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Saúde do pet

Veja dicas de como tratar e retardar a “Doença de Alzheimer” em cães e gatos

Conheça a história de Dudi, acometido pela doença, e de como a sua família precisou agir diante do sofrimento do cãozinho. E também confira as explicações da médica-veterinária especialista, Mestre e Doutora em Neurologia Veterinária, Luciana Felício de Paula Maestri

Publicado em 05 de Outubro de 2021 às 02:00

Públicado em 

05 out 2021 às 02:00
Rachel Martins

Colunista

Rachel Martins

O cachorrinho Dudi ainda filhote
O cachorrinho Dudi ainda filhote Crédito: Divulgação
O poodle Dudi chegou recém-nascido em 2002, com 45 dias, para integrar a família da advogada, especialista em Direito Empresarial e Processual Civil, Lais Nassur Alves. De porte médio, o cachorrinho sempre muito ativo, logo apresentou um comportamento alvoroçado, e desde que colocou os pés na nova casa conquistou o coração de todos, principalmente de Neila Nassur e Eduardo Mignone, seus pais, e foi muito, muito amado durante sua vida.
“Bonzinho, bonzinho, ele não era, mas chamava a atenção pela imponência. Ele era tão agitado que chegamos até a contratar um psicólogo para animais na tentativa de deixá-lo mais tranquilo, porque ele latia bastante, era muito forte, bagunceiro, como todo bom cachorro. Enfim, foi um excelente companheiro e muito, muito amado por todos nós”, lembra Lais.
Até que em meados de 2018, já com 16 anos, explica, ele começou a apresentar um comportamento um pouco mais dependente. E já no início de 2019, a agitação foi dando lugar a um cansaço e também passava mais horas dormindo.
A advogada Lais Nassur Alves, mãe de Dudi, acometido com a Doença de Alzheimer, qeu sofreu muito
A advogada Lais Nassur Alves, mãe de Dudi, acometido com a Doença de Alzheimer, qeu sofreu muito Crédito: Arquivo pessoal
“De repente, percebemos uma mudança brusca, ele começou a ter mais dificuldade para levantar, a audição e a visão começaram a ficar bastante debilitadas, e observamos uma dependência maior para certas atividades que antes ele realizava com facilidade”, ressalta Laís.

Momento difícil

Ela explica, ainda, que Dudi já não saía correndo e latia quando a campainha tocava e começou a perder a vontade de passear, algo que ele amava fazer diariamente.
“Foi quando decidimos levá-lo ao seu médico-veterinário, que desconfiou logo da “Doença de Alzheimer” (também conhecida como demência senil) devido às sucessões de fatos ocorridos em um curto espaço de tempo, como a perda de audição e de visão, ele foi ficando bem devagar, já não aguentava andar tanto e, posteriormente, foi perdendo a mobilidade das partes traseiras, principalmente da pata esquerda. Foi tudo muito rápido e progressivo”, lembra, emocionada, Lais.
Além disso, Dudi também começou a rodar em volta de si mesmo o tempo inteiro, até que não levantava mais, vocalizava (uivava) muito e não conseguia dormir de jeito nenhum.
“O Dudi morava com os meus pais. Mas os dois são idosos e começaram a ficar muito tristes com a situação do fiel companheiro. Até que decidimos levá-lo à médica-veterinária, Doutora em Neurologia Veterinária, Luciana Felício de Paula Maestri, que o diagnosticou realmente com "Doença Alzheimer", em um estado bastante avançado já. Ele foi medicado, com alguns remédios para melhorar a oxigenação cerebral, suplementos, inclusive o Clonazepam, para ver se conseguiria dormir”, explica Laís.
Eduardo Mignone cuidava de Dudi dia e noite lhe dando muito carinho, aqui Dudi já não fazia praticamente nada e uivava o dia inteiro
Eduardo Mignone cuidava de Dudi dia e noite lhe dando muito carinho, aqui Dudi já não fazia praticamente nada e uivava o dia inteiro Crédito: Arquivo pessoal
A advogada ressalta, ainda, que ele só conseguia relaxar quando o colocava em uma certa posição na caminha, com óleo de lavanda, mas era por muito pouco tempo.
“Foi um momento muito difícil e delicado, não é fácil ver o sofrimento de um cachorrinho que passou uma vida ao seu lado. E, em contrapartida, os meus pais idosos estavam exaustos, querendo, claro, oferecer tudo o que estivesse ao alcance de ambos para minimizar a dor de Dudi. Eles não queriam nem pensar na despedida”, ressalta Lais.
Mas a advogada confessa que todos chegaram a um ponto de estresse tão grande que, com muita dor no coração, começaram a cogitar uma solução para acabar com o sofrimento de Dudi. Mas não sem antes ir em busca de uma segunda opinião.

Decisão dolorosa

“Essa é sempre uma decisão dolorosa, muito, muito difícil. E ao mesmo tempo que não queríamos ver a dor de nosso amiguinho, também não aceitávamos deixá-lo partir. Mas meus pais estavam exaustos e começaram a ficar doentes com aquela dedicação 24 horas. E tentamos de tudo, não medimos esforços para tentar fazer com que Dudi tivesse uma qualidade de vida melhor neste final de vida, contratamos até uma fisioterapeuta para tratá-lo em casa. Mas não adiantou, o sofrimento dele era visível. E nessa segunda opinião, até o médico-veterinário nos disse que Dudi estava em um sofrimento muito grande e o quadro era irreversível”, conta a advogada.
“A dor era tão grande para todos que no consultório do médico-veterinário minha mãe teve um pico de pressão e precisou ser levada às pressas para o hospital, onde acabou ficando internada. Depois, após ela se acalmar, conversamos muito e consegui convencê-la a deixar o Dudi partir. E assim foi feito. Choramos e sofremos muito, claro, mas vimos que era o melhor caminho. Despedida é sempre muito dolorosa. Hoje, as cinzas do nosso fiel companheiro vão ficar no nosso sítio, onde ele adorava ir. Temos muitas saudades dele, mas também, por outro lado, temos a certeza de que ele sabe que tentamos tudo e a única coisa que não queríamos é vê-lo passando por aquele sofrimento sem tamanho”, conta, muito emocionada, Laís.

Doença neurodegenerativa

A médica-veterinária especialista, Mestre e Doutora em Neurologia Veterinária, Luciana Felício de Paula Maestri, que tratou inicialmente de Dudi, explica que nos últimos anos vêm aumentado a expectativa de vida dos cães e gatos devido aos melhores cuidados por parte de seus tutores, como melhora na qualidade dos alimentos fornecidos, controle de doenças infectocontagiosas por vacinas, controle de endoparasitas (vermes) e ectoparasitas (pulgas e carrapatos).
A médica-veterinária, especialista, Mestre e Doutora em Neurologia Veterinária, Luciana Felício de Paula Maestri, explica sobre a Doença de Alzheimer em cães e gatos
A médica-veterinária, especialista, Mestre e Doutora em Neurologia Veterinária, Luciana Felício de Paula Maestri, explica sobre a Doença de Alzheimer em cães e gatos Crédito: Arquivo pessoal
“Com isso, é frequente encontrar cães com até 19 e 20 anos e gatos com até 21 anos. Um cão de raça toy (Pinscher, Spitz Alemão, Chihuahua, Yorkshire, Maltês), de até 6 quilos, ou de raça de médio porte (Cocker Spaniel, Poodle American Bully Standard, Buldogue Francês, Lhasa Apso), com 15 a 20 quilos, são considerados idosos a partir de sete ou oito anos. Já cães de raças grandes e gigantes, acima de 15 quilos, são considerados idosos a partir de cinco ou seis anos”, explica Luciana Maestri.
A médica-veterinária ressalta que a Doença de Alzheimer é neurodegenerativa em humanos. E ela explica que os cães e gatos idosos também são acometidos por uma doença neurodegenerativa progressiva, decorrente principalmente pela deposição de proteína beta-amiloide, estresse oxidativo, dano mitocondrial e outras alterações que levam ao declínio cognitivo, similar ao que é observado na Doença de Alzheimer em humanos, porém na Medicina Veterinária é chamada de Síndrome da Disfunção Cognitiva Canina (SDCC) ou Felina (SDCF). E ela acomete mais cães do que gatos.

Sinais clínicos

Segundo Luciana Maestri, os sinais clínicos da Doença de Alzheimer são semelhantes entre os humanos e os animais, como trocar o dia pela noite, perder a noção de higiene (micção em locais que antes não faziam), ficar perdido pela casa, ficar preso em locais sem saber sair (entre os móveis, frestas, e outros), não reconhecer pessoas da família, ter momentos de agressividade, ficar olhando para o nada ou cantos da casa (podendo uivar e chorar por horas) e ter andar progressivo (andar pela casa sem parar).
O mais importante é saber que os sinais clínicos da SDCC ou SDCF são muito semelhantes a outras enfermidades relacionadas aos cães e gatos idosos, por isso o médico-veterinário precisa ser criterioso e descartar antes as doenças endócrinas, doenças infecciosas, doenças inflamatórias e doenças neoplásicas (tumores).
“Mas se a 'Doença de Alzheimer' (Disfunção Cognitiva em cães e gatos) for realmente diagnosticada no cão ou gato, o tratamento tem eficácia no retardamento do processo, com o uso de medicamentos que aumentam a oxigenação cerebral e melhoram a qualidade de vida do animal à medida que o ajudam a dormir e contribuem com a melhora do apetite e da vontade de praticar atividades físicas”, garante.

5 dicas para retardar o surgimento da “Doença de Alzheimer” em cães e gatos

  1. Fazer exercício físico (passear sempre com seu animal, com os sem brincadeiras).,
  2. Oferecer ração de qualidade ou alimentação natural balanceada.
  3. Verificar com o médico-veterinário o controle sanitário e fornecimento de suplementos (Vitamina E, Ômega 3 e 6, entre outros).
  4. Controlar o ganho de peso do animal.
  5. Promover a interação com o ambiente e os familiares.

5 dicas para ajudar um cão ou gato já com a “Doença de Alzheimer”

  1. Elabore uma rotina diária de alimentação, exercícios e outras atividades. 
  2. Evite mudar a mobília ou trocar as coisas de lugar, principalmente as deles, como caminhas, caixinhas de areia, potinhos de ração e água, entre outros.
  3. Gaste tempo de qualidade juntos, fortalecendo o vínculo entre vocês.
  4. Escove bastante os dois e no caso dos felinos, se necessário, passe lenços umedecidos em seus pelos. 
  5. Acima de tudo, ofereça muito carinho e amor e tenha, acima de tudo, paciência.

Rachel Martins

Uma jornalista que ama os animais, assim é Rachel Martins. Não é a toa que ela adotou duas gatinhas, a Frida e a Chloé, que são as verdadeiras donas da casa. Escreve semanalmente sobre os benefícios que uma relação como essa é capaz de proporcionar

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