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Outro cenário

A geopolítica mundial determinou o comportamento das pandemias

Enquanto no início da gripe espanhola as nações se encontravam tensionadas pela Guerra Mundial, no surgimento do novo coronavírus as duas maiores potências econômicas travavam uma guerra comercial

Públicado em 

06 mai 2020 às 05:00
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

Coronavírus (covid-19)
Coronavírus (Covid-19) Crédito: Freepik
Até o mundo conhecer o novo coronavírus (Covid-19), a gripe espanhola era conhecida como a mais mortal das pandemias reportadas na história recente. Os primeiros casos dessa doença surgiram no início de 1918 na base militar de Fort Riley, que se localiza no Estado do Kansas, nos Estados Unidos, e era utilizada para o treinamento de jovens americanos para a Primeira Guerra Mundial.
Na semana quando foi diagnosticado o primeiro caso, centenas de soldados adoeceram. Na segunda semana, mais de mil militares foram acometidos pela enfermidade e demandaram atendimento hospitalar. Com isso, o vírus se espalhou para outros acampamentos e cidades norte-americanas. Por conta da logística da Guerra Mundial, o vírus se alastrou rapidamente para a Europa e outros continentes.
Se o epicentro da pandemia ocorreu nos Estados Unidos, por que a mesma ficou conhecida como gripe espanhola? No início, a grande maioria dos países, inclusive os Estados Unidos, se esforçaram para omitir a existência da doença. As notícias sobre a então epidemia eram censuradas com o propósito de não ampliar o medo e gerar desestabilizações nas sociedades e nas tropas, já tensionadas pelas pressões decorrentes da guerra.
Todavia, a Espanha era uma das poucas nações que mantinha a imprensa livre. As primeiras notícias sobre a doença foram publicadas naquele país. Dessa forma, compreende-se o porquê da associação da grave gripe com a Espanha.
O posicionamento geopolítico das nações de tentarem omitir a gravidade da epidemia contribuiu para o alastramento dos casos em escala mundial. Sem conhecer a magnitude e intensidade do problema, como as autoridades da época poderiam planejar e implementar medidas de prevenção, mitigação e controle?
Além disso, a logística e geografia da guerra aceleraram substancialmente a propagação da doença. Soldados infectados se aglomeravam em trincheiras, hospitais de campanha e bases militares, ambientes favoráveis ao contágio. Naquela época, a medicina não dispunha da diversidade de recursos tecnológicos como se tem hoje em dia.
O final dessa história já conhecemos. O influenza H1N1 foi o vírus responsável pela pandemia da gripe espanhola, que na verdade se originou nos Estados Unidos. Estimativas indicam que mais de 50 milhões de pessoas perderam a vida por conta daquela doença em um período de menos de três anos, entre 1918 a 1920. No Brasil, foram contabilizados mais de 30 mil mortos.
Passados 100 anos, a humanidade se depara com uma nova ameaça, a pandemia da Covid-19. Em apenas quatro meses, aproximadamente 4 milhões de pessoas foram infectadas e mais de 250 mil contagiados perderam suas vidas. Dessa vez, o epicentro da doença foi a província de Hubei, na região central da China. Em 2019, os chineses se encontravam no auge de uma guerra comercial com os Estados Unidos. Talvez por isso as autoridades da China tentaram negar o surgimento dos primeiros casos no final daquele ano. Depois disso, a gravidade do problema foi reconhecida e medidas de quarenta horizontal foram adotadas naquela região.
A curva epidemiológica da China indica que os novos casos de infectados se estabilizaram após quatro meses de exposição ao contágio. Atualmente, a Europa e os Estados Unidos são os países mais impactados pelo novo coronavírus. Essa última nação já registrou mais de 1,1 milhão de contaminados e quase 70 mil mortes pela Covid-19. No Brasil, são cerca de 110 mil infectados e o número de mortes superam as 7 mil vítimas.
Não vivemos uma Guerra Mundial, como na época da gripe espanhola. Entretanto, a geopolítica do século XXI destaca um mundo globalizado, onde o fluxo de mercadorias e pessoas entre as nações é mais intenso. A província de Hubei, onde o coronavírus surgiu, constitui um importante nó na trama logística que conecta a China com o mercado internacional. A partir desse e outros aspectos compreendemos como a Covid-19 se alastrou de forma rápida alcançando o status de pandemia em um curto período de tempo.
A favor da humanidade, nos tempos atuais, os avanços tecnológicos no campo da medicina e biogenética são fatores que contribuem nos tratamentos dos pacientes infectados, assim como podem possibilitar a antecipação do desenvolvimento de uma vacina para o novo coronavírus. No mundo globalizado, as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), como o advento da internet, portais de mídias digitais, sites especializados e redes sociais, também são relevantes ferramentas para informar e conscientizar as populações sobre os diagnósticos epidemiológicos, métodos de prevenção e controle da doença.

Pablo Lira

É diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves. Pós-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve às quartas

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