O homem criou o mundo terrestre, pelo menos seu mundo interno, e suas coisas sempre de dois a dois a começar com o milagre espetacular promovido pela eclosão do espermatozoide e do óvulo no que toca à humanidade e outras integrações de vida.
Tenho repetido a fascinação que me causa as teorias do gênio do psicanalista e pediatra inglês Donald Winnicott. O conjunto mãe-bebe que dá início à civilização humana é tão simples quanto fantástico.
Em “Totem e Tabu”, em um artigo de 1913, Sigismund Schlomo Freud refaz o que se pensava como história das origens da humanidade, a construção das estruturas coletivas. Nessa obra-prima, se dedica a mostrar a analogia que existe entre o tabu na neurose atual e, digamos, as eternas superstições vivas como o ódio de um inimigo poderoso e mau que vira veneno, os caciques, os mortos santificados. E tudo o que se imagine de novo, bizarro ou não. Eu entendi que não é preciso destruir uma estrutura teórica para criar paradigmas. Há muito lugar em todos os espaços filosóficos para qualquer coisa.
Freud coloca aí sua ambivalência de sentimentos como todo mundo é capaz de experimentar. Há ainda os racionais e os donos da razão, filha da literal aritmética. Grande parte das dissertações, teses, especializações, etc, agarram-se como em um antigo balaústre de bonde às citações.
Então, a verdade é que a descoberta do real (Lacan) é a essência dessas conjunturas. É aí que em um pulo derramo-me com a frase do século, pelo menos para a minha sabida ignorância, que vem do tempo em que minha professora fazia-me recitar “Diana” em latim clássico (tem vulgar também). Era excitante.
Qual era o código?
Diana erat dea silvarum. Portabat setas et sagittae et introdutie in silvis cotidiae.
Respeitável público, não traduzo porque não tem a mínima importância, assim como saber de cor quais são os principais afluentes do Rio Amazonas: Javari, Jutaí, Juruá, Tefé, Coari, Purus, Madeira, Tapajós e Xingu.
Vamos ao aqui agora. Não se pode levitar o pensamento.
Dou uma passeada pelo campo do impossível quando debruço-me sobre a frase que resume uma ordem. A realidade é construída por dúvidas. Hei de repeti-la até obter uma resposta. Esta é minha tarefa de hoje, minha senhora. Depois começar tudo de novo.
Vamos supor.
Uma pessoa super envolvida em falcatruas, depois de muito trabalho de investigação e provas de tudo quanto é jeito, uma vez indiciada para responder a uma comissão de inquérito tem o ‘‘direito’’ de calar sobre as coisas que ‘’poderiam’’ ser usadas contra ela. Sabe quais são, dona Mariquinha, as perguntas incriminadoras? Todas. Repletas de evidências.
E tem mais, muito mais. Voltando ao Sigismund, ele deduziu que a consistência da lei varia com o poder do acusado. Cuja exequibilidade pode ser negada, e é frequentemente.
Com o respeito que merecemos de todo o bravo povo brasileiro, nós, os foliões, temos que agir. A ação central é formar eleitores em cada “outro” para começar, como dizia Mariucha. Se a gente encontra hoje em dia entre intelectuais a mais pura ignorância e repetente burrice, imagine os analfabetos e desacostumados a refletir desde pequenininhos.
Acho-te uma graça. As pessoas que não sabem estruturar uma ação a favor do povo, em qualquer campo, candidatam-se a salvadores da pátria. Nem sabem o que é a tal da pátria, nem para cantar o Hino Nacional ou saber o seu significado.
O gênio de Freud, entre outros, descobriu que nas estruturas de seu “Totem e Tabu” o sentimento de glória, de medo, da dúvida.... Saindo do humanismo real só por acaso.
Ou pela arte.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, diz não pertencer à raça humana.