Crédito: Larry Horricks/Netflix
A relação entre Basil e Edith é silenciosa, de respeito e admiração, mas também de muitas interrogações. Ela lida com a proximidade do fim enquanto ele entende a possibilidade de ter seu nome na História. É interessante que o filme trate da importância da descoberta ao mesmo tempo em que convive com a destruição eminente - aviões da Força Aérea Britânica sobrevoam o local da escavação diariamente. Por momentos, também acompanhamos Londres às vésperas dos bombardeios alemães. No momento em que descobrem um artefato histórico, o legado britânico se vê em risco de destruição.
Aprendendo sobre o passado e diante de algo grandioso, tudo parece pequeno para aquelas pessoas que, de uma forma ou de outra, convivem com esse paradoxo. O roteiro dá espaço para subtramas, como a do casal Peggy (Lily James) e Stuart (Ben Chaplin) e seus respectivos conflitos (não vou entrar em spoilers). “A Escavação”, assim, quase esbarra no melodrama, mas se afasta com classe e elegância.
Filme
Filme "A Escavação", da Netflix Crédito: Larry Horricks/Netflix
Simon Stone usa elipses para tratar a escavação, sua verdadeira protagonista, como uma memória. Há saltos temporais e até diálogos em que os personagens não mexem a boca, como uma história narrada e construída por eles mesmos a partir de recortes de lembranças. Isso também reforça o clima de sonho em alguns relacionamentos, principalmente no arco de Peggy.
“A Escavação” é um filme surpreendentemente fácil, o que acontece principalmente pelas atuações de Carey Mulligan (que substituiu Nicole Kidman aos 45 do segundo tempo) e Ralph Fiennes. Edith é construída como uma mulher fisicamente frágil, mas moralmente imponente não apenas por seu status.
Já Basil é um sujeito que luta contra o mundo por não ter uma educação formal sobre o assunto, mas possuir mais conhecimento sobre ele do que todos envolvidos. Edith enxerga isso, mesmo em poucas palavras - ambos são introspectivos, silenciosos, mas se entendem nos gestos, nas atitudes e nos olhares.
A ausência de grandes embates e de uma narrativa mais convencional pode incomodar, mas o filme de Simon Stone tem seu conflito principal sustentado pelo antagonismo entre mortalidade e legado. “A Escavação” é um filme delicado, construído com classe e elegância que funciona quase como uma homenagem a pessoas que por anos ficaram apagadas da História.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Obras do Transcol na Avenida Carlos Lindenberg, que fazem parte do projeto Expresso GV, um corredor exclusivo de ônibus (BRT)
Após reclamações, Avenida Lindenberg tem ajustes em obra e trânsito melhora
Jiboia é resgatada de estante de uma casa na Prainha em Vila Velha
Jiboia é encontrada em estante de casa na Prainha, em Vila Velha
Imagem de destaque
5 dicas de decoração para deixar a casa mais aconchegante no inverno

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados