Respeitável público, tente viver uma condição social em que todo controle do pensar e do existir é conduzido por uma assistência que rigorosamente não conhece o suficiente dos limites do funcionamento humano.
Durante o tempo em que estive com a função de visitar, como especialista institucional da saúde, os abrigos onde, querendo ou não querendo, o paciente carimbado com sintomas, muitas vezes mínimos do funcionamento intelectual, identifiquei a doença mais grave que ocorre nesses casos, o silêncio sepulcral e o isolamento em relação a quem deveria estar minimamente próximo.
Situações que se tornam ainda mais graves ou até desencadeantes, isso sim, quando os sinais sequer são diagnosticados, como as amnésias presentes em qualquer envelhecimento da maioria das pessoas a partir dos 70 anos ou até menos, transformando em patologia e aplicando a ele o rótulo da “la belle indifference”, atribuída por Sigmund Freud somente aos histéricos clássicos.
Acrescente-se ao ato o fato de que muitas vezes a situação envolve vis interesses financeiros e de outras ordens. Então, o infeliz cai nas malhas do outro, interessado. Toda gama de sinais, mesmo sem chegar a sintomas, torna-se um traço de personalidade, manobra que coloca o alvo em uma situação ligeiramente pior do que a morte, como diz a médica Ellen Lee, professora associada de psiquiatria da Universidade da Califórnia, San Diego, nos Estados Unidos.
Felizmente, benza Deus, contamos no Brasil com excelentes profissionais da neurologia e que buscam juntos com os pesquisadores de todo o mundo uma relação causa-efeito dentro das condições verdadeiras do que é imposto como sintoma. E essa fabricação geral de impotência reduz-se.
Pequenos e transitórios episódios de solidão realmente motivam as pessoas a procurar conexões sociais, diz a pesquisadora de pós-doutorado no Instituto sobre Envelhecimento da Universidade de Wisconsin-Madison.
Como o corpo humano é uma entidade única, podemos deduzir que esses e outros sinais e sintomas podem aparecer no corpo durante o envelhecimento em todas as pessoas, umas mais, outras menos, especialmente na mesma faixa etária.
Pesquisadores sérios e importantes sempre souberam que existe uma relação de inúmeros sintomas sem importância que unidos tange a demência, por exemplo, em pessoas que durante toda a vida padeceram em grau leve de esquecimento patológico.
Então, a solidão.
O ser humano organiza-se em pares como sabemos há muito: espermatozoide e óvulo, mãe e filho, sujeito e objeto, etc. Portanto, o isolamento, a solidão em todos os níveis (o exemplo clássico é o adoecimento mental de uma pessoa confinada por muito tempo à Solitária das prisões), aumentam o risco em níveis mais elevados e são associados aos riscos ainda mais altos de demência, segundo a médica Nancy Donovan, diretora da divisão de psiquiatria geriátrica do Brigham and Women’s Hospital.
Não se tem informações detalhadas e comprovadas entre drogas de qualquer espécie, inclusive alguns medicamentos, e a eclosão de demências e psicoses. A ciência mais avançada lida com auxílio da prática clínica e algumas raras comprovações científicas.
No Brasil, a ciência exerce a autoridade muitas vezes impedindo a expansão da experiência prática a ser experimentada pela comunidade. Tal cuidado, justificável em alguns casos, tem retardado alguns avanços importantes. O que não quer dizer que tal precaução não seja necessária.
Justiça seja feita, no Brasil o Instituto Oswaldo Cruz, o primeiro a fabricar vacinas no país, tem revelado grande utilidade prática na pesquisa de vacinas. Não poderia deixar de citar a médica, professora, escritora e pesquisadora capixaba Margareth Dalcolmo.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, esquece de tudo.