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"Funk no Grammy é medalha de ouro para o Brasil", diz capixaba WC No Beat

Artista comemora sucesso de nova música com Kevin O Chris e DJ GBR. Hit “Se Concentra" estreou com clipe na última quinta (29) no YouTube

Vitória
Publicado em 02/08/2021 às 06h00
O cantor, produtor e diretor Weslley Costa, o artista WC No Beat
O cantor, produtor e diretor Weslley Costa, o artista WC No Beat. Crédito: Ernesto Andrade

WC No Beat é, indiscutivelmente, um dos maiores fenômenos do funk que o Espírito Santo já produziu. Hoje radicado no Rio de Janeiro, ele celebra os frutos que vem colhendo depois de anos na luta pelo reconhecimento da carreira. Mas os debates favoráveis à diversidade na música têm sido um divisor de águas na vida de quem vive da arte das periferias como ele.

“Os números estão aí. O funk entrou no Grammy. Quem não gosta tem que aceitar. O funk entrar no Grammy é como se fosse uma medalha de ouro para o Brasil”, dispara.

A audiência à que ele se refere refletiu bem no lançamento mais recente do artista capixaba, que na última quinta-feira (29) colocou no ar hit feito em parceria com Kevin O Chris e o DJ GBR. Nas primeiras horas, o clipe chegou a conquistar até mil visualizações por hora. “É uma música que vai fazer a galera se identificar e sentir saudade. Saudade das festas (risos)”, explica.

No vídeo, Weslley Costa (nome de registro do artista) surge em forma de gráfico digital com os dois amigos cantando versos que remetem a eventos, tema que é pano de fundo para os versos escritos pelo próprio Kevin O Chris com Tinho WT e Lucas Medeiros. WC ficou por conta da direção musical e do instrumental da música.

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"Misturei a minha linguagem do trapfunk com a linguagem do GBR, que fez o instrumental comigo, e tudo nasceu de forma natural. Já éramos amigos, então a ligação foi muito forte", detalha.

Em bate-papo exclusivo com a coluna, o artista ainda falou sobre a parceria com outros fenômenos do funk, aposta no que ele chama de ravefunk e trapfunk, e relação que mantém até hoje com o Espírito Santo e outros profissionais da cena musical do Estado.

Como foi o processo de produção de “Se Concentra”?

O processo da criação começou pelo instrumental. Eu e o GBR tínhamos relação de amizade já. Com o tempo, a gente conseguiu se juntar no estúdio e conseguiu fazer todo esse processo junto, ele misturando a linguagem do trapfunk dele e eu do meu, tudo em um instrumental pesado. Quando estávamos com o esqueleto da música, a gente chamou o Kevin O Chris e ele não perdeu tempo. Nasceu de forma natural: a gente parou, se juntou e decidiu que ia fazer uma música nova, que remete muito à festa, saudade... A galera vai sentir saudade da festa (risos).

A música explora muito o trapfunk, um gênero que apesar de novo no Brasil, já é bastante admirado em outros lugares do mundo. A sonoridade desse ritmo também vem sofrendo mudanças no País?

O trapfunk já é uma mistura de dois gêneros. Assim, a gente já consegue atingir vários nichos dentro do estilo. A gente pega toda crista de onda do funk, do rap, do trap e a gente consegue aplicar tudo isso no mesmo estilo. Comecei a trabalhar com trapfunk em 2012. Em 2018, a gente quis fazer algo autoral, daí já sofreu mudanças. E não digo mudanças... É mais se adaptar ao mercado, ao que as pessoas querem ouvir, porque é um gênero universal. Meu trapfunk veio para quebrar barreiras, os números não mentem. E eu tenho muita honra, sou muito feliz, de fazer parte dessa história dentro do cenário, que ainda pode se misturar com tudo.

Li que você diz que a música “é bem para cima, bem pesada e com clima de ravefunk”. Pode falar um pouco mais da sonoridade que pensaram para ela?

Quem conhece o GBR já sabe que ele tem um estilo original de música. E quem me conhece também sabe que sou assim. Nosso estilo original de fazer música fica muito impresso. A gente só misturou características de cada um e mesclou os elementos para que ficasse bom. Os amigos que ouviram, falaram: ‘Cara, você tem que lançar isso logo’. E Kevin O Chris ajudou muito. A voz dele encaixou, nem precisamos fazer muita coisa. A música ficou pesada na forma da batida, porque tem a rave no meio, mas ficou muito bom, do nosso ponto de vista de produção, de qualidade. Algo diferente do que tenho feito ultimamente.

E é um lançamento que chega já um tempo depois do início da pandemia. De alguma forma, o isolamento mudou algum aspecto seu como artista? Algo que possa estar explícito nessa produção?

A pandemia mudou muita coisa, desde os shows até a forma de fazer música. Como as pessoas não estavam saindo, a gente tinha que ter uma forma de fazê-las ouvir as músicas. No geral, eu tenho gostado da ideia de pensar e misturar. Misturar sem medo. Pegar um timbre da pisadinha e colocar no trapfunk e pensar: ‘Uau, genial’. E isso não tem dinheiro que compre. Pegar o samba e fazer a mesma coisa, ver que não tem diferença de qualquer outro estilo de música. É bom. Com a pandemia, tive a oportunidade de aprimorar mais isso, estudar mais. A pandemia fez ampliar minha visão e lapidar a forma de fazer música.

E por que você diz que “Se Concentra” é projeto mais diferenciado que você já fez na sua carreira?

Porque a ravefunk não é algo que eu faço muito. Na verdade, nunca fiz. É totalmente novidade. Então é a música mais diferente da minha carreira até agora. Vou fazer muitas músicas ainda (risos), mas essa foi a mais diferenciada. E estou gostando muito. A galera vai curtir, vai mexer e não vai mexer nos gêneros que a gente já vem construindo.

Sobre o trapfunk, o trap, o 150 bpm... É ilusão a gente dizer que não há preconceito, porque há. Mas o cenário está mudando?

Os números estão aí. O funk entrou no Grammy. Quem não gosta, tem que aceitar, porque a gente veio para quebrar paradigmas e impor nosso respeito. O funk e o rap, há muitos anos, já sofrem preconceito. Até hoje. O funk entrar no Grammy, é como se fosse uma medalha de ouro para o Brasil. É nossa música, original, feita aqui, mostrou que realmente tem música no Brasil. Nunca tive um Grammy na vida e agora vou poder concorrer. Isso, para mim, já é uma mudança, uma vitória. E os números estão aí. Mais de 100 milhões de plays em uma música. A gente sofre preconceito, mas isso é só uma pedra que a gente pode tirar do caminho. E a gente continua aqui. Fazendo história. É o que eu quero. Trabalhar e ser referência.

E como é no Espírito Santo, na sua opinião, já que é daqui?

O cenário no Espírito Santo mudou desde quando eu saí daí. Eu sabia que tinham muitas pessoas novas no cenário de MC, por exemplo, que iam fazer muito sucesso, tipo o Cesar e o Dudu. Só que eu deixei meus alunos produtores aí. Fiz questão de deixar pessoas responsáveis pelo legado da música continuar. E muita gente que eu vi entrar no rap, cresceu. Vi gente se formando na faculdade e indo trabalhar na música. E tentei fazer a cena dentro do Estado andar.

E por que não andou, então?

A gente tem MC bom, batalhas de rima que são referências no Brasil todo. O que falta é a galera se juntar no streaming, da galera lançar mesmo. Tenho amigos que têm CDs prontos e não lançam. Eu puxo a orelha da galera, falo para soltar. Não importa o que as pessoas vão falar. Solta a música para o mundo, porque na primeira oportunidade você vai poder fazer o que quiser com a música. E eu cobro muito isso dos meus amigos capixabas. E é algo que nunca vou parar de fazer até ver as pessoas no eixo nacional. Eu vi a Budah nesse nível, que se lançou sem medo. Mas ainda falta mais disso, mais pessoas querendo colocar a cara, de sair do Estado, sair do conforto. A gente sabe que, no Espírito Santo, é difícil viver de qualquer coisa. Mas, para viver do que ama, você tem que ter experiências fora do seu conforto. Não adianta também ficar só na sua zona de conforto achando que tudo vai mudar. A oportunidade, quem faz, é a gente.

Falta também esse conhecimento do streaming. Vejo que a galera do Estado está conhecendo agora. No funk também, a mesma coisa. Mas eu conheço desde 2011. Algo que a gente se ligou e captou. E no cenário tem gente que vai se dar muito bem ao se ligar nisso.

Aliás, hoje, qual é sua relação com o Estado?

Minha família toda mora aí. Ano novo estive aí. Sempre passo réveillon aí. Amo o Rio, mas no Espírito Santo tenho meus amigos que me viram nascer, que cresceram comigo, amizades que tenho para a vida toda. E eu nasci no Espírito Santo, na terra que me acolheu como pessoa, como artista, quando eu quis ser artista. Comecei a fazer sucesso dentro da minha rua, depois do meu bairro, depois na cidade, no Estado... E assim foi. Então, me senti acolhido para me preparar para o que eu vivo hoje. Eu só tomei a iniciativa de sair para ver a visão ampla ao meu redor do cenário da música. Vim para o Rio na cara e na coragem, com mochila, quatro roupas e equipamento para trabalhar.

E o que pode adiantar de novos trabalhos?

Tenho algumas músicas prontas. Ainda estamos em decisão da próxima que vai sair. Estou fazendo muita música diferente. Eu sou o cara que só faz a música, quem lança é a minha empresa. Eu só acordo e penso: ‘Cara, tenho que produzir mais’. Eu só quero ver minha música na pista e fazer o que for necessário para ela chegar a todos os ouvidos. E fazer a coisa acontecer, para mim, é a melhor coisa. Melhor coisa é ver uma ideia sua, que saiu do zero, tomou uma proporção maior. Não tem dinheiro que paga. Só o amor que paga.

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