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Pandemia

Um ano sem carnaval pela preservação da vida

Na passarela da sensatez, as fantasias são substituídas pelas máscaras de proteção, os confetes e serpentinas trocados pelo álcool em gel e as aglomerações dão passagem ao distanciamento social

Publicado em 17 de Fevereiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

17 fev 2021 às 02:00
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

Carnaval na pandemia
As brincadeiras, a folia e os desfiles dão lugar ao bloco da prudência Crédito: Shutterstock
carnaval, a maior festa popular brasileira, não foi promovido nesse ano. Tal medida se mostrou necessária devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Não há como ignorar a triste estatística de aproximadamente 10 milhões de infectados e cerca de 240 mil mortes da doença no Brasil.
Para além da diversão, o carnaval proporciona significativas contribuições para a geração de renda e emprego. As atividades, criações, utilização de insumos, produções e pessoas envolvidas nos desfiles de escolas de samba, bem como dos blocos de rua, movimentam a economia criativa de várias cidades brasileiras. Ademais, a economia do turismo é diretamente influenciada pelos eventos de carnaval.
Os fluxos de viagens aumentam consideravelmente nesse período do ano no roteiro do carnaval. Nesse itinerário, os desfiles das agremiações capixabas no Sambão do Povo, em Vitória, marcam o início de uma das mais relevantes expressões culturais brasileiras. Na sequência, cidades como SalvadorRecifeSão Paulo e Rio de Janeiro dão o tom da folia com desfiles oficiais e tradicionais blocos de rua.
Em 2021 essa movimentação não acontece por uma causa de força maior. A pandemia exige uma ampla mobilização em prol da vida. Por isso, os governos e as lideranças do segmento somaram esforços para garantir a segurança da população e foliões. Cabe destacar o responsável posicionamento da Liga das Escolas de Samba do Grupo Especial (Liesge) em não realizar os desfiles. Dessa forma, a festa em fevereiro deste ano será poupada para que muitos outros carnavais sejam vividos e comemorados.
As brincadeiras, a folia e os desfiles dão lugar ao bloco da prudência, no qual cada um de nós tem a responsabilidade de redobrar os cuidados por meio das medidas preventivas e não farmacológicas. Na passarela da sensatez as fantasias são substituídas pelas máscaras de proteção, os confetes e serpentinas trocados pelo álcool em gel e as aglomerações dão passagem ao distanciamento social. Em favor da preservação da vida, nosso bem maior, o carro abre-alas da vacinação deve ganhar ritmo, velocidade, articulação e harmonia no território nacional.
Os artigos assinados não traduzem necessariamente a opinião de A Gazeta.

Pablo Lira

Pos-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve as quartas

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