Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Política e psicanálise

Sobre o Brasil, Freud e os delírios que desconhecemos

Freud deduziu que a consistência da lei varia com o poder do acusado. Cuja exequibilidade pode ser negada, e é frequentemente

Publicado em 20 de Julho de 2021 às 02:00

Públicado em 

20 jul 2021 às 02:00
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Sigmund Freud
Em “Totem e Tabu”, em um artigo de 1913, Sigismund Schlomo Freud refaz o que se pensava como história das origens da humanidade, a construção das estruturas coletivas Crédito: Arquivo
O homem criou o mundo terrestre, pelo menos seu mundo interno, e suas coisas sempre de dois a dois a começar com o milagre espetacular promovido pela eclosão do espermatozoide e do óvulo no que toca à humanidade e outras integrações de vida.
Tenho repetido a fascinação que me causa as teorias do gênio do psicanalista e pediatra inglês Donald Winnicott. O conjunto mãe-bebe que dá início à civilização humana é tão simples quanto fantástico.
Em “Totem e Tabu”, em um artigo de 1913, Sigismund Schlomo Freud refaz o que se pensava como história das origens da humanidade, a construção das estruturas coletivas. Nessa obra-prima, se dedica a mostrar a analogia que existe entre o tabu na neurose atual e, digamos, as eternas superstições vivas como o ódio de um inimigo poderoso e mau que vira veneno, os caciques, os mortos santificados. E tudo o que se imagine de novo, bizarro ou não. Eu entendi que não é preciso destruir uma estrutura teórica para criar paradigmas. Há muito lugar em todos os espaços filosóficos para qualquer coisa.
Freud coloca aí sua ambivalência de sentimentos como todo mundo é capaz de experimentar. Há ainda os racionais e os donos da razão, filha da literal aritmética. Grande parte das dissertações, teses, especializações, etc, agarram-se como em um antigo balaústre de bonde às citações.
Então, a verdade é que a descoberta do real (Lacan) é a essência dessas conjunturas. É aí que em um pulo derramo-me com a frase do século, pelo menos para a minha sabida ignorância, que vem do tempo em que minha professora fazia-me recitar “Diana” em latim clássico (tem vulgar também). Era excitante.
Qual era o código?
Diana erat dea silvarum. Portabat setas et sagittae et introdutie in silvis cotidiae.
Respeitável público, não traduzo porque não tem a mínima importância, assim como saber de cor quais são os principais afluentes do Rio Amazonas: Javari, Jutaí, Juruá, Tefé, Coari, Purus, Madeira, Tapajós e Xingu.
Vamos ao aqui agora. Não se pode levitar o pensamento.
Dou uma passeada pelo campo do impossível quando debruço-me sobre a frase que resume uma ordem. A realidade é construída por dúvidas. Hei de repeti-la até obter uma resposta. Esta é minha tarefa de hoje, minha senhora. Depois começar tudo de novo.
Vamos supor.
Uma pessoa super envolvida em falcatruas, depois de muito trabalho de investigação e provas de tudo quanto é jeito, uma vez indiciada para responder a uma comissão de inquérito tem o ‘‘direito’’ de calar sobre as coisas que ‘’poderiam’’ ser usadas contra ela. Sabe quais são, dona Mariquinha, as perguntas incriminadoras? Todas. Repletas de evidências.
E tem mais, muito mais. Voltando ao Sigismund, ele deduziu que a consistência da lei varia com o poder do acusado. Cuja exequibilidade pode ser negada, e é frequentemente.
Com o respeito que merecemos de todo o bravo povo brasileiro, nós, os foliões, temos que agir. A ação central é formar eleitores em cada “outro” para começar, como dizia Mariucha. Se a gente encontra hoje em dia entre intelectuais a mais pura ignorância e repetente burrice, imagine os analfabetos e desacostumados a refletir desde pequenininhos.
Acho-te uma graça. As pessoas que não sabem estruturar uma ação a favor do povo, em qualquer campo, candidatam-se a salvadores da pátria. Nem sabem o que é a tal da pátria, nem para cantar o Hino Nacional ou saber o seu significado.
O gênio de Freud, entre outros, descobriu que nas estruturas de seu “Totem e Tabu” o sentimento de glória, de medo, da dúvida.... Saindo do humanismo real só por acaso.
Ou pela arte.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, diz não pertencer à raça humana.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Festival Matrizes é dedicado à preservação e disseminação das Matrizes Tradicionais do Forró
Em julho: festival em Itaúnas terá Trio Xamego e torneio de forró
Imagem de destaque
Dia Mundial da Educação: 7 temas em alta para refletir na data
Virginia postou vídeo chorando após Luana Piovani afirmar que 'maldição vai colar em você, resvalará nos seus filhos' por divulgar bets
Luana Piovani critica Virginia, fala dos filhos dela, e influenciadora promete processo

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados