Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Dilemas na educação

No Dia do Estudante, onde estão os alunos invisíveis do ES?

Esses estudantes, na pandemia, não conseguiram responder às atividades enviadas. O fato é que são muitos os desafios que afetam e dificultam a vida dos estudantes da rede pública

Publicado em 11 de Agosto de 2020 às 05:00

Públicado em 

11 ago 2020 às 05:00
Paulo Brandão

Colunista

Paulo Brandão

Aulas a distância têm se mostrado um desafio para alunos e professores
Aulas a distância têm se mostrado um desafio para alunos e professores Crédito: August de Richelieu/ Pexels
Como comemorar o Dia do Estudante num contexto de pandemia, em que as escolas públicas precisam se reinventar, os alunos, em casa, passam a receber conteúdos para serem avaliados e as dificuldades já presentes na educação se agravam, de modo gritante, para os mais pobres? Sobre o acesso, pesquisa TIC Educação 2019 aponta que 40% das casas não têm acesso à internet, e o número de microcomputadores é menor ainda nas residências no ES (IBGE). Por outro lado, o uso do telefone celular para acessar a internet aumentou de 97,6% para 98,5% no ES.
Mas há outros agravantes, como um ambiente desfavorável para concentração e assimilação do conteúdo; e a falta de livros, dicionários e outros meios para pesquisa e elaboração de conhecimento. Isso sem falar na miséria, já que muitos precisam de alimentação adequada e não possuem comida em casa, além de problemas como a necessidade de usar óculos, mas não conseguem oftalmologista com rapidez na saúde pública.
Nessas condições, será possível para os estudantes assimilar e conseguir aprender o necessário para seu ano escolar? Por que muitos desistiram do Enem este ano? Um outro fato preocupante é a invisibilidade de 36 mil estudantes da rede estadual, palavras do secretário de Educação do ES. Esses estudantes, na pandemia, não conseguiram responder às atividades enviadas. O fato é que são muitos os desafios que afetam e dificultam a vida dos estudantes da rede pública. A falta de acesso à tecnologia parece-me ser um grande agravante.
Se a falta de tecnologia dificulta, o acesso exagerado pode se transformar num problema. Para Türcke, filósofo contemporâneo, autor da Filosofia da Sensação, estamos na chamada “sociedade excitada”. Conceito que criou para expressar uma exploração da percepção das pessoas por meio do vício. Pessoas viciadas são mais fáceis de serem controladas.
Com a internet e o consequente aumento da velocidade com que as imagens são apresentadas na tela, temos a destruição da percepção pura e simples decorrente do vício crescente. Ao mesmo tempo, vivemos numa exploração dilaceradora, que exige a fixação de algo numa velocidade cada vez maior, segundo Türcke.
A tela seria o local por excelência que toma a atenção das pessoas. E o bombardeio na apresentação das imagens propicia a produção de sentidos viciados, que para funcionarem precisam de doses cada vez mais fortes, numa torrente viciante sem fim. Uma vez dependentes, os sentidos tendem a não ser atingidos pelos estímulos de fora da tela e, quando o são, passam a tomá-los como insossos e desestimulantes.
Será que esta valorização acelerada, constatada pelo uso exagerado de celulares pela maioria dos jovens estudantes, não retarda ou diminui a capacidade de percepção, reflexão genuína e decisão deles frente a questões urgentes postas pela sociedade? Este bombardeio diário de informações não destrói a necessária calmaria para a construção do conhecimento?
A gravidade deste momento histórico é evidenciada pelas novas formas de comunicação que avançam e exigem maior capacidade de assimilação e compreensão. Este novo tempo requer investimento em políticas públicas no campo da educação, pesquisas para ofertar aos estudantes as condições necessárias para aprender a diferenciar fontes externas de informação.
No entanto, para que aprendam a ter noção do que não sabem é preciso que seus mestres, gestores e profissionais da área deem a importância devida à educação. Antes de tudo, é preciso que saibam quem são e onde vivem os estudantes da rede pública.
Está claro que falta muito ainda para alcançarmos o objetivo que se espera em educação para os estudantes. Ouvir e saber onde estão os 36 mil estudantes invisíveis no ES já seria um grande passo para sabermos o que precisa ser feito para que as nossas ações em educação alcancem o objetivo esperado.

Paulo Brandão

É bacharel em Filosofia. Com um olhar sempre atento para as ruas, reflete sobre as perspectivas de cidadania diante dos problemas mais visíveis da Grande Vitória

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Acidente entre carros deixa seis feridos em Vargem Alta
Acidente entre dois veículos deixa seis pessoas feridas em Vargem Alta
Imagem de destaque
Marinha, Ibiraçu e Conselho do ES: 15 mil vagas em concursos e seleções
Corpo é encontrado em rio em Castelo
Corpo de homem é encontrado boiando em rio de Castelo

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados